10.11.2012

Jornalismo a Sério


Jornalismo a Sério


Fazer jornalismo que informe sem desvirtuar ou destruir a verdade dos factos, mas sobretudo fazer jornalismo que ajude a cultivar, formar e enriquecer a inteligência humana é tarefa difícil que obriga a uma reflexão contínua, a um debruçar permanente sobre os acontecimentos diários, sabendo tirar deles as conclusões essenciais e lições decorrentes.
Serão todos estes órgãos de comunicação social porta voz dos seus leitores? Que interesses representam e defendem quando se esquecem dos leitores?
O jornalismo de ideias exige uma crítica sensata e lúcida daquilo que observamos, sem esquecer a exigência duma autocrítica severa e constante que castigue a desonestidade, a injustiça, os preconceitos falsos ou absurdos que para aí pululam. Fazer jornalismo sério e construtivo exige o inconformismo de levantar a voz para combater, quando a verdade o exigir, uma obediência servil a homens, ideias ou escola, de combater factores que uma sociedade gasta, incapaz e enferma.

Jornal centenário extinto há anos, um defensor da democracia
Um jornalista sério não pode adoptar uma posição de conformismo, um alheamento ao fluir dos acontecimentos, que directa ou indirectamente atinge a elevação ou decadência moral e social da humanidade.
O jornalista de ideias tem de viver intensamente os acontecimentos, dar-lhes alma e a sua carne, libertar-se do mundo dos lugares comuns e fugir à posição cómoda do neutralismo, que não faz ondas para não criar problemas.
O jornalista sério deve subestimar ou até desprezar as efemérides tentadoras e sensacionais, cujo conhecimento de nada serve ou até prejudica, para buscar o âmago dos problemas válidos, motivos de interesse e de actuação do espírito, deve procurar dignificar o jornal onde exerce um posto de vigia como intérprete e interventor consciente.

Diário de Lisboa extinto há anos, um proclamador da democracia
O jornalista deve ser um educador, e educar não é agitar paixões, não é alimentar uma morbidez que existe assolapada no íntimo da alma humana; é levar o homem menos lido, cujo padrão de cultura é muitas vezes apenas o seu jornal, a estruturar uma orgânica mental em que venha ao de cima a supremacia dum raciocínio equilibrado. Perante uma imensidade de asserções e suas consequências decorrentes, inspiradas tantas vezes pelos mais altos sentimentos ou pelas mais sórdidas intenções, o jornalista terá de emitir os seus juízos de valor, desprendido de simpatias pessoais ou de inimizades irredutíveis, terá de recalcar os seus impulsos ou as suas inclinações preferidas. Os seus juízos de valor serão a norma que milhares de pessoas irão adoptar, entregues a uma preguiça mental que os leva a raciocinar pela cabeça dos outros, sobretudo que admitem e aceitam tudo o que se diz e escreve no seu jornal.
Eis por que reputamos a profissão de jornalista como uma das mais sérias e relevantes na vida humana. Mas nem tudo são rosas nesta profissão tão sedutora. Não se nasce jornalista. Um bom jornalista não se improvisa. Tem de sentir um fogo sagrado a correr nas veias. Tem de saber ensinar algo ao sábio e ser compreendido pelo ignorante. Necessita duma preparação adequada ao seu difícil múnus. Escrever num jornal é uma arte e, por vezes, também será uma ciência. O jornalista tem de ser profundo nos conhecimentos de ordem geral, na humanidade, na dedicação, no colectivismo, no espírito de sacrifício, no exemplo da sua vida quotidiana porque o jornal é um homem público.
O jornal Comércio do Porto (1854-2005) publicou, em pranchas ou meias-pranchas semanais a cores. Publicou os episódios «Objectivo Lua» e «Explorando a Lua» (desconhecemos se na totalidade) entre 24 de Fevereiro de 1974 e 5 de Junho de 1975.
Todos têm os olhos postos nele sem que ele se aperceba. Eu diria até que o jornalismo é uma espécie de sacerdócio na medida em que exige uma mística de combate, um elevado espírito de sacrifício e uma disponibilidade sem reservas, já que o jornalista não tem calendário, nem relógio, nem domingo ou dia santificado. Às vezes, nem tempo para ver crescer os filhos ou para lhes fazer uma carícia mais demorada. É um autêntico contra-relógio sem calendário a sua vida.
Ora, uma profissão assim que exige tanto dos seus membros e tamanha repercussão tem na vida dos povos, ainda não foi encarada entre nós com aquele sentido de justiça e espírito de interesse que ela bem merece.
A Universidade portuguesa ainda não abriu a porta aos jornalistas formados na escola da vida, mas os jornais é que estão a estender a mão aos universitários que manifestam interesse por esta apaixonante carreira.
A França, neste campo, leva uns cem anos de avanço sobre nós. A Escola Superior de Jornalismo de Paris foi fundada em 1899. A nossa vizinha Espanha possui já algumas Escolas de Jornalismo, há mais de meio século. Precisamos dum jornalismo remoçado, pleno de entusiasmo, de experiência vivida no terreno, do sentido do pertinente, do útil e do construtivo, pleno de actualidade e frescura psicológica.
Paul Bourget falou, um dia, no sagrado dom de escrever. Ninguém como o jornalista tem de pôr ao serviço da comunidade humana este sagrado dom.
Segundo Chifley, um bom artigo é o que ensina alguma coisa ao mais sábio e que é compreendido pelo mais ignorante.
O bom jornalista tem de ter poder de criação e possuir espírito de observação e imaginação. Tem de conhecer e depois realizar, mas realizar escrevendo nem para todos, com entusiasmo e vivacidade.
Ser jornalista por devoção é uma das mais belas carreiras da humanidade. Dialogar diariamente com milhares de almas e, na verdade, um prazer, mas é também um prazer que tem os seus riscos. O genuíno jornalista, faz todos os dias um exame perante o júri mais exigente: a massa heterogénea de uma multidão ledora que é feita de reacções as mais diversas.
Dêmos ao jornalista as condições necessárias para manter quotidianamente o seu diálogo franco, aberto, útil e construtivo com os homens e a vida.
Assim dentro desta visão teremos um jornalismo a sério, que pressupõe e exige uma preparação não menos séria e a observância escrupulosa dum código de deontologia que, se não passa do papel, deveria existir na consciência de cada um que se preze de ser tratado como tal, incluindo aqueles cuja designação lhes é atribuída como colaboradores, os quais não estão isentos de responsabilidades integrais.

