10.16.2012

Menina impedida de comer na Escola por dívida dos pais


Menina impedida de comer na Escola por dívida dos pais


Quando hoje de manhã fui confrontado com esta notícia no CM fiquei aterrado com a substância da mesma.
Como é possível neste País que se preza respeitar a Declaração Universal dos Direitos da Criança, permitir que isto aconteça? A Escola não tem Assistente Social? A Câmara Municipal da área geográfica desta escola não tem um Pelouro da Acção Social? Não existe na região uma instituição IPSS que possa chamar a si esta situação? Não existe por ali uma Junta de Freguesia?
As crianças que têm pais numa situação delicada como esta é que acabam por ser as vítimas mais directas? A sociedade civil deve despertar do sono profundo das telenovelas e do futebol que a tem adormecida, e observar à sua volta para o que está acontecendo. Toca a todos, aguardem pela vossa vez.


Direitos das Crianças
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Olá! Sabias que tu por teres idade inferior a 18 anos tens direitos especiais? Pois é, e eles são 54 artigos que te defendem. A Organização das Nações Unidas proclamou que a infância tem direito a uma ajuda e assistência especiais, e sabias também que a Declaração dos Direitos da Criança, foi adoptada em 20 de Novembro de 1959 pela Assembleia Geral das Nações Unidas? Isso já foi há 44 anos!
Vamos aqui enumerar alguns desses teus direitos, porque tal como o artigo 42 diz, tu deves conhecer e de compreender os teus direitos.
Artigo 1 - Todas as pessoas com menos de 18 anos têm todos os direitos escritos nesta Convenção;
Artigo 2 - Tens todos esses direitos seja qual for a tua raça, sexo, língua ou religião. Não importa o país onde nasceste, se tens alguma deficiência, se és rico ou pobre;
Artigo 3 - Quando um adulto tem qualquer laço familiar, ou responsabilidade sobre uma criança, deverá fazer o que for melhor para ela;
Artigo 6 - Todas as pessoas devem reconhecer que tens o direito à vida;
Artigo 7 - Tens o direito a um nome registado, ou seja, que haja um registo do nome dos teus pais, do teu próprio nome e de onde nasceste;
Artigo 9 - Não deves ser separado dos teus pais, excepto se for para o teu próprio bem, no caso dos teus pais te maltratarem ou não cuidarem de ti. Se eles se decidirem separar-se vais ter de ficar a viver com um deles, mas tens o direito de contactar facilmente os dois;
Artigo 10 - Se tu e os teus pais viverem em países diferentes, tens o direito a regressar e a viver junto deles;
Artigo 11 - Não deves ser raptado, mas se isso acontecer o governo do teus país tem de fazer tudo o que for possível para te libertar;
Artigo 12 - Quando os adultos tomarem alguma decisão que te afecte a vida, tens o direito de dar a tua opinião e de ser ouvido;
Artigo 13 - Tens o direito de descobrir coisas e dizer o que pensas através da fala, da escrita ou de outros meios, excepto se, ao fazê-lo, estiveres a interferir com os direitos de alguém;
Artigo 14 - Tens direito à liberdade de pensamentos e de praticares a religião que quiseres. Os teus pais têm o dever de te fazer compreender o que está certo e o que está errado;
Artigo 15 - Tens o direito a reunir-te com outras pessoas e a criar grupos ou associações, desde que não violes os direitos dos outros;
Artigo 16 - Tens o direito à privacidade. Podes ter por exemplo um diário, onde mais ninguém possa ter acesso;
Artigo 17 - Tens o direito de ser informado o que se passa no mundo através dos "media" (televisão, jornais, rádio, etc). Os adultos devem ter a preocupação que tu compreendes tudo;
Artigo 18 - Os teus pais devem educar-te, procurando o que é melhor para ti;
Artigo 19 - Ninguém deve exercer sobre ti qualquer espécie de maus tratos. Os adultos devem proteger-te contra abusos, violência e negligência. Mesmo se forem os teus pais eles não têm o direito de te maltratarem;
Artigo 20 - Se não tiveres pais, ou se não for bom para ti viveres com eles, tens o direito a protecção e ajudas especiais;
Artigo 21 - Caso tenhas sido adoptado, os adultos têm de garantir que tudo é feito de melhor maneira para ti;
Artigo 22 - Se fores refugiado (se tiveste de abandonar os teus pais por motivos de segurança), tens direito e cuidados especiais;
Artigo 24 - Tens direito à saúde. Se estiveres doente tens direito a ter acesso a medicamentos. Os adultos devem ter todo o cuidado que as crianças adoeçam, dando-lhes alimentação adequada;
Artigo 27 - Tens direito a um nível de vida digno. Isso significa que tens direito a comida, roupa, casa, se os teus pais não te poderem dar isso tudo o governo tem o dever de ajudar;
Artigo 28 - Tens direito à educação. O ensino básico deve ser gratuito. Também deves ter a possibilidade de frequentar o ensino secundário;
Artigo 29 - A educação tem como objectivo desenvolver a tua personalidade, talentos e aptidões mentais e físicas  A educação deve também preparar-te para seres um cidadão informado, autónomo e responsável, tolerante e respeitador dos direitos dos outros;
Artigo 30 - Se pertenceres a uma minoria, tens o direito de viver de acordo com a tua cultura, praticar a tua religião e falar a tua língua;
Artigo 32 - Tens direito a protecção contra a exploração económica, ou seja, não deves trabalhar em situações que ponham em causa a tua saúde ou a tua educação. Em Portugal existe uma lei que proíbe que crianças com menos de 16 anos não devem estar empregadas;
Artigo 33 - Tens direito a ser protegido contra o tráfico e consumo de drogas;
Artigo 34 - Tens o direito de ser protegido contra abusos sexuais, ninguém te pode tocar, tirar fotografias contra tua vontade;
Artigo 35 - Ninguém te pode raptar ou vender;
Artigo 37 - Não deverás ser preso, excepto como medida de último recurso, nesse caso tens direitos e cuidados próprios para a tua idade e a visitas regulares da tua família;
Artigo 38 - Tens direito a protecção no caso de guerra;
Artigo 39 - Uma criança vítima de maus tratos ou de negligência, tem direito a protecção e a cuidados especiais;
Artigo 40 - Se fores acusado de teres cometido um crime, tens direito a defender-te. No tribunal, a policia, advogados e o juiz devem tratar-te com respeito e de procurar fazer-te compreender o que se está a passar;
Artigo 42 - Todos os adultos e crianças devem conhecer esta Convenção. Tens o direito a compreender os teus direitos e os adultos também.
Ufa!! Tantos direitos!!! A Convenção sobre os Direitos das Crianças tem 54 artigos, alguns não referimos aqui porque dizem respeito à forma como como os governos e os adultos devem trabalhar em conjunto para que estes direitos sejam respeitados.
Será que a Direcção da Escola não conhece os direitos das crianças?

