1.02.2011

SEJA DADOR(A) DE AFÉRESE


Considerando que temos sido questionados por alguns colegas dadores de sangue, ainda jovens, no se sentido de tornarem dadores de Aférese, aqui colocamos alguma informação relacionada com essa área.

Posteriormente, esta questão será mais desenvolvida, mas, até lá, os interessados podem obter mais informações através do Telef: 239 791 070 e via e-mail: aferese@crsc.ips.min-saude.pt

Vamos procurar ter disponível na sede da ADASCA material informativo sobre este assunto.


1.01.2011

MENSAGEM DE ALBERT EINSTEIN AOS SÁBIOS ITALIANOS

A BOMBA H, PRINCÍPIO OU FIM?

Acima de todas, deve pôr-se esta questão: Devemos escolher, como fim supremo das nossas aspirações, o conhecimento da verdade, isto é, em termos mais modestos, a compreensão lógica e construtiva do mundo acessível à experiência, ou esta aspiração ao conhecimento racional deve ser subordinada a outros objectivos, sejam eles quais forem, como por exemplo, os fins práticos?

A simples reflexão não pode dar uma resposta a este dilema. No entanto, a decisão tem uma influência considerável sobre o nosso pensamento e sobre o nosso sentido dos valores na medida em que tem um carácter inabalável de convicção.

Deixai-me confessar uma coisa: no que me diz respeito, a aspiração ao conhecimento representa um destes fins que se bastam a si próprios e sem os quais não é possível, para o homem que pensa, uma afirmação da existência.

Esta aspiração ao conhecimento tende, por sua própria natureza, para o domínio dos aspectos vários e multiformes das experiências, para uma simplificação e uma limitação das hipóteses fundamentais. Acreditar nestes objectivos finais, no estado ainda elementar das nossas investigações, é, por si só, um acto de fé. Sem uma tal fé, a convicção do valor intrínseco ligado ao conhecimento não pode ser, em minha opinião, nem forte nem sólida.

Esta orientação, por assim dizer religiosa, do homem de ciência para a verdade, não deixa de ter influência no conjunto da sua personalidade. Porque, fora dos dados experimentais e das orientações do pensamento, não existe para o investigador qualquer autoridade cujas decisões e opiniões possam servir de pretexto para a construção de uma «verdade».
Deste paradoxo resulta, como consequência, que um homem que dedica as suas melhores forças a realizações objectivas, torna-se, do ponto de vista social, de tal modo individualista que, pelo menos em princípios, se baseia apenas no seu próprio juízo.

É bastante fácil demonstrar que o individualismo intelectual e o poder cientifíco apareceram simultaneamente na história e, desde então, nunca mais se separaram.

Poder-se-ia objectar que o homem de ciência assim descrito não seria mais que uma simples abstracção, que seria impossível encontrá-lo, em carne e osso, neste mundo, e que, de certo modo, seria semelhante ao «homo-economicus» da economia clássica.

Pessoalmente, parece-me que a ciência, tal como ela hoje nos aparece, não teria podido nascer e permanecer, se não tivessem existido, no decurso dos séculos, homens de ciência como os que acabo de descrever.

É evidente que não considero homem de ciência aquele que aprendeu a utilizar instrumentos e adoptar métodos de trabalho que, directa ou indirectamente, parecem «científicos», mas só aquele que tem uma mentalidade científica viva.

Que lugar ocupará o homem de ciência na sociedade contemporânea? Ele é sempre orgulhoso do facto de que, de um ou de outro modo, e quase sempre indirectamente, o trabalho dos seus pares tenha transformado a vida económica dos homens ao ponto de fazer desaparecer, em muitos casos, o trabalho manual.

Mas ele está também angustiado pelo facto dos resultados das suas obras acabarem por constituir uma ameaça obscura para a humanidade, desde o momento em que os frutos das suas investigações caíram nas mãos daqueles que detêm o poder político. Ele é consciente do facto que a aplicação das suas investigações concentrou nas mãos de uma pequena minoria, em primeiro lugar, um poder económico e, depois, um poder politico de que depende estreitamente a sorte da massa dos indivíduos, a qual parece cada vez mais amorfa. Mas, ainda há uma outra coisa: esta concentração da força económica e política nas mãos de uns poucos não só levou o homem de ciência a uma submissão material exterior, como também para uma ameaça interna à sua existência, impedindo o desabrochar de personalidades independentes com a criação de meios refinados de influências intelectuais e morais.

De modo que vemos hoje delinear-se para o homem de ciência um destino verdadeiramente trágico. Amparado pelas suas aspirações para a clareza e para a independência exterior, ele forjou, por si próprio, com a sua força quase sobre-humana, as armas da sua sujeição exterior e do aniquilamento da sua personalidade. Ele tem que se vergar ao silêncio que lhe é imposto pelos detentores do poder político, é obrigado, como se fosse um soldado, a sacrificar a sua própria vida e, o que é pior, a destruir a dos outros, ainda que esteja convencido do absurdo de tal sacrifício.