Joaquim Carlos
(Jornalista)

Obs: o presente artigo foi publicado no jornal Diário de Aveiro na edição datada do dia 29/12/2001. É transcrito e postado sem qualquer alteração d conteúdo. O jornalismo que se pratica hoje, é um jornalismo distante, preconceituoso, promiscuo, amarrado a interesses com ligações ao puro capital.
Com mais de 26 anos de jornalista, não me revejo nesta espécie de jornalismo que hoje nos é oferecido, principal razão da perda brutal de leitores, incluindo aqueles que nunca dispensavam o seu jornal logo pela manhã cedo, o qual lhe fazia companhia ao tomar um café. Desvaneceu-se esse hábito salutar.
A liberdade de imprensa é um dos grandes baluartes da liberdade e da democracia e nunca, mas, nunca deve ser restringida por forças ou governos despóticas, como temos vindo a assistir por este mundo fora. Quem elimina fisicamente jornalistas ou bloqueia a missão de informar, não é a favor da liberdade nem da democracia, ainda que diga que sim.
O jornalista tem que saber ouvir. «Se a dignidade humana significa alguma coisa para você – escreve Donald Laird – então, ouça os seres humanos, porque ouvindo-os, você cumprimenta-os e faz com que se sintam importantes».
Já pensaram em que, vivendo nós num mundo de sons, as pessoas não se ouvem umas às outras? Por vezes o que lemos é mais uma espécie de jornalismo de sarjeta do que outra coisa que se compare com jornalismo.



10.10.2012

Dia Mundial da Saúde Mental versus Panorama Naciona


Dia Mundial da Saúde Mental 
          versus Panorama Nacional
ersus Panorama Nacional

Dia Mundial da Saúde Mental versus Panorama Nacional

Cerca de 450 milhões de pessoas sofrem de perturbações mentais em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Destas, mais de 350 milhões padecem de depressão. Em Portugal, a prevalência de distúrbios mentais situa-se nos 23%, acima da média europeia. Hoje assinala-se o Dia Mundial da Saúde Mental, com críticas ao poder político, alertas de números e um congresso no Porto.