Joaquim Carlos
(Jornalista)


10.12.2012

Imagens Sinistras para apelar à Dádiva de Sangue


Estas imagens para além de chocantes, ridículas, revelam a situação mais sinistra que um ser humano pode terminar a sua vivência neste mundo: Cadáver.


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Farnando Alvim transforma-se em zombie para incentivar a dádiva de sangue

Farnando Alvim Transforma-Se Em Zombie Para Incentivar A Dádiva De Sangue

Aqui no traquitanas.pt somos grandes fãs da série Walking Dead e esperamos ansiosamente pela 3ª época.
A Fox encontrou uma forma original de promover a série ao mesmo tempo que se associou a uma causa importante, nomeadamente, a recolha de sangue por parte do Instituto Português do Sangue e da Transplantação.
Quatro figuras públicas juntaram-se à campanha caracterizando-se como zombies; Fernando Alvim, Nélson Oliveira, Merche Romero e Marcantonio del Carmo.
Veja os cartazes:
Adicionar legenda

A situação que chegou o IPST ter que recorrer a imagens tão sinistras, escabrosas como estas para convencer as pessoas a doarem sangue?
Além de repugnantes, ridículas são sinistras e inaceitáveis.
Como é possível artistas tão ilustres da nossa sociedade se disponibilizarem para desempenhar este “frete” manipulando psicologicamente desta forma a dor, o sofrimento de quem já foi, ou é vítima de acontecimentos que qualquer um de nós pode vir  a ser em qualquer momento?
Como Presidente da ADASCA, e como dador sinto-me indignado, porque estas imagens repugnam. Existem limites para tudo, e aqui nesta área não pode existir excepções. A imaginação dos responsáveis pelo IPST podia ser mais criativa e apelativa.   
Quem devia ficar neste estado, são os que vilipendiaram as motivações que levavam os dadores a doarem sangue, agora deixarem de o ser porque se sentem defraudados.
Em abono da verdade, sinto-me escandalizado com o que me deparo. Não digam que isto é cultura.... é o vale tudo para receber tão pouco.
Tenham vergonha, sejam contidos, deixem de manipular psicologicamente quem sofre seja por circunstância for.
A ADASCA não se revê nestes recursos, além de indignos, jamais estes autores vão merecer a nossa consideração.