Ele vê, com uma clareza absoluta, que a situação provocada pela história que deixa aos Estados a faculdade de dispor do poder económico e político e, por consequência, do poder militar, tem que levar ao aniquilamento total. Ele tem a consciência de que o homem só pode salvar-se se substituir os métodos da força bruta por um organismo jurídico supernacional.

Deste modo, ele é coagido a aceitar, como um destino imutável, a escravatura que lhe é imposta pelo Estado nacionalista. E ele humilha-se ao ponto de prestar-se, acatando ordens, ao aperfeiçoamento contínuo dos meios que levam à completa destruição dos homens.

Deve o homem de ciência deixar-se arrastar até um nível tão degradante?

Teria já passado o tempo em que a sua liberdade interior, a independência do seu pensamento e das suas investigações puderam iluminar e enriquecer a vida do homem? Teria ele esquecido a sua própria responsabilidade e a sua dignidade, nas suas investigações pela verdade científica? Um homem interiormente livre pode ser morto, mas não reduzido à escravatura nem transformado num instrumento cego.

Se o homem de ciência da nossa época encontrasse a ocasião e a coragem para avaliar, séria e serenamente, a sua posição e a sua tarefa, e depois, como consequência, se decidisse a actuar, renasceria então a esperança de encontrar uma solução razoável e satisfatória para a situação de perigo que, hoje, a todos ameaça.

Por detrás das muralhas do mistério, aperfeiçoam-se, com uma pressa febril, os meios de destruição colectiva. Se este objectivo for atingido, o envenenamento da atmosfera pela radioactividade e, por consequência, a destruição de toda a vida sobre o planeta, entrou no domínio das possibilidades técnicas. E tudo parece encadear-se neste sinistro desenrolar dos acontecimentos. 

Cada passo aparece como a consequência inevitável daquele que o precedeu. Ao fim da estrada recorta-se cada vez mais distintamente o espectro da destruição total.

Nós não podemos deixar de prevenir ainda e sempre; não podemos abrandar os nossos esforços no sentido de dar consciência às nações do mundo, e sobretudo aos seus governos, do espantoso desastre que podem estar certos de provocar, se não modificarem a sua atitude de uns contra os outros, e a sua maneira de conceber o futuro.

O nosso mundo está ameaçado por uma crise cuja amplitude parece escapar àqueles que têm o poder de tomar grandes decisões, que tanto o podem ser para o bem como para o mal. A potência desencadeada pelo átomo tudo modificou, salvo a nossa maneira de pensar e, deste modo, somos arrastados para uma catástrofe sem precedente. Para que a humanidade possa sobreviver, é indispensável uma nova maneira de pensar.

Desviar esta ameaça, eis o problema mais urgente do nosso tempo.
No momento decisivo - e eu espero este momento grave - gritarei com todas s forças que me restam.

Pensamentos: "Os que sabem não falam, Os que falam não sabem". (Lau Tseu 600 a.C.). "Quem perde a Pureza do coração, perde a Ciência". (Nicolau Valois, Alquimista, séc. XV). "O género humano quase perde a esperança de que seja possível deter esta loucura homicida e suicida". (Pio XII). 

"Para que a humanidade possa sobreviver, é indispensável uma nova maneira de pensar". (Einstein).

Albert Einstein
Transcrito do Livro: A Bomba H, Princípio ou Fim?
Autor: Charles-Noel Martin
Edição: Livros do Brasil, Lisboa

NB: Este livro foi dedicado ao grande público, aos estudiosos e a todo aquele de quem depender a sorte dos povos, por um homem especializado em questões nucleares, cujas comunicações, feitas à Academia das Ciências, em Novembro de 1954, tiveram grande repercussão em todo o mundo.






ADASCA SEM RESPOSTA SOBRE A RETIRADA DA FAIXA DO POSTO FIXO

O texto abaixo está relacionado com o que seguiu em relação ao primeiro e-mail datado do dia 22 de Dezembro, que ainda não obtivemos resposta, conforme estabelece o paragrafo 4 do artigo 37 da Constituição da República Portuguesa.

"Considerando que ainda não nos foi data qualquer resposta sobre a ordem que motivou a retirada da faixa que a ADASCA tenha afixada no gradeamento em frente da sua Sede/Posto Fixo, como meio de identificação da nossa localização, no sentido de facilitar as pessoas que nos procuram dos diversos pontos do Distrito, vamos dar a conhecer publicamente a nossa indignação através do citado Blog: aveiro123-portaaberta.blogspot.com e do site:www.adasca.pt como forma de manifestar uma vez mais a nossa indignação.
Os elementos que compõem os Órgãos Sociais desta associação, e os dadores de sangue no seu conjunto merecem mais respeito (cerca de 2204 ao todo).
Na primeira semana de Janeiro vai dar entrada nos Serviços da Câmara Municipal de Aveiro, um Requerimento no sentido de nos ser autorizada a afixação da dita faixa, ainda que para o efeito tenhamos que pagar qualquer valor que seja aplicado.
Reputo a ordem que me foi transmitida de séria intimidação e com reflexos de provocação, que podem colocar em causa as relações entre as duas entidades. Sou da opinião que o Senhor Vereador, Dr. Miguel Fernandes, reconsidere o que ainda está a tempo de evitar: "abrir uma guerra" com a única associação de dadores existente neste Concelho.
A ADASCA não vende hortaliças no Telheiro nem qualquer outro género de produtos que contribuam para uma má imagem do espaço comercial, bem pelo contrário, até é uma das associações que mais actividades publicas ali desenvolve."