Há vinte anos que esta efeméride é celebrada globalmente para promover uma “discussão aberta sobre as perturbações mentais, os investimentos na prevenção, na promoção e nos serviços de tratamento”, pode-se ler no site da Organização Mundial da Saúde(OMS). Mas António Palha, presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria (SPP), em declarações à Agência Lusa, admite não notar mudanças desde então em Portugal, no que diz respeito às ofertas de reabilitação e inclusão social dos doentes mentais crónicos.
Esta é uma das considerações que está a marcar mediaticamente o Dia Mundial da Saúde Mental, no âmbito de uma crítica cerrada ao Plano Nacional de Saúde Mental. Palha afirma que este se encontra“distanciado das necessidades reais da população portuguesa” e lamenta que se tenham encerrado e desmembrado unidades de Psiquiatria sem garantias de alternativas.
O presidente da SPP defende que “o orçamento para a saúde mental é uma pequeníssima parte daquilo que deveria ser e, sem essa modificação qualitativa, é impossível fazer um plano coerente”. Criticando ainda o não cumprimento das leis e das linhas de orientação internacionais na área da saúde mental pelo Ministério da Saúde, bem como o atraso nos cuidados continuados e as lacunas da reabilitação em Psiquiatria, Palha refere-se ao Plano Nacional de Saúde Mental como “apenas ideologicamente fundamentado, sem possibilidades de resposta às necessidades concretas da população portuguesa nos dias de crise financeira de hoje”.
À Antena 1, a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria acusa ainda o Ministério da Saúde de ter tido pressa em fechar unidades asilares, como o Miguel Bombarda, em Lisboa, mas de ter perdido o rasto aos doentes mentais – entre os quais, esquizofrénicos – que estavam internados nesses hospitais psiquiátricos. A SPP compromete-se, entretanto, a levar a cabo um estudo para localizar estes doentes, porque suspeita que alguns possam estar pior do que estavam.

Mais de 30% dos alunos universitários do Porto consomem psicotrópicos
Entre hoje e sexta-feira, vai decorrer na Universidade Católica, no Porto, o III Congresso Internacional da Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (SPESM), onde este organismo vai apresentar um estudo sobre a saúde mental dos estudantes universitários do Porto.
O estudo que vai ser revelado no âmbito deste Dia Mundial da Saúde Mental foi realizado de 2010 para cá e aponta outras percentagens alarmantes: 44,5% dos estudantes inquiridos dizem consumir fármacos (20,8% de tranquilizantes, 7,7% de sedativos e 5,1% de hipnóticos). Isto num país onde a prevalência das doenças mentais é superior à média europeia (23% contra 17%), e onde a prevalência da ansiedade é de 16,5%.
O congresso da SPESM que se estende até sexta-feira no Porto, subordinado ao tema “Da Investigação à prática clínica em Saúde Mental”, pretende ser, segundo a organização, “uma viagem pela investigação realizada em saúde mental, pelos padrões de qualidade que se traduzem em ganhos em saúde para as pessoas e novas áreas emergentes que requerem cuidados”.
Este organismo defende que uma “primeira ajuda emocional” passa pelo envolvimento de toda a comunidade – colegas de trabalho e família –, o que pode dar resposta a doenças mentais leves.
Neste sentido, em entrevista à Agência Lusa, o psiquiatra Júlio Machado Vaz alerta que é um “erro” entrar “logo de cabeça” pelo psiquiatra e pelo psicólogo, quando começam a surgir sintomas como “demasiada” ansiedade, apatia ou tristeza. Sugere, antes, a consulta do médico de família: “O nosso médico de família, a equipa da nossa unidade de saúde familiar, ou do nosso centro de saúde (…) estão grande parte das vezes preparados e têm uma outra vantagem enorme que é: têm um conhecimento daquela pessoa ao longo do tempo”, alega o médico psiquiatra.
O que é considerado “Saúde Mental”?
A Saúde Mental refere-se a um amplo conjunto de actividades directa ou indirectamente relacionado à componente de bem-estar, incluída na definição da Saúde pela OMS: “Um estado de bem-estar físico, mental e social completo e não meramente a ausência de doença”. Entre as muitas categorias de doenças mentais contam-se as fobias, a ansiedade, o stress pós-traumático, o transtorno obsessivo-compulsivo, a doença bipolar, as doenças psicóticas e a depressão.
O médico psiquiatra Júlio Machado Vaz prefere caracterizar a saúde mental como “a capacidade de nos adaptarmos aos estímulos exteriores com o mínimo sofrimento e mantendo-nos a funcionar de uma forma adequada”.
De acordo com um estudo do SPESM, Portugal encontra-se “no topo da lista dos países da Europa com maior prevalência de doenças psiquiátricas, valores que ao longo da vida ultrapassam os 40%”.

Fonte: DIANOVA

10.07.2012

SOCRATÍADAS



 SOCRATÍADAS

Como é que um povo que tem tanta imaginação para gozar com a sua desgraça, não a tem para lhe pôr fim?

Delapidaram a riqueza do País onde nasci, estudei e trabalhei e nele descontei para não ter direito a nada, ainda dizem que devo dinheiro a quem nada pedi. Não seria justo que os seus autores fossem presos e julgados por um Supremo Tribunal de JUSTIÇA que não tivesse olhos?