Joaquim Carlos
Presidente da Direcção da ADASCA.

10.11.2012

Combate de Blogs: Estudo Cientifico Comprova Pluralidade de Opiniões



COMBATE BLOGS: ESTUDO CIENTÍFICO COMPROVA PLURALIDADE DE OPINIÕES


Redacção, FC

O programa «Combate de Blogs», da TVI24, foi objeto de estudo cientifico na Universidade do Porto. A tese de mestrado de Patricia Silva foi apresentado esta quinta-feira no polo de Ciências da Comunicação com o título «A emergência do cidadão jornalista. O caso do programa Combate de Blogs da TVI24».

A agora mestre estudou o programa durante o mês de Agosto de 2011 e entrevistou os comentadores residentes (Duarte Lino, Nuno Ramos de Almeida, Tomás Vasques e Rodrigo Moita de Deus), para além do apresentador Filipe Caetano, de Luís António Santos (professor e investigador da Universidade do Minho) e de Concha Edo (professora e investigadora da Universidade Complutense de Madrid). O juiz era composto pelos professores Paulo Frias, Nuno Moutinho e Helena Lima (orientadora da tese).

A questão de partida foi: Existe a presença do cidadão jornalista/jornalismo participativo no programa «Combate de Blogs»? E Patrícia Silva conclui que sim, sublinhando a diferença em relação a outros debates televisivos.
Combate Blogs: estudo científico comprova pluralidade de opiniões

Programa da TVI foi objeto de análise em tese de mestrado na Universidade do Porto «Analisando o Combate de Blogs», encontramos sinais que o distinguem dos restantes debates da televisão portuguesa. Regra geral, os debates televisivos são dominados por um grupo reduzido de elites que têm visibilidade mediática onde o que se diz e a forma como se diz são traços exigidos ao discurso do convidado. Ora, o Combate de Blogs rompe com este modelo, trazendo para o plateau cidadãos que se destacam de acordo com o que escrevem no seu blog e não apenas em função da sua projeção pública», conclui Patrícia Silva, após análise qualitativa e quantitativa.

«O Combate de Blogs é uma novidade em relação aos debates tradicionais na medida em que pessoas anónimas com uma posição política bem definida dão voz à sua opinião e manifestam o seu ponto de vista mediante determinado assunto. Este elemento modifica a relação clássica entre emissor e recetor, já que agora o recetor se converte em utilizador e pode, simultaneamente, ser emissor de mensagens», acrescentou, durante a sua defesa.

«O Combate de Blogs possibilita diversos olhares sobre o mesmo tema o que permite abrir novos espaço para pensar, analisar e falar. O programa promove protagonistas não habitualmente representados na comunicação social, proporcionando assim uma diversidade de opiniões e uma participação mais alargada de interlocutores», frisou, indo ainda mais longe na análise:

«O telespetador, levado pelo apelo persuasivo do debate e pelo seu carácter catártico, tem no Combate de Blogs outra visão que pode satisfazer as suas dúvidas e reforçar ideias através do olhar de cidadãos anónimos manifestando diferentes ângulos argumentativos. Sublinhe-se a ousadia que este programa teve em apostar em nomes que não são da esfera mediática para debaterem e analisarem as notícias que mais marcam cada semana».

«A TVI24 apresenta os bloggers como um novo poder em termos comunicativos, um fenómeno que potencia novos atores sociais, com um papel importante na sociedade», explica, sublinhando o facto de todos os bloggers participantes no programa terem saltado para a esfera mediática, com participação noutros espaços (jornais, revistas, rádios, tv, etc).

«Combate de Blogs» é um programa de debate que procura chamar novos atores ao debate mediático, usando a blogosfera como ferramenta de inspiração. Surgiu a 14 de setembro de 2009 com um debate online no site tvi24.pt e passou para o ecrã da TVI24 a 11 de abril de 2010, onde permaneceu até 5 de agosto de 2012. Regressou ao seu espaço inicial, online, utilizando agora o formato «Google Hangout». Saiba tudo sobre o programa no blog do programa.