Nota: 2º. E-mail enviado a 29/12/2010.

Comentários: Estou farto de lidar com pessoas frustradas na vida e com mentes fechadas, cuja missão está mais virada para distorcerem e difamarem o que a ADASCA tem feito em prol da comunidade aveirense desde o ano de 2006, note-se, não estou a hiperbolizar.
Está confirmado pelo Centro Regional de Sangue de Coimbra, que a ADASCA é até ao momento a que mais resultados práticos tem apresentado no que diz respeito ao aumento de dádivas de sangue no Concelho de Aveiro.
O Plano de Actividades para o corrente ano, vai sofrer uma substancial redução, pois não há motivação para continuar a trabalhar como temos vindo a fazer até aqui. Alguém vai ficar certamente prejudicado, e esse alguém acabo por ser sempre quem mais necessita do nosso apoio.
A FORÇA DA UNIÃO ainda produz efeitos práticos. Os dadores de sangue como ainda as pessoas amigas que na verdade, sem hipocrisia admiram o nosso trabalho, podem e devem manifestar o seu descontentamento pelo que nos fizeram através do seguinte e-mail: fvcosta@cm-aveiro.pt (secretário do Dr. Miguel Fernandes, Vereador dos Mercados e Feiras, ou para a secretária da Dra. Maria da Luz Nolasco: ejoao@cm-aveiro.pt
Acomodados é que não vamos a lado nenhum...

Nota: a faixa que estava afixada, tinha escrito o seguinte: ADASCA - Posto Fixo para Colheitas de Sangue de Aveiro, BEM-VINDOS. Será esta mensagem prejudicial à imagem do Mercado Muncipal de Santiago, ao ponto de ter que ser retirada?
A imagem com a Cadeiras de Recolha de Sangue, demonstra um pouco do Posto Fixo.

ADASCA OBRIGADA A RETIRAR FAIXA ALUSIVA AO POSTO FIXO

Ultimamente a imprensa não tem feito eco de acontecimentos mais ou menos desagradáveis relativos à ADASCA, isso não quer dizer que as coisas estão bem, pelo contrário. Em algumas instituições públicas esta associação é tida com a máxima consideração por uns e desconsiderada por outros, e sobre isto damos a conhecer aos leitores deste Blog o que aconteceu no passado dia 22 de Dezembro, numa altura que tanto se apregoa o diálogo, concórdia e a Paz entre os homens de boa-vontade.
É com profunda indignação que passo a transcrever o que exactamente aconteceu, dando assim a conhecer aos Dadores de Sangue associados da ADASCA, como ainda aos leitores nos seus geral.
_____________________
"A/C
Exmo. Senhor Dr. Élio Maia, Presidente da Câmara Municipal de Aveiro,
Exmo. Senhor Dr. Miguel Capão Filipe, Presidente da Assembleia Muncipal de Aveiro,
Exma. Dra. Maria da Luz Nolasco, Vereadora da Saúde,

Antes de mais expresso
por este meio os mais sinceros votos de BOAS FESTAS!

Acabei de ser contactado pelo senhor Eng. Carlos Fragoso, responsável pelo Mercado Municipal de Santiago, pessoa com a qual a ADASCA-Associação de Dadores de Sangue do Concelho de Aveiro, tem mantido uma relação cordial e sempre disponível para colaborar com esta associação, sempre que lhe seja solicitada qualquer ajuda.
A ordem que nos acabou de transmitir deixa-me na qualidade de Presidente da Direcção da ADASCA, no sentido de procedermos à retirada da faixa afixada no gradeamento em frente da Sede e do Posto Fixo desta associada, preocupado.
É verdade que a referida faixa foi ali afixada no dia em que se procedeu à inauguração do Posto Fixo, tendo já feito um ano no passado dia 30 de Outubro, e a mesma servia apenas como referência da localização do local de
Colheitas de Sangue, de forma a orientar as pessoas que nos procuram e que ainda não conhecem o local de funcionamento do citado Posto Fixo, na medida em que vêem ao nosso encontro pessoas dos mais diversos pontos do Distrito de Aveiro.
É verdade que est
a associação mantém um Protocolo com a Câmara Municipal de Aveiro, e com base nos seus regulamentos temos vindo a ocupar aqueles dois espaços a titulo gracioso.
As nossas actividades são sobejamente conhecidas de V. Exas. pois as mesmas direