4.14.2012

Reportagem da RTP - Boicote à dadiva de sangue

Reportagem da RTP - Boicote à dadiva de sangue

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Sun, Apr 8, 2012 at 4:46 pm

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Carlos Amigos/as!
O direito à informação está consagrado na Constituição da República, como ainda o direito ao contraditório, da parte de quem se sente prejudicado, e que deseje repor a verdade dos factos.
O Ministério da Saúde e por sua vez pretendem branquear o berbicacho que criaram, com a aplicação do inquinado Decreto - Lei que retirou a isenção das taxas moderadoras aos dadores nos Hospitais. Quem tudo quer tudo perde, este esta máxima popular aplica-se neste caso em concreto.

Acusar os dadores e as associações de terrorismo de sangue, é grave sem especificar quais são as envolvidas nesta caldeirada de mal entendidos. Os dirigentes associativos não são meninos de infantário para obedecer à educadora de infância, menos ainda a quem quer fazer nós os culpados pelos erros que foram cometidos por alguém com responsabilidades acrescidas nas áreas governativas.

A desunião existente entre as associações de dadores, entre as duas federações de dadores que apenas se representam a si próprias ou pouco mais, interessa a alguém que à distância observa esta batalha que ninguém perde nem ganha seja o que for.

Importa deixar bem claro que a ADASCA - Associação de Dadores de Sangue do Concelho de Aveiro, não pode deixar de reagir às declarações do Dr. Helder Trindade, tendo em conta que não nos revemos nelas nem por nada deste mundo.

Quanto às do responsável pela FAS damos até de barato, na medida em que aquele senhor há uns anos atrás, apelou ali pelos lados de Santarém à greve da dádiva.

Os responsáveis das federações deviam ser levados a tribunal para esclarecer o seu criminoso silêncio durante uns 10 anos, pela existência das Câmaras frigorificas destinadas à conservação do Plasma. Quem ateou o fogo a esta mata de interesses subterrâneos, em torno da dádiva de sangue, deve ser o próprio a apagá-lo e não os que nada têm a ver com o assunto, é o caso da ADASCA.

Como fundador e presidente da Direcção da ADASCA, sinto-me alvo de discriminação pela elevada redução de apoio financeiro, entre outras a investidas visando a minha pessoa. No ano em que a ADASCA obteve mais resultados (2011) acaba por ser penalizada. Que leitura se pode extrair desta redução?

Como vamos pagar as facturas do telefone versus Internet à PT? À gráfica pelo material que foi impresso para a promoção da dádiva de sangue? Os nossos quase 3000 dadores associados não pagam quotas nem jóias, a Câmara e as Juntas de Freguesias não nos apoiam, as empresas deixaram de contribuir com donativos. Como vamos continuar a desenvolver as actividades? Mais: vou avançar com Campanhas públicas para angariar fundos de forma a conseguir meios para fazer face à despesas, tendo em conta que, quem nos devia apoiar corta...

Quando as autorizações estiverem confirmadas pelas grandes superficieis, darei conta à comunicação social.

Cumprimentos,

Joaquim Carlos

Fundador/Presidente da Direcção da ADASCA

Site: www.adasca.pt

Blog: aveiro123-portaaberta.blogspot.com

NB: quem quiser ler o conteúdo da Carta Aberta que a ADASCA enviou ao Ministro da Saúde, pode aceder ao nosso site como ainda ao supracitado blogue.

Notícias

1 resultado novo para dádiva de sangue


Boicote de associações de dadores está a provocar quebras nas ...
RTP
... chegam já aos 50 por cento em algumas regiões do país. As associações acusam o Governo de posturas criminosas mas o presidente do Instituto Português do Sangue fala em terrorismo por parte das organizações e defende um novo modelo para as dádivas.
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4.08.2012

Carta Aberta da ADASCA ao Senhor Ministro da Saúde

Assunto: Carta Aberta ao Senhor Ministro da Saúde.