Fonte: PushbyIOL- iol_newsletters@iol.pt
Oct 11, 2012 at 9:10 pm


Obs: Será que os participantes neste Programa da TVI não seriam excelentes articulistas na imprensa escrita?  Na minha opinião entendo que sim. Assim se desperdiçam valores.
Nota-se com facilidade que a imprensa escrita é pouco aberta à participação do cidadão leitor, principalmente aqueles que por natureza são mais críticos sobre determinados assuntos que podem motivar incómodos para o órgão de informação. Chama-se a isto pluralidade participativa? Não me parece.
Está provado que toda a imprensa escrita, que dá demasiado enfoque à religião seja ela de natureza católica romana ou outra, a tendência é cair para níveis de procura que podem motivar à extinção desse mesmo período a curto prazo se não arrepiar caminho, assim aconteceu com o Jornal "O Comércio do Porto" que dia sim, dia não puxava para as suas páginas com destaque figuras da igreja católica romana.
Os leitores daquele extinto jornal, assim o diziam: "se este jornal do qual sou leitor há dezenas de anos continuar assim, lamento, mas, vou deixar de o comprar, de o ler", mais, "se quiser ter religião vou à igreja as vezes que entender".
Este desagrado, era dado a conhecer por cartas dirigidas à redacção, por telefonemas, nem assim houve preocupação em parar para pensar. Assim se perdeu um jornal de referência.

Jornalismo a Sério


Jornalismo a Sério


Fazer jornalismo que informe sem desvirtuar ou destruir a verdade dos factos, mas sobretudo fazer jornalismo que ajude a cultivar, formar e enriquecer a inteligência humana é tarefa difícil que obriga a uma reflexão contínua, a um debruçar permanente sobre os acontecimentos diários, sabendo tirar deles as conclusões essenciais e lições decorrentes.
Serão todos estes órgãos de comunicação social porta voz dos seus leitores? Que interesses representam e defendem quando se esquecem dos leitores?
O jornalismo de ideias exige uma crítica sensata e lúcida daquilo que observamos, sem esquecer a exigência duma autocrítica severa e constante que castigue a desonestidade, a injustiça, os preconceitos falsos ou absurdos que para aí pululam. Fazer jornalismo sério e construtivo exige o inconformismo de levantar a voz para combater, quando a verdade o exigir, uma obediência servil a homens, ideias ou escola, de combater factores que uma sociedade gasta, incapaz e enferma.

Jornal centenário extinto há anos, um defensor da democracia
Um jornalista sério não pode adoptar uma posição de conformismo, um alheamento ao fluir dos acontecimentos, que directa ou indirectamente atinge a elevação ou decadência moral e social da humanidade.
O jornalista de ideias tem de viver intensamente os acontecimentos, dar-lhes alma e a sua carne, libertar-se do mundo dos lugares comuns e fugir à posição cómoda do neutralismo, que não faz ondas para não criar problemas.
O jornalista sério deve subestimar ou até desprezar as efemérides tentadoras e sensacionais, cujo conhecimento de nada serve ou até prejudica, para buscar o âmago dos problemas válidos, motivos de interesse e de actuação do espírito, deve procurar dignificar o jornal onde exerce um posto de vigia como intérprete e interventor consciente.