Aos grandes e aos varões sacrificados
Que nesta ocidental praia lusitana
Em tempos quase sempre conturbados
Ajudaram a que passasse a caravana
Contra traidores, gatunos e drogados,
Livrem-nos, por favor, deste sacana.
É o que ardentemente hoje vos peço
E, se o conseguirem, muito agradeço

Nos tempos em que Guterres governava
Vivia-se até melhor que hoje em dia.
E o Sócrates Pinto de Sousa militava
lá nas fileiras da Social-Democracia.
Desse Zé Ninguém não se espr’ava
O vil trafulha em que ele se transformaria.
E venho eu, Camões, da língua o Pai
Explicar-vos com “isto” por cá vai…

Estavas, jovem Zé, muito contente,
Com o teu Diploma já adquirido
Nessa tal Universidade Independente,
Com fraudes e artimanhas conseguido,
Assinando projectitos de outra gente
Pois que, para nada mais foste instruído.
Mas sendo um refinado vigarista,
Logo te inscreves no Partido Socialista.

Com muita lábia, peneiras, arrogância,
Depressa ousou chegar a Deputado,
E mesmo apesar de tanta ignorância
P’ra Secretário de Estado foi chamado.
E nas burlas, trafulhices e jactância,
Em que esteve nesses tempos embrulhado,
Terá sido nesse ambiente assaz sinistro
Que obteve competências p’ra Ministro.

E TU, sábio Cavaco, agora me ensina
Como posso tirar este gajo do poleiro
Pois não passa de uma ave de rapina
Mas já é segunda vez nosso Primeiro.
Mandai-o p’ra bem longe, África ou China
Já que o não podes mandar p'ró Limoeiro.
É que eu estive lá, e aquilo que acho
É que ele só sairá com um Grande Tacho!

Que seja pelos pecados deste Povo,
Teimoso no seu votar sempre às cegas,
P'ra depois implorar p'ra ter de novo
Alguém que seja outro João das Regras
Que o leve sem receios a votar
Num émulo do Oliveira Salazar!

Luís Vesgo de Camões

10.06.2012

A Força da Imprensa Escrita


A Força da Imprensa Escrita

Por Joaquim Carlos *

No mundo das letras o jornal ocupa incontestavelmente um lugar de particular relevância. A imprensa escrita contribui em larga escala para formar a opinião pública. Ela entra em milhares, senão em milhões de casas, consequentemente atinge milhões de leitores.
A imprensa escrita exerce uma influência extraordinária nas suas inteligências e na vida do dia-a-dia. A formação ou deformação das massas e a evolução do pensamento humano dependem, não digo totalmente, mas quase exclusivamente do que vem escrito num jornal.
O jornalista desempenha um papel decisivo na construção social da realidade, expresso na função do agenda-setting. Ao mesmo tempo, ele sistematiza a produção e distribuição da cultura a partir de princípios de conduta incontornáveis - as rotinas produtivas - que funcionariam à maneira dos paradigmas científicos (Ortega e Humanes, 2001).
A maior parte das pessoas que lêem o seu jornal não se encontram em condições de fazer passar pelo crivo duma crítica pessoal, séria e prudente, o que lhe é apresentado. Por isso quase todos os leitores aceitam sem pestanejar e aceitam como seu o que o jornal lhe dá a ler. A imprensa escrita pensa pelos leitores. É o seu cérebro, o seu mestre, o seu condutor ideológico. Daqui se conclui quão grande e tremenda é a responsabilidade que pesa sobre a imprensa quando informa a opinião pública. A imprensa, informando, pode ao mesmo tempo formar ou deformar.
Acima de tudo e antes de tudo, a imprensa não pode esquecer ou minimizar o inviolável respeito pela verdade e, consequentemente, o respeito pelo espíritos a quem se dirige. A pena numas mãos hábeis deve ser um instrumento de trabalho sério e contínuo ao serviço da verdade, o que nem sempre acontece.
Todas as grandes iniciativas humanas, os êxitos ou insucessos do homem estão fortemente condicionados pela imprensa escrita no seu geral. Altíssima e benemérita a função da imprensa que pode imprimir ao mundo e às ideias que o regem um rumo novo de abertura para a luz ou um resvalar vertiginoso para abismos tenebrosos.
A imprensa na sua generalidade deve procurar o bem-estar da família com base na justiça social; princípios básicos da liberdade, do direito, do dever; procurar lealmente a verdade e nada dizer que a possa ferir, como vem acontecendo nestes últimos tempos em que vale tudo com um único objectivo: vender papel e deformar os valores sociais.
Nobre, em dúvida, o seu intento revelador do sentido das proporções e da responsabilidade que cabe à imprensa. Importa, para seu contínuo prestígio, dignificar a imprensa colocando-a incondicionalmente ao serviço da verdade e aproveitando toda a gama de potencialidades extraordinárias que ela contém na condução do mundo e dos povos. Os valores que acima defendi quase poderiam considerar-se um abreviado código de deontologia jornalística, cuja publicação reputo mais necessária do que «pão para a boca».
Para quando um código bem elaborado de deontologia jornalística, já que o existente é frequentemente esmagado pelos jornalistas, os tais que se arrogam defensores da liberdade de expressão? Oh! A força extraordinária da imprensa escrita! Será que alguém já fez uma reflexão séria sobre o poder dominante da imprensa escrita na sociedade contemporânea, que se deixa manipular tão facilmente? É esta força que desperta as energias adormecidas, latentes, na alma humana. Os sociólogos e psicólogos sociais sabem disso, mas, mantêm-se silenciosos porquê?
Em todos nós há um anjo que repousa ou um demónio que vela pela notícia mais atroz, por vezes até sanguinária. No fundo, bem no fundo da alma humana, há centelhas de luz ou trevas densas, amor que redime ou ódio que avilta e cega; brilho de pérolas cintilantes de pureza ou charcos de águas mortas e podres de luxúria; de tudo existe na alma humana.
A imprensa escrita manejada habilmente pela pena do jornalista tantas vezes vai despertar o anjo da luz ou o demónio das trevas que parecia adormecido, no íntimo, bem no íntimo da alma humana.
A palavra do jornalista pode ser um raio de luz que ilumina e aponta caminho aberto e seguro, ou treva densa que atira para a escuridão mental que desorienta e se perde. Tudo isto pode ser a imprensa. Grande e nobre a missão da imprensa escrita, grande imensamente grande a sua responsabilidade social.
Que a pena do jornalista seja candeia a espargir luz, instrumento válido ao serviço da verdade, da justiça, do amor e nunca cutelo homicida a cortar os lírios da pureza que crescem nos jardins da alma humana, nem nefasto vento impetuoso que extingue o raio de luz, ou nuvem pardacenta que encobre o sol que ilumina e aquece.
O que pretendo dizer com esta verborreia (pensarão alguns)? Não foi justo as notícias que o JN publicou no pretérito Dia 14 de Junho (Dia Mundial do Dador de Sangue) como ainda no dia 27 daquele mesmo mês, que versaram o subaproveitamento do Plasma Humano em Portugal. Nós sabemos que a substância das “denúncias” são outras.

*Jornalista versus Director da TRIBUNA da ADASCA
NB: As Revistas Tribuna da ADASCA podem ser lidas desde a edição 0 à edição 7 no site:www.adasca.pt


10.05.2012

O que lêem os nossos adolescentes?


O que lêem os nossos adolescentes?

Nós, pais e demais elementos constituintes da família, estamos a ser confrontados com mais um ano lectivo.
Naturalmente que procuramos dar o nosso melhor aos filhos, e dentro dos possíveis ajudar também os digníssimos professores e seus auxiliares, naquilo que está ao nosso alcance, para que no fim de mais uma etapa, colhamos os benefícios do nosso esforço.
No entanto, convém não esquecer alguns aspectos relacionados com a educação daqueles, nomeadamente no que toca com o que lêem os nossos jovens, para além dos livros escolares, é disso que vamos abordar neste espaço. Por o adolescente já não ser criança e ainda não ser adulto, acha-se incompreendido.
A criança encanta-se com o maravilhoso. Coloca-se a si própria no centro do mundo que constrói, ampliando-o, pouco a pouco, com descobertas que faz, de olhos espantados.
A leitura deve ser para o espírito como o alimento para o corpo, moderada, sã e de boa digestão." (Marquês de Maricá)
O adolescente debruça-se sobre si próprio. O estado intermédio entre estas duas fases da vida – a da infância e a idade adulta – a ideia de não ser compreendida, leva-o à contemplação do seu íntimo. Despediu-se de um mundo encantador e simples para tomar contacto com outro cheio de complicações. Experimenta modificações físicas que o perturbam, que o tornam acautelado, desconfiado do seu próprio eu. E na adolescência que se registam mais suicídios, crimes e deformações morais em grande número.
Certamente, o adolescente que traz da sua infância uma boa formação, encontra muito menos dificuldade de adaptação nesta nova fase da sua vida. Por isso, nunca é de mais lembrar que a infância pode ser decisiva no desenvolvimento dum individuo. Impressões desagradáveis e fortes, gravadas na memória da criança, complicam extraordinariamente as dúvidas do adolescente. A literatura infantil como temos naturalmente verificado, tem um grande papel na orientação da criança, que se projecta para além da infância.
Um das características mais pronunciadas do adolescente é o «andar à procura». Procurar coisas novas, revoltando-se contra as que existem. Procurar um ídolo. O conhecimento destas características foi largamente aproveitado pelo regime nazista na Alemanha, que introduziu nos espíritos dos jovens ideias e místicas sobre o mundo e os ídolos.
O adolescente não se engana quando se considera um «incompreendido». São raros os pais e os professores que se preocupam com o seu estado de espírito extremamente delicado. Quase não se arreliam com estes revoltados e insatisfeitos. Procuram dominá-los e castiga-los recalcando, deste modo, o que é natural. Assim, poucos ajudam o adolescente que nem na literatura encontra o que procura.
Afinal que literatura necessitamos para os nossos adolescentes? Evidentemente, aquela que vai ao encontro de todas as suas dúvidas e dos seus desejos, ainda que prematuros. O facto de ele procurar um ideal e um ídolo não deve levar-nos à criação de mundos falsos e à mistificação de personagens. A consequência deste erro é a desilusão completa sobre os ídolos impostos que, mais cedo ou mais tarde, tem de surgir.
Para satisfazer o seu desejo de admirar temos muitos exemplos na história da Humanidade. Biografias de cientistas, artistas, técnicos, etc…. que fazem das suas lutas, da sua fé e persistência; descrições da vida dos anónimos que, por isso, o seu auxílio seja menos valioso, como enfermeiros, médicos, operários e tantos outros dignos de se lhes conhecer a vida que levaram.
É necessário que, desde cedo, se saiba o que se passa em casa, fora de casa e longe de casa. As nossas crianças e os nossos adolescentes, ao erguerem o olhar, vêem o avião a passar e sabem que ele os pode levar em duas horas a Paris e em sete à América. Seria absurdo não fazermos tudo para que se abram as janelas que dão para o exterior.
As crianças, os adolescentes precisam não só de todo o nosso carinho e simpatia, mas também de toda a nossa inteligência e do nosso esforço paciente e sério para uma compreensão dos graus da sua evolução e dos seus problemas.
Se destruirmos o mundo infantil, a criança substituirá, sem o saber, o seu mundo por outro, precoce, perigoso e torcido da realidade. Poderíamos chamar a este processo de substituição dos mundos íntimos da criança «o atrofiar da alma infantil».
Afinal, o que lêem os nossos adolescentes? Que género de literatura recomendamos nós aos nossos filhos? É do conhecimento geral, que das leituras perversas nascem maus pensamentos. Sentimentos baixos, expressões péssimas, acções prevaricadoras. Mais, uma leitura má, seja ela que forma for, é uma carta do inferno, nefasta para a saúde mental, provoca a anarquia intelectual e conduz à indisciplina do pensamento.
A leitura tornou-se uma necessidade, um alimento do espírito e da imaginação. A imprensa, forja que incessantemente atira para o mercado publicações de variada espécie, alcançou categoria de potência. Por ela se governa, em parte notável, o mundo. Queiram ou não alguns homens, é preciso contar com ela, com a sua influência. Os jornalistas sabem disso, os professores também.
A orientação da leitura, portanto, é um problema que ninguém, pessoa ou instituição, com responsabilidades educativas, pode deixar de procurar resolver, ao menos no âmbito da sua influência, segundo as insofismáveis e irrevogáveis exigências naturais e sobrenaturais do homem. Bem podíamos reflectir sobre as espécies de leitura que podem ser indiferentes, más ou boas.
Em Outubro de 2011 foi divulgado um estudo com a seguinte designação: “Adolescentes lêem menos do que deviam” realizado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), afirmando que os melhores leitores lêem mais por estarem motivados ao acto e, consequentemente, desenvolvem mais o vocabulário e a capacidade de compreensão.
Todos sabemos que a quantidade de tempo dedicado à leitura como lazer na infância e na adolescência influencia directamente na formação de leitores e implica em reflexos na vida adulta. Uma boa compreensão de leitura está ligada à melhor qualidade de vida, uma vez que um bom leitor consegue compreender o mundo em que vive de forma mais aplicada aos demais.
Naquele estudo, nosso país é citado como uma das nações com os menores índices de leitura entre alunos na faixa dos 15 anos. Apenas 19% dos estudantes entre 14 e 17 anos dizem ler livros que não foram pedidos na escola. O índice cai para 10% na faixa de 11 e 13 anos.
Os leitores que se saíram melhor na avaliação afirmaram ler ficção. Contudo, a leitura de outros materiais, como revistas, jornais e livros de não-ficção também ajuda a fazer da leitura um hábito, especialmente entre leitores mais “fracos” ou iniciantes.
Considero que para uma criança ou adolescente se tornar um adulto leitor há duas principais influências: família e escola. O incentivo dos pais desde a infância, contando histórias, comprando e presenteando com livros e pequenos actos como levar a feiras culturais e literárias são acções com reflexos futuros.
Já na escola, professores devem usar sua sabedoria para mostrar a importância da literatura na vida dos alunos de forma correcta, não empurrando clássicos aos jovens, mas mostrando os caminhos da sabedoria, do entretenimento e da imaginação que os livros têm e podem oferecer aos leitores.
É preciso ler de tudo! Sim ou não? Gostamos de saber a opinião dos leitores. “A leitura, na nossa sociedade, é uma forma de dar voz ao cidadão e é preciso prepará-lo para tornar-se um sujeito no acto de ler” (Fernanda Bergier Cardoso). Conselho do Apóstolo Paulo: "Examinai tudo. Retende o bem". (1Ts. 5:21).

Joaquim Carlos
(Jornalista)

NB: Fui Proprietário, Editor e Director do Jornal que surge na imagem que ilustra este artigo.

10.03.2012

Ameaça de Penhora de Bens da ADASCA e Arrombamento



Ameaça de Penhora de Bens da ADASCA e Arrombamento

Exmos. Senhores!

Na qualidade de Presidente da Direcção da Associação de Dadores de Sangue do Conselho de Aveiro - ADASCA, e subscritor dos Contractos de Prestação de Serviços pela vossa cliente, acuso a recepção da vossa carta no dia de ontem, onde nos é feita uma clara intimidação, que me deixou profundamente indignado.

Esta a carta que foi enviada à ADASCA
Ao contrário do que V. Exas. possam pensar, não somos uma associação de bandidos, nem caloteiros, mas, sim uma associação preocupada com a saúde do próximo, principalmente com aqueles que necessitam de componentes terapêuticos sanguíneos, que não deve servir de pretexto para não assumirmos a responsabilidades dos deveres.

O Instituto Português do Sangue, com o qual colaboramos há 6 anos, reduziu substancialmente o apoio financeiro a todas as associações do tipo da nossa em mais de 30%, colocando-nos assim numa situação financeira delicada, que em muito nos tem condicionado a vida.

Com imensas dificuldades, temos vindo de forma ordenada a liquidar todas as dívidas desde o início do ano em curso, o mesmo queremos fazer em relação à vossa cliente. Ainda que a ADASCA reúna cerca de 3019 dadores de sangue associados, nenhum paga qualquer valor respeitante a cotas ou jóias, porque não faz sentido cobrar a quem já dá de si a pensar nos que mais necessitam.

As empresas ou pessoas interessadas em apoiar-nos nesta dificuldade podem contribuir com o seu donativo via transferência bancária. Emitimos recibos.
Face ao exposto, posso adiantar que estão agendadas um conjunto de actividades, para os dias 13 e 14, 20 e 21 do corrente mês com o objectivo de conseguir fundos para liquidar as dívidas à PT - Comunicações, como ainda a realização de um Espectáculo Musical com o mesmo fim.

Deixa-nos indignados a vossa ameaça: "Penhora de Bens Móveis que se encontram no interior do estabelecimento comercial, com ARROMBAMENTO, se necessário (...)". É a primeira vez que esta associação é confrontada com termos desta natureza, dai a nossa indignação e dar conhecimento dos mesmos à Ordem dos Advogados.

No dia 15 de Outubro, podemos avançar com algum valor, através de transferência bancaria, dia 22 idem, porque não temos qualquer interesse em manter esta situação que não é agradável para ninguém.

Espero que o bom senso faça parte deste assunto, pois somos pessoas de bem.

Cordialmente,
Joaquim Carlos
Presidente da Direcção da ADASCA
Tm: 964 470 432

C/C à Comunicação Social.

10.02.2012

Unidades de Saúde Familiar passam para os Privados


Criado grupo de trabalho
Ministério estuda abertura das Unidades de Saúde Familiar aos privados

 O Ministério da Saúde criou um grupo de trabalho “com o objectivo de analisar as condições de abertura de Unidades de Saúde Familiar (USF), a título experimental, ao sector social e cooperativo”.

As USF assentam em equipas multiprofissionais constituídas por médicos, enfermeiros e pessoal administrativo (Foto: Paulo Pimenta)
O despacho do secretário de Estado adjunto de Paulo Macedo, publicado terça-feira em Diário da República, estabelece que este grupo irá “identificar as áreas prioritárias de implementação dos projectos-piloto, tendo em atenção as necessidades das populações, designadamente em termos de carência de médicos de família”, e “propôr os procedimentos jurídicos, a metodologia e a calendarização necessários”.

As USF são unidades de prestação de cuidados de saúde, individuais e familiares, que assentam em equipas multiprofissionais, constituídas por médicos, enfermeiros e pessoal administrativo, e que podem ser organizadas em três modelos - A, B e C -, num quadro de contratualização interna, envolvendo objectivos de acessibilidade, eficiência e qualidade.

Os três modelos assumem diferentes patamares de autonomia, aos quais correspondem distintos graus de partilha de risco e de compensação retributiva. Estes prevêem a possibilidade de transição de um modelo para outro.

O modelo A compreende as USF do sector público administrativo com regras e remunerações definidas pela Administração Pública, aplicáveis ao sector e às respectivas carreiras dos profissionais que as integram e com possibilidade de contratualizar uma carteira adicional de serviços, paga em regime de trabalho extraordinário, bem como contratualizar o cumprimento de metas, que se traduz em incentivos institucionais a reverter para as USF. De acordo com os dados mais recentes do ministério, neste momento estão a funcionar 177 USF com este modelo.

No B, em que estão a funcionar 161 USF, o modelo consiste num nível de contratualização de desempenho mais exigente e abrange as USF do sector público administrativo com um regime retributivo especial para todos os profissionais, integrando remuneração base, suplementos e compensações pelo desempenho.

Até ao momento, ainda não há nenhuma USF em modelo C, que se assume “como supletivo relativamente às eventuais insuficiências demonstradas pelo SNS e abrange o sector social, cooperativo e privado”, e cuja actividade assenta num contrato-programa celebrado com a ARS respectiva.

Fernando Leal da Costa determina ainda que as propostas deverão ser entregues num prazo de dois meses e que a participação no grupo de trabalho “não confere direito a qualquer remuneração adicional, sem prejuízo do abono de ajudas de custo e de transporte pelas deslocações realizadas”. Luís Pisco, vogal do conselho directivo da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo , será o coordenador deste grupo que terá mais oito pessoas.

As actuais 338 USF abrangem um total de 6558 profissionais, dos quais 2356 médicos, 2333 enfermeiros e 1869 administrativos.

Por João d´Espiney
Fonte: Jornal “Público”, edição de 02.10.2012 - 11:23

Obs.: Deixa-me indignado o que estou a observar, ou melhor, o que estão a fazer ao País onde nasci, nele cresci e trabalhei durante toda a minha vida.
Entra um Governo, encarrega-se de vender ou de destruir o que de melhor encontra, entra outro faz o mesmo, ainda que a voz do Povo se faça ouvir contra tudo o que fazem. Os senhores eleitos, fazem ouvidos de marcador. Alegam eles, que a sua eleição democrática lhes dá legitimidade para o fazem.
Portugal era rico em tudo, agora o que vemos é um País destruído, sem nada, tudo em nome sabe-se-lá de que interesses. Vemos a destruição de Países inteiros por força das guerras de facções, aqui segundo nos dizem é a Comunidade Europeia que manda, e os políticos obedecem, numa postura de servilismo e lambe botas.
Aveiro por exemplo, era um Concelho onde não havia desemprego, os trabalhadores movimentavam-se duma fábrica para outra, agora encontramos só escombros, um cenário de estilhaçar o coração.
A frota pesqueira existente na Gafanha da Nazaré, como aquelas áreas enormes de seca de bacalhau, empregava milhares de pessoas, hoje quase não se vê uma pessoa a trabalhar. Em concreto, o que pretendem fazer do nosso País? Para onde querem empurrar as pessoas e os jovens?
Destruíram as grandes produções agrícolas, o que vemos são restos de estábulos por onde passaram centenas de animais. As principais ruas da cidade de Aveiro estão a ficar desertas, sem comércio, o pouco que lá existe vai resistindo sabe deus como.
Quem conheceu o País há uns 40 anos atrás, e como o vê agora só pode ficar revoltado, chamar todos os nomes aos governos que existiram. Conclusão: só são diferentes enquanto lá não estão, de restou a trampa é toda a mesma. Fico triste quando ouço da boca dos meus filhos: quando terminar o Mestrado quero sair daqui para fora, o meu País não me oferece garantias para viver, constituir família, etc. etc.
Esta é a revolta que habita na minha alma. Já dominamos impérios, hoje somos nada. O que nos reserva o futuro?