Exmo. Senhor Ministro da Saúde,

Estamos em época de Páscoa, e como é tradicional nesta altura destrui-se amêndoas aos familiares e amigos, como ainda uma mensagem de reconciliação, perdão e de esperança no futuro, que tudo será melhor, assim vamos sonhando.

No ano transacto a Associação de Dadores de Sangue do Concelho de Aveiro, doravante designada por ADASCA, cumpriu com este gesto tradicional, oferecendo amêndoas aos seus associados, no presente está fora de hipótese, não reunimos condições financeiras.

É verdade que está escrito na Bíblia Sagrada que a boca fala do que o coração está cheio. Baseado neste trecho bíblico, devo dizer ao senhor Ministro da Saúde (?) que sinto uma profunda amargura ao dirigir-me a si, por este meio e nesta altura do ano.

Confesso que as amêndoas que o senhor Ministro tem para distribuir pelos dadores de sangue, não são as mais saborosas, mas, ainda pode fazer uma troca: em vez de amêndoas, ofereça a plena isenção das Taxas Moderadoras, será sem dúvida a melhor oferta que nos pode fazer.

Ouvi as declarações do senhor Ministro no decorrer da cerimónia do Dia Nacional do Dador de Sangue que decorreu em Lisboa, devo dizer-lhe que fiquei seriamente preocupado, quando em jeito de resposta à jornalista disse que não respondia a provocações. Já agora, gostaria de saber quem provocou o senhor Ministro? Fui eu? Foram as associações de Dadores de Sangue? Foram os dadores presentes na referida cerimónia?

Se o senhor Ministro da Saúde se sente ofendido pela forma como os dadores de sangue e alguns dos seus representantes manifestam o descontentamento que os invade, o que temos nós a dizer a seu respeito, atendo à forma como nos trata? Também somos de carne e osso como o senhor Ministro e vivemos de sentimentos, uns mais solidários do que outros.

A ADASCA, da qual sou seu principal fundador e Presidente da Direcção, é frequentemente contactada por dadores de sangue, no sentido de saberem se vai ou não ser reposta a Portaria que isentava os dadores das Taxas Moderadoras. Que resposta devo dar aos quase 3000 dadores associados desta associação? Digo-lhes que assiste-me alguma esperança disso vir a acontecer, embora não se saiba quando.

Muitos, tem-se manifestado desagradados com as notícias vindas a público em diversos órgãos da comunicação social, alguns acusam-me de estar a esconder a verdadeira informação que lhes devia transmitir, quando em abono da verdade a referida associação nada sabe em concreto. Como porta-voz dos mesmos, sou levado a colocar a seguinte questão ao senhor Ministro: vai ou não rever a situação, e quando poderá vir a suceder?

Imensos dadores têm manifestado vontade de deixarem de comparecer nos locais para onde são convidados a doarem sangue. Claro, isto preocupa-me imenso, quiçá ao senhor Ministro nem por isso (?), mas, eu que dou os ouvidos e a cara no terreno todos os dias, é desagradável, e profundamente desconfortável passar por estes momentos, quando tudo podia ser bem melhor.

Na minha opinião, se os poucos incentivos que a Lei conferia aos dadores, já não eram integralmente respeitados no Serviço Nacional de Saúde, agora com as recentes alterações, temo que a situação se agrave com a chegada das férias do Verão. O seu ministério vai lançar novos apelos?

O senhor Ministro da Saúde como ainda o senhor Secretário de Estado passaram para a opinião pública uma imagem negativa dos dadores de sangue, fazendo crer assim que estes e as associações suas representantes são os maus da fita, por não terem acatado as medidas que vieram retirar a isenção das Taxas Moderadoras, o que repudio de todo, registou-se uma clara falta de coragem para reconhecer o erro então cometido.