Diário de Lisboa extinto há anos, um proclamador da democracia
O jornalista deve ser um educador, e educar não é agitar paixões, não é alimentar uma morbidez que existe assolapada no íntimo da alma humana; é levar o homem menos lido, cujo padrão de cultura é muitas vezes apenas o seu jornal, a estruturar uma orgânica mental em que venha ao de cima a supremacia dum raciocínio equilibrado. Perante uma imensidade de asserções e suas consequências decorrentes, inspiradas tantas vezes pelos mais altos sentimentos ou pelas mais sórdidas intenções, o jornalista terá de emitir os seus juízos de valor, desprendido de simpatias pessoais ou de inimizades irredutíveis, terá de recalcar os seus impulsos ou as suas inclinações preferidas. Os seus juízos de valor serão a norma que milhares de pessoas irão adoptar, entregues a uma preguiça mental que os leva a raciocinar pela cabeça dos outros, sobretudo que admitem e aceitam tudo o que se diz e escreve no seu jornal.
Eis por que reputamos a profissão de jornalista como uma das mais sérias e relevantes na vida humana. Mas nem tudo são rosas nesta profissão tão sedutora. Não se nasce jornalista. Um bom jornalista não se improvisa. Tem de sentir um fogo sagrado a correr nas veias. Tem de saber ensinar algo ao sábio e ser compreendido pelo ignorante. Necessita duma preparação adequada ao seu difícil múnus. Escrever num jornal é uma arte e, por vezes, também será uma ciência. O jornalista tem de ser profundo nos conhecimentos de ordem geral, na humanidade, na dedicação, no colectivismo, no espírito de sacrifício, no exemplo da sua vida quotidiana porque o jornal é um homem público.
O jornal Comércio do Porto (1854-2005) publicou, em pranchas ou meias-pranchas semanais a cores. Publicou os episódios «Objectivo Lua» e «Explorando a Lua» (desconhecemos se na totalidade) entre 24 de Fevereiro de 1974 e 5 de Junho de 1975.
Todos têm os olhos postos nele sem que ele se aperceba. Eu diria até que o jornalismo é uma espécie de sacerdócio na medida em que exige uma mística de combate, um elevado espírito de sacrifício e uma disponibilidade sem reservas, já que o jornalista não tem calendário, nem relógio, nem domingo ou dia santificado. Às vezes, nem tempo para ver crescer os filhos ou para lhes fazer uma carícia mais demorada. É um autêntico contra-relógio sem calendário a sua vida.
Ora, uma profissão assim que exige tanto dos seus membros e tamanha repercussão tem na vida dos povos, ainda não foi encarada entre nós com aquele sentido de justiça e espírito de interesse que ela bem merece.
A Universidade portuguesa ainda não abriu a porta aos jornalistas formados na escola da vida, mas os jornais é que estão a estender a mão aos universitários que manifestam interesse por esta apaixonante carreira.
A França, neste campo, leva uns cem anos de avanço sobre nós. A Escola Superior de Jornalismo de Paris foi fundada em 1899. A nossa vizinha Espanha possui já algumas Escolas de Jornalismo, há mais de meio século. Precisamos dum jornalismo remoçado, pleno de entusiasmo, de experiência vivida no terreno, do sentido do pertinente, do útil e do construtivo, pleno de actualidade e frescura psicológica.
Paul Bourget falou, um dia, no sagrado dom de escrever. Ninguém como o jornalista tem de pôr ao serviço da comunidade humana este sagrado dom.
Segundo Chifley, um bom artigo é o que ensina alguma coisa ao mais sábio e que é compreendido pelo mais ignorante.
O bom jornalista tem de ter poder de criação e possuir espírito de observação e imaginação. Tem de conhecer e depois realizar, mas realizar escrevendo nem para todos, com entusiasmo e vivacidade.
Ser jornalista por devoção é uma das mais belas carreiras da humanidade. Dialogar diariamente com milhares de almas e, na verdade, um prazer, mas é também um prazer que tem os seus riscos. O genuíno jornalista, faz todos os dias um exame perante o júri mais exigente: a massa heterogénea de uma multidão ledora que é feita de reacções as mais diversas.
Dêmos ao jornalista as condições necessárias para manter quotidianamente o seu diálogo franco, aberto, útil e construtivo com os homens e a vida.
Assim dentro desta visão teremos um jornalismo a sério, que pressupõe e exige uma preparação não menos séria e a observância escrupulosa dum código de deontologia que, se não passa do papel, deveria existir na consciência de cada um que se preze de ser tratado como tal, incluindo aqueles cuja designação lhes é atribuída como colaboradores, os quais não estão isentos de responsabilidades integrais.

Joaquim Carlos
(Jornalista)

Obs: o presente artigo foi publicado no jornal Diário de Aveiro na edição datada do dia 29/12/2001. É transcrito e postado sem qualquer alteração d conteúdo. O jornalismo que se pratica hoje, é um jornalismo distante, preconceituoso, promiscuo, amarrado a interesses com ligações ao puro capital.
Com mais de 26 anos de jornalista, não me revejo nesta espécie de jornalismo que hoje nos é oferecido, principal razão da perda brutal de leitores, incluindo aqueles que nunca dispensavam o seu jornal logo pela manhã cedo, o qual lhe fazia companhia ao tomar um café. Desvaneceu-se esse hábito salutar.
A liberdade de imprensa é um dos grandes baluartes da liberdade e da democracia e nunca, mas, nunca deve ser restringida por forças ou governos despóticas, como temos vindo a assistir por este mundo fora. Quem elimina fisicamente jornalistas ou bloqueia a missão de informar, não é a favor da liberdade nem da democracia, ainda que diga que sim.
O jornalista tem que saber ouvir. «Se a dignidade humana significa alguma coisa para você – escreve Donald Laird – então, ouça os seres humanos, porque ouvindo-os, você cumprimenta-os e faz com que se sintam importantes».
Já pensaram em que, vivendo nós num mundo de sons, as pessoas não se ouvem umas às outras? Por vezes o que lemos é mais uma espécie de jornalismo de sarjeta do que outra coisa que se compare com jornalismo.



10.10.2012

Dia Mundial da Saúde Mental versus Panorama Naciona


Dia Mundial da Saúde Mental 
          versus Panorama Nacional
ersus Panorama Nacional

Dia Mundial da Saúde Mental versus Panorama Nacional

Cerca de 450 milhões de pessoas sofrem de perturbações mentais em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Destas, mais de 350 milhões padecem de depressão. Em Portugal, a prevalência de distúrbios mentais situa-se nos 23%, acima da média europeia. Hoje assinala-se o Dia Mundial da Saúde Mental, com críticas ao poder político, alertas de números e um congresso no Porto.

Há vinte anos que esta efeméride é celebrada globalmente para promover uma “discussão aberta sobre as perturbações mentais, os investimentos na prevenção, na promoção e nos serviços de tratamento”, pode-se ler no site da Organização Mundial da Saúde(OMS). Mas António Palha, presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria (SPP), em declarações à Agência Lusa, admite não notar mudanças desde então em Portugal, no que diz respeito às ofertas de reabilitação e inclusão social dos doentes mentais crónicos.
Esta é uma das considerações que está a marcar mediaticamente o Dia Mundial da Saúde Mental, no âmbito de uma crítica cerrada ao Plano Nacional de Saúde Mental. Palha afirma que este se encontra“distanciado das necessidades reais da população portuguesa” e lamenta que se tenham encerrado e desmembrado unidades de Psiquiatria sem garantias de alternativas.
O presidente da SPP defende que “o orçamento para a saúde mental é uma pequeníssima parte daquilo que deveria ser e, sem essa modificação qualitativa, é impossível fazer um plano coerente”. Criticando ainda o não cumprimento das leis e das linhas de orientação internacionais na área da saúde mental pelo Ministério da Saúde, bem como o atraso nos cuidados continuados e as lacunas da reabilitação em Psiquiatria, Palha refere-se ao Plano Nacional de Saúde Mental como “apenas ideologicamente fundamentado, sem possibilidades de resposta às necessidades concretas da população portuguesa nos dias de crise financeira de hoje”.
À Antena 1, a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria acusa ainda o Ministério da Saúde de ter tido pressa em fechar unidades asilares, como o Miguel Bombarda, em Lisboa, mas de ter perdido o rasto aos doentes mentais – entre os quais, esquizofrénicos – que estavam internados nesses hospitais psiquiátricos. A SPP compromete-se, entretanto, a levar a cabo um estudo para localizar estes doentes, porque suspeita que alguns possam estar pior do que estavam.

Mais de 30% dos alunos universitários do Porto consomem psicotrópicos
Entre hoje e sexta-feira, vai decorrer na Universidade Católica, no Porto, o III Congresso Internacional da Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (SPESM), onde este organismo vai apresentar um estudo sobre a saúde mental dos estudantes universitários do Porto.
O estudo que vai ser revelado no âmbito deste Dia Mundial da Saúde Mental foi realizado de 2010 para cá e aponta outras percentagens alarmantes: 44,5% dos estudantes inquiridos dizem consumir fármacos (20,8% de tranquilizantes, 7,7% de sedativos e 5,1% de hipnóticos). Isto num país onde a prevalência das doenças mentais é superior à média europeia (23% contra 17%), e onde a prevalência da ansiedade é de 16,5%.
O congresso da SPESM que se estende até sexta-feira no Porto, subordinado ao tema “Da Investigação à prática clínica em Saúde Mental”, pretende ser, segundo a organização, “uma viagem pela investigação realizada em saúde mental, pelos padrões de qualidade que se traduzem em ganhos em saúde para as pessoas e novas áreas emergentes que requerem cuidados”.
Este organismo defende que uma “primeira ajuda emocional” passa pelo envolvimento de toda a comunidade – colegas de trabalho e família –, o que pode dar resposta a doenças mentais leves.
Neste sentido, em entrevista à Agência Lusa, o psiquiatra Júlio Machado Vaz alerta que é um “erro” entrar “logo de cabeça” pelo psiquiatra e pelo psicólogo, quando começam a surgir sintomas como “demasiada” ansiedade, apatia ou tristeza. Sugere, antes, a consulta do médico de família: “O nosso médico de família, a equipa da nossa unidade de saúde familiar, ou do nosso centro de saúde (…) estão grande parte das vezes preparados e têm uma outra vantagem enorme que é: têm um conhecimento daquela pessoa ao longo do tempo”, alega o médico psiquiatra.
O que é considerado “Saúde Mental”?
A Saúde Mental refere-se a um amplo conjunto de actividades directa ou indirectamente relacionado à componente de bem-estar, incluída na definição da Saúde pela OMS: “Um estado de bem-estar físico, mental e social completo e não meramente a ausência de doença”. Entre as muitas categorias de doenças mentais contam-se as fobias, a ansiedade, o stress pós-traumático, o transtorno obsessivo-compulsivo, a doença bipolar, as doenças psicóticas e a depressão.
O médico psiquiatra Júlio Machado Vaz prefere caracterizar a saúde mental como “a capacidade de nos adaptarmos aos estímulos exteriores com o mínimo sofrimento e mantendo-nos a funcionar de uma forma adequada”.
De acordo com um estudo do SPESM, Portugal encontra-se “no topo da lista dos países da Europa com maior prevalência de doenças psiquiátricas, valores que ao longo da vida ultrapassam os 40%”.