Tais declarações na minha opinião além de infelizes classificamo-las de provocatórias, atentando contra o bom nome dos dirigentes e conspurcando a imagem social das associações. Repito, os tais que dão os ouvidos e a cara no terreno ouvindo as queixas dos dadores de sangue e ex-dadores, além de visar provavelmente uma tentativa de branqueamento ao erro legislativo que o Senhor Ministro da Saúde cometeu com a implementação do iníquo Decreto-Lei nº. 113/2001 de 29 de Novembro, sendo a principal causa para a redução brutal de dádivas (3000 só no mês de Fevereiro), e não a gripe sazonal ou outros efeitos que possam impedir/impedido temporariamente o dador de efectuar a sua dádiva de sangue como tem sido tornado público.

O senhor Ministro ainda está a tempo para reparar o erro que cometeu (todos nós erramos, somos falíveis), não queira é fazer crer publicamente que o elo social mais fraco são os dadores, quando estes são os principais prejudicados, se tivermos em conta muitos daqueles que se deslocam várias dezenas de Kms para doar sangue, sem qualquer contrapartida, sendo a maioria de classe social humilde, muitos deles já a sofrerem nas suas vidas a chaga do desempregado.

Algumas notícias dão a entender a possibilidade da privatização dos serviços de Imuno-Hemoterapia, ou seja, empresas privadas irão passar a gerir os serviços de sangue. Senhor Ministro da Saúde, o que lhe apraz dizer sobre este processo? Qual é o papel social das associações e dos dadores em todo este processo? Os dadores dão ou não lucro ao Ministério da Saúde? O que doamos vai começar a ser comercializado como acontecia há 30 anos atrás? Sou desse tempo.

É verdade que não somos mais do que uns simples trocos para a situação financeira em que encontrou o SNS, apesar disso somos apetecíveis, todos estão interessados no nosso líquido tão precioso, quiçá mais valioso do que o ouro e o petróleo.

Diz o povo e bem que o segredo é a alma do negócio, será que se aplica nesta área da saúde? Não pode haver fumo sem fogo. Aconselho as associações e os dadores a estar atentos sobre este assunto que a todos diz respeito.

A promiscuidade que se instalou no mundo da dádiva de sangue, os interesses mesquinhos e subterrâneos que desde sempre reinaram nesta área deviam envergonhar as duas federações, e algumas associações de dadores.

Na verdade, sinto que tenho uma espinha encravada na garganta, começo a sentir-me envergonhado de tanta hipocrisia que paira no ar neste campo, onde todos devíamos estar unidos em prol de uma causa social, e o que verifica é precisamente o contrário: a desunião é total, raros são os que se entendem.

Senhor Ministro, ouça directamente as queixas dos dadores de sangue, visite os locais onde decorrem as colheitas de sangue, sim os tais que estendem os braços, que se deslocam Kms para serem solidários.

O que motivou as duas federações a estarem caladas durante uns 10 anos, quando sabiam da inoperacionalidade das câmaras congeladoras para aproveitar o Plasma? Os anteriores Presidentes do IPS têm culpas formadas e efectivas em tudo o que aconteceu, e no que está ainda a acontecer. Subsídios era só pedir, enquanto os dirigentes trabalhavam no campo para estes senhores todos inchados/orgulhosos de fato e gravata ficarem lindos na imagem, pronunciando discursos sem substância.

Não será isto uma clara agressão moral contra a dignidade dos dadores benévolos de sangue, atingindo por sua vez muitos dirigentes associativos que desprendidamente dispõem dinheiro do seu bolso para fazer face às despesas no dia-a-dia na promoção da dádiva de sangue, sempre a pensar nos doentes? Não serão merecedores de respeito?

Sou um dos que me sinto usado, abusado, enganado e defraudado por algumas pessoas de excelente aparência, pronunciando palavrinhas mansas. Por um lado sinto dó destes tais, por outro sinto profunda revolta, profundo desgosto, porque a sua pretensão visa fazer dos dadores pacóvios.

Nos termos como tem sido feitos os apelos para as pessoas doarem sangue, fica-se com a ideia que os dadores são os principais culpados pela situação que se chegou, por falta de coragem/coerência de alguém em assumir o erro legislativo que se cometeu, manipulando assim psicologicamente o sofrimento dos doentes, seus familiares e amigos.

Senhor Ministro sabe tão bem como nós dirigentes de associações de dadores (os dadores também) que a questão do Plasma não foi e não é a causa principal desta quebra de dádivas. Essa insistência não lhe fica bem, a não ser aos políticos, pela dificuldade que lhes assiste em reconhecer que se cometeu um erro, que pode ser reparado.

A chave da solução para contornar a situação que se chegou está na boa vontade do senhor Ministro da Saúde quer reconheça ou não, para tanto basta repor os incentivos que os anteriores governos consideraram por bem oficializar num gesto de reconhecimento público pela dádiva de sangue.

Senhor Ministro, já completei 32 anos como dador, hoje na qualidade de fundador e Presidente da Direcção da única associação de dadores do concelho de Aveiro, nunca aconselhei a ninguém para não doar sangue, bem pelo contrário, embora a vontade não me falte, mas, em consciência sei que não estou a ser genuíno para com aquela pessoa.

Os dadores não são assim tão pacóvios como alguém pretende fazer crer, tendo em conta que são mais jovens, com um perfil claro, possuidores de um padrão intelectual académico, muitos até são profissionais da saúde, etc., etc.

Recordo o que já escrevi num dos e-mails anteriores: o senhor Ministro é soberano nesta matéria, sobre isso não dúvida ou põe em causa, mas, tenha em consideração que os dadores de sangue também o são, a sua falta de comparência nos locais para efectuarem a dádiva é disso prova evidente.

A ADASCA não esteve presente na Cerimónia do Dia Nacional do Dador de Sangue em Lisboa, como também não vai comparecer no encontro do Dia Mundial do Dador de Sangue, como tantas outras, pela simples razão de não nos revermos no conteúdo dos discursos de circunstância.

Acabei de ter conhecimento do mísero valor de subsídio que foi atribuído a esta associação, respeitante ao ano transacto imagine-se: 5.340 € (cinco mil e trezentos e quarenta euros), menos 2,760 € em relação ao anterior. Desculpas: “Tendo em conta os constrangimentos a nível de recursos financeiros, decorrente da actual conjuntura económica” não podiam ser outras.

Para uma associação como esta que apesar de congregar quase 3000 dadores associados em pouco mais de 5 anos de existência, não pagando cotas ou jóias, sem qualquer outros meios de rendimentos, como é possível promovermos actividades para a promoção da dádiva? Entramos assim no caminho da sobrevivência, vamos ter que recorrer à pedincha.

O ano de 2011 até foi no que mais resultados alcançamos, não se compreende assim esta brutal redução no apoio financeiro. Não existem condições financeiras para continuarmos a trabalhar com a mesma dedicação.

Face ao exposto, e na impossibilidade de ser mais sintético no que considerei por bem levar ao conhecimento do senhor Ministro, expresso o meu sincero reconhecimento pelo tempo que lhe ocupei.

Em conformidade com o direito de reposta constante na Constituição da República Portuguesa, aguardo por uma resposta logo que possível.

Mtº. Atentamente,

Joaquim M. C. Carlos

Fundador/Presidente da Direcção da ADASCA

Site: www.adasca.pt

Blog: aveiro123-portaaberta.blogspot.com

Aveiro, 04-04-2012

3.27.2012

Dádivas de sangue ainda não recuperaram e falta uniformizar sistema

As associações de dadores de sangue admitem que a dádivas ainda não recuperaram das quebras do início do ano e criticam a prioridade na cobrança de taxas moderadoras numa altura em que a uniformização do sistema continua por concretizar.

"Um dador pode dar sangue em Viana do Castelo, depois em Coimbra, de manhã, e em Lisboa, à tarde, quando só o podia fazer uma vez a cada três meses. Isso pode acontecer porque a prometida uniformização das bases de dados ainda não foi feita", disse à Lusa José Passos, presidente da Associação de Dadores de Sangue do Distrito de Viana do Castelo.

O responsável recorda que, atualmente, cada hospital tem a sua própria base de dados de dadores, que depois também é gerida regionalmente, entre Norte, Centro e Sul, pelo Instituto Português do Sangue.

"Até hoje não foi dada a prioridade a este assunto, como aconteceu para cobrarem taxas moderadoras a dadores de sangue", garante José Passos.

Ainda no distrito de Viana do Castelo, Daniel Pereira, porta-voz das cinco principais associações de dadores da região, que asseguram cerca de 9.000 dádivas anuais, assume idêntica critica.

"A uniformização das bases de dados pelo Instituto Português do Sangue tem sido uma luta nossa, mas infelizmente ainda sem sucesso. Isso seria importantíssimo para assegurar a correta mobilidade dos dadores, para não estarem presos a terem de ir fazer a recolha ao seu distrito, por questões de organização", explica.

Falando em nome das Associações de Dadores de Sangue de Paredes de Coura, Areosa e Meadela (Viana do Castelo), Caminha e Ponte de Lima, Daniel Pereira admite que o distrito ainda não recuperou totalmente das quebras do inicio do ano, depois do fim da isenção total no pagamento das taxas moderadoras.

Em Guimarães, concelho onde a associação local garantiu, em 2011, um total de 6.270 dádivas, Alberto Mota não tem dúvidas em colocar a fasquia das quebras, para já, nos 25 por cento.

"Mas só teremos uma noção da realidade a partir do quarto mês, porque nos homens as dádivas podem ser feitas a cada três meses. Daí que muitos podem começar a agora a falhar ao ciclo da dádiva seguinte", explicou o presidente da Associação de Dadores de Sangue de Guimarães, onde estão inscritos 4.070 pessoas.

Também a Associação dos Dadores de Sangue do Concelho de Aveiro (ADACASA), na mensagem a propósito do Dia Nacional do Dador de Sangue, manifesta o seu descontentamento e aponta as queixas que tem recebido.

"Muitos [dadores] declaram mesmo que vão deixar de doar sangue porque se sentem explorados ou enganados", refere a ADASCA, acrescentando: "o Ministério da Saúde, com a imposição destas regras, esqueceu-se da parte mais importante: as motivações que levam as pessoas a doar sangue e a sua mais valia social".

O Dia Nacional do Dador de Sangue é hoje assinalado com uma cerimónia com a presença do ministro da Saúde, Paulo Macedo, e que tem a particularidade de ser a primeira realizada desde a fusão do Instituto Português do Sangue com os centros de Histocomptabilidade, formando o Instituto de Português do Sangue e da Transplantação (IPST).

A polémica com as associações de dadores de sangue surgiu no início do ano, por causa do fim da isenção nas taxas moderadoras nos serviços públicos de saúde de que os dadores beneficiavam.

À redução do número de dádivas de sangue seguiram-se os apelos às dádivas, uma situação que levou mesmo o presidente do IPST a ser chamado ao Parlamento para ser questionado na Comissão de Saúde.

Na Assembleia da República, Helder Trindade, disse não ter explicação para a quebra nas reservas, mas avançou com hipóteses prováveis como o protesto pelos cortes nas taxas moderadoras e pela destruição de lotes não utilizados, além do surto de gripe registado durante o inverno.

Em fevereiro, registaram-se menos 3.000 dádivas de sangue do que no mesmo mês do ano anterior.

Fonte: Lusa

23/03/2012

Mensagem alusiva ao Dia Nacional do Dador de Sangue

Joaquim M. C. Carlos *

O Dia Nacional do Dador de Sangue que hoje é celebrado (a 27 de Março), foi instituído através da Resolução do Conselho Ministros n.º 40/86, tinha como objectivo reconhecer a importância da contribuição desinteressada dos Dadores de Sangue para o tratamento de doentes.

A institucionalização do Dia Nacional do Dador de Sangue devia constituir, assim, a expressão oficial desse reconhecimento e servir para evidenciar, junto da população em geral, o valor social e humano da dádiva de sangue, estimulando a sua prática como imprescindível, mas a realidade que hoje temos é bem diferente, pois não existe incentivo à dádiva

Embora tenha sido institucionalizado a 14 de Junho de 2005 o Dia Mundial do Dador de Sangue, em Portugal, através do Ministério da Saúde/Instituto Português do Sangue manteve-se a data 27 de Março como o Dia Nacional do Dador de Sangue, devendo ser esta data a mais relevante para reconhecer publicamente o papel imprescindível do Dador de Sangue Nacional.

Este dia é comemorado num ambiente de total desunião, de desconforto entre associações e dadores, por força do iníquo Decreto-Lei 113/2011 de 29 de Novembro que retirou em grande parte a isenção das taxas moderadoras aos dadores benevolos de sangue.

Tenho afirmado ao longo destes anos, que os dadores continuam a não ser respeitados no Serviço Nacional de Saúde, é como se tratassem de seres dispensáveis. Com o supra famigerado Decreto-Lei com uma mão tiram-nos o sangue, com a outra sacam-nos o dinheiro da carteira, obrigando-nos a pagar o que não devíamos. Não pode continuar a ser assim, tendo em conta que nunca ou raramente os dadores derem/dão prejuizo ao Ministério da Saúde, bem pelo contrário, a prova disso é que ainda ninguém do ministério da saúde veio desmentir as minhas declarações.

A quebra de dádivas deveu-se unicamente à implementação desta obrigação legislativa, não tanto por outras razões como se fez crer por via das declarações publicas, que reputamos de infelizes, onde os dadores foram classificados como “assassinos”, interesseiros, indiferentes às necessidades de sangue que se fizeram sentir, e vão continuar.

Diz o Decreto-Lei nº. 87/97 de 18 de Abril que Para galardoar a dedicação inerente à dádiva benévola de sangue foi criada, pelo Decreto-Lei nº. 294/90 de 21 de Setembro a medalha de dador de sangue”. Para que serve este incentivo que raramente respeitado.

Continua: “O sangue é um bem imprescindível e insubtituível, cuja obtenção depende exclusivamente da dádiva voluntária e benévola”. Será isto verdade?

Mais: “O valor que esta dádiva representa para a comunidade e o mérito dos dadores, que dedicada e persistentemente ao longo de toda a uma vida contribuem de forma desinteressada e altruísta com um bem indispensável à vida daqueles que dele carecem, devem ser mais fortemente sublinhados”. Palavras sem conteúdo, de boas intenções estamos nós enjoados.

Finalmente, “Justifica-se, pois, que estes actos de inequívoco relevo e solidariedade social sejam reconhecidos ao mais alto nível da hierarquia do Ministério da Saúde”. Não me parece que o presente ministro da sáude tenha lido esta mensagem antes de impor o referido Decreto –Lei nº. 113/2011, caso contrário teria sido mais benévolo, tendo em conta que também é dador de sangue.

Entretanto, não deixa de ser interessante o que a letra da Lei nos transmite, o pior é que na prática tudo fica muito aquém se tivermos em conta o que determina a alínea n) do nº. 1 do artigo 2 do Decreto-Lei nº. 173/2003, de 1 de Agosto sobre o pagamento e isenção das taxas moderadoras, referente aos dadores de sangue. A deficiência estava sempre no cartão de dador, certo é que ninguém fez nada para alterar aquela situação.

A situação agrava-se quando no Despacho nº. 6961/2004 (2ª. Série), no parágrafo 4 diz: “É considerado documento idóneo e bastante, análogo ao previsto no nº. 5 do Decreto-Lei nº. 173/2003 de 1 de Agosto, o Cartão Nacional de Dador de Sangue, instituído pelo Ministério da Saúde versus Instituto Português do Sangue, pela Portaria nº. 790/2001 de 23 de Julho para fazer prova das situações aqui previstas”.