Fonte: DIANOVA

10.07.2012

SOCRATÍADAS



 SOCRATÍADAS

Como é que um povo que tem tanta imaginação para gozar com a sua desgraça, não a tem para lhe pôr fim?

Delapidaram a riqueza do País onde nasci, estudei e trabalhei e nele descontei para não ter direito a nada, ainda dizem que devo dinheiro a quem nada pedi. Não seria justo que os seus autores fossem presos e julgados por um Supremo Tribunal de JUSTIÇA que não tivesse olhos?

Aos grandes e aos varões sacrificados
Que nesta ocidental praia lusitana
Em tempos quase sempre conturbados
Ajudaram a que passasse a caravana
Contra traidores, gatunos e drogados,
Livrem-nos, por favor, deste sacana.
É o que ardentemente hoje vos peço
E, se o conseguirem, muito agradeço

Nos tempos em que Guterres governava
Vivia-se até melhor que hoje em dia.
E o Sócrates Pinto de Sousa militava
lá nas fileiras da Social-Democracia.
Desse Zé Ninguém não se espr’ava
O vil trafulha em que ele se transformaria.
E venho eu, Camões, da língua o Pai
Explicar-vos com “isto” por cá vai…

Estavas, jovem Zé, muito contente,
Com o teu Diploma já adquirido
Nessa tal Universidade Independente,
Com fraudes e artimanhas conseguido,
Assinando projectitos de outra gente
Pois que, para nada mais foste instruído.
Mas sendo um refinado vigarista,
Logo te inscreves no Partido Socialista.

Com muita lábia, peneiras, arrogância,
Depressa ousou chegar a Deputado,
E mesmo apesar de tanta ignorância
P’ra Secretário de Estado foi chamado.
E nas burlas, trafulhices e jactância,
Em que esteve nesses tempos embrulhado,
Terá sido nesse ambiente assaz sinistro
Que obteve competências p’ra Ministro.

E TU, sábio Cavaco, agora me ensina
Como posso tirar este gajo do poleiro
Pois não passa de uma ave de rapina
Mas já é segunda vez nosso Primeiro.
Mandai-o p’ra bem longe, África ou China
Já que o não podes mandar p'ró Limoeiro.
É que eu estive lá, e aquilo que acho
É que ele só sairá com um Grande Tacho!

Que seja pelos pecados deste Povo,
Teimoso no seu votar sempre às cegas,
P'ra depois implorar p'ra ter de novo
Alguém que seja outro João das Regras
Que o leve sem receios a votar
Num émulo do Oliveira Salazar!