Com a alteração legal na Isenção das Taxas Moderadoras para Dadores de Sangue e, consequentemente com a publicação do Decreto-Lei N.º 113/2011, de 29 de Novembro, em vigor a partir de 1 de Janeiro de 2012, que regula o acesso às prestações do Serviço Nacional de Saúde (SNS) por parte dos utentes no que respeita ao regime das taxas moderadoras e à aplicação de regimes especiais de benefícios, tendo revogado os normativos anteriores que regulavam esta matéria, a ausência dos dadores aos locais de colheitas traduziu-se numa redução brutal e preocupante, tanto que os apelos foram insistentes à dádiva de sangue, situação que podia ser evitada.

A legislação agora em vigor prevê, no artigo 4.º, a isenção do pagamento de taxas moderadoras para os Dadores Benévolos de Sangue, apenas nas prestações em cuidados de saúde primários, neste caso em concreto nos Centros de Saúde.

No que diz respeito aos critérios para atribuição de isenção aos Dadores de Sangue, as Circulares Normativas da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), com os N.ºs 36 e 8, de 28 de Dezembro de 2011 e 19 Janeiro de 2012, respetivamente, explicitam que os Dadores de Sangue podem apenas beneficiar da isenção do pagamento dos valores das taxas moderadoras nas seguintes condições, passo a citar: se tiverem efectuado mais de 30 dádivas na vida (designado por dador benemérito) ou se tiverem duas dádivas nos últimos 12 meses, incluindo os candidatos à dádiva impedidos temporária ou definitivamente de dar sangue desde que tenham efectuado 10 ou mais dádivas válidas(*).

As declarações comprovativas das condições anteriormente referidas são emitidas pelos Serviços de Sangue ou pelo IPSangue,IP. *

Aqui está a razão que me motiva a dizer que, com uma mão tiram-nos o sangue, com a outra sacam-nos o dinheiro da carteira. Isto revela uma falta de sensibilidade social pela causa da dádiva impressionante.

O descontentamento e número de queixas que nos são transmitidas pelos dadores associados da ADASCA é preocupante, muitos declaram mesmo que vão deixar de doar sangue porque se sentem explorados ou enganados.

O Ministério da Saúde, com a imposição destas regras, esqueceu-se da parte mais importante: as motivações que levam as pessoas a doar sangue, e a sua mais valia social, pensou apenas na vertente do lucro fácil, na economia de escala ou seja: o dador deve suportar o SNS duas vezes, uma pela via da dádiva e a segunda pagando os valores das taxas moderadas.

Claramente, estamos perante um Decreto-Lei injusto, penalizador, ignóbil e iníquo, com o qual a ADASCA não pode concordar de forma alguma, por isso se associou à campanha nacional de angariação de assinaturas que foram entregues na Assembleia da República, na esperança de que algo venha a ser alterado nesta área, como também não vai estar presente na comemoração deste dia em Lisboa.

A maior parte das associações de dadores não se revêem nas duas federações existentes, pelo que não lhes reconhece autoridade moral para as representar, como ainda consideram o senhor ministro da sáude “um intruso” na comemoração deste dia, que devia ser de regozijo para todos os dadores de sangue. O ministro da saúde vai ficar famoso na história da dádiva de sangue pela coragem que teve, em obrigar os dadores a pagarem a derrapagem que encontrou nas contas do ministério. Não merece o nosso respeito.

Se a hipocrisia dos discursos lidos neste dia se transformassem em pão, ninguém passava fome, nem sequer eram necessários tantos bancos alimentares contra a fome.

*Fundador/Presidente da Direcção da ADASCA

Aveiro, 27 de Março de 2012

NB: Anexo Tabela de Preços das Unidades Terapeuticas de Sangue a Cobrar pelo IPS. Os dadores de sangue é que são comerciantes de sangue, interesseiros? Senhor Ministro, basta repor o Despacho nº. 6961/2004 (2ª. Série), e os dadores regressarão de imediato, deixando assim de haver tanta preocupação com a s dádivas de sangue. Não diga que os dadores são interesseiros.

Se continua com essas declarações, deixa de ser digno de continuar o lugar que presentemente ocupa.

*Circular Normativa Nº 8/2012, de 19 Janeiro da Administração Central dos Sistema de Saúde (ACSS).