Luís Vesgo de Camões

10.06.2012

A Força da Imprensa Escrita


A Força da Imprensa Escrita

Por Joaquim Carlos *

No mundo das letras o jornal ocupa incontestavelmente um lugar de particular relevância. A imprensa escrita contribui em larga escala para formar a opinião pública. Ela entra em milhares, senão em milhões de casas, consequentemente atinge milhões de leitores.
A imprensa escrita exerce uma influência extraordinária nas suas inteligências e na vida do dia-a-dia. A formação ou deformação das massas e a evolução do pensamento humano dependem, não digo totalmente, mas quase exclusivamente do que vem escrito num jornal.
O jornalista desempenha um papel decisivo na construção social da realidade, expresso na função do agenda-setting. Ao mesmo tempo, ele sistematiza a produção e distribuição da cultura a partir de princípios de conduta incontornáveis - as rotinas produtivas - que funcionariam à maneira dos paradigmas científicos (Ortega e Humanes, 2001).
A maior parte das pessoas que lêem o seu jornal não se encontram em condições de fazer passar pelo crivo duma crítica pessoal, séria e prudente, o que lhe é apresentado. Por isso quase todos os leitores aceitam sem pestanejar e aceitam como seu o que o jornal lhe dá a ler. A imprensa escrita pensa pelos leitores. É o seu cérebro, o seu mestre, o seu condutor ideológico. Daqui se conclui quão grande e tremenda é a responsabilidade que pesa sobre a imprensa quando informa a opinião pública. A imprensa, informando, pode ao mesmo tempo formar ou deformar.
Acima de tudo e antes de tudo, a imprensa não pode esquecer ou minimizar o inviolável respeito pela verdade e, consequentemente, o respeito pelo espíritos a quem se dirige. A pena numas mãos hábeis deve ser um instrumento de trabalho sério e contínuo ao serviço da verdade, o que nem sempre acontece.
Todas as grandes iniciativas humanas, os êxitos ou insucessos do homem estão fortemente condicionados pela imprensa escrita no seu geral. Altíssima e benemérita a função da imprensa que pode imprimir ao mundo e às ideias que o regem um rumo novo de abertura para a luz ou um resvalar vertiginoso para abismos tenebrosos.
A imprensa na sua generalidade deve procurar o bem-estar da família com base na justiça social; princípios básicos da liberdade, do direito, do dever; procurar lealmente a verdade e nada dizer que a possa ferir, como vem acontecendo nestes últimos tempos em que vale tudo com um único objectivo: vender papel e deformar os valores sociais.
Nobre, em dúvida, o seu intento revelador do sentido das proporções e da responsabilidade que cabe à imprensa. Importa, para seu contínuo prestígio, dignificar a imprensa colocando-a incondicionalmente ao serviço da verdade e aproveitando toda a gama de potencialidades extraordinárias que ela contém na condução do mundo e dos povos. Os valores que acima defendi quase poderiam considerar-se um abreviado código de deontologia jornalística, cuja publicação reputo mais necessária do que «pão para a boca».
Para quando um código bem elaborado de deontologia jornalística, já que o existente é frequentemente esmagado pelos jornalistas, os tais que se arrogam defensores da liberdade de expressão? Oh! A força extraordinária da imprensa escrita! Será que alguém já fez uma reflexão séria sobre o poder dominante da imprensa escrita na sociedade contemporânea, que se deixa manipular tão facilmente? É esta força que desperta as energias adormecidas, latentes, na alma humana. Os sociólogos e psicólogos sociais sabem disso, mas, mantêm-se silenciosos porquê?
Em todos nós há um anjo que repousa ou um demónio que vela pela notícia mais atroz, por vezes até sanguinária. No fundo, bem no fundo da alma humana, há centelhas de luz ou trevas densas, amor que redime ou ódio que avilta e cega; brilho de pérolas cintilantes de pureza ou charcos de águas mortas e podres de luxúria; de tudo existe na alma humana.
A imprensa escrita manejada habilmente pela pena do jornalista tantas vezes vai despertar o anjo da luz ou o demónio das trevas que parecia adormecido, no íntimo, bem no íntimo da alma humana.
A palavra do jornalista pode ser um raio de luz que ilumina e aponta caminho aberto e seguro, ou treva densa que atira para a escuridão mental que desorienta e se perde. Tudo isto pode ser a imprensa. Grande e nobre a missão da imprensa escrita, grande imensamente grande a sua responsabilidade social.
Que a pena do jornalista seja candeia a espargir luz, instrumento válido ao serviço da verdade, da justiça, do amor e nunca cutelo homicida a cortar os lírios da pureza que crescem nos jardins da alma humana, nem nefasto vento impetuoso que extingue o raio de luz, ou nuvem pardacenta que encobre o sol que ilumina e aquece.
O que pretendo dizer com esta verborreia (pensarão alguns)? Não foi justo as notícias que o JN publicou no pretérito Dia 14 de Junho (Dia Mundial do Dador de Sangue) como ainda no dia 27 daquele mesmo mês, que versaram o subaproveitamento do Plasma Humano em Portugal. Nós sabemos que a substância das “denúncias” são outras.

*Jornalista versus Director da TRIBUNA da ADASCA
NB: As Revistas Tribuna da ADASCA podem ser lidas desde a edição 0 à edição 7 no site:www.adasca.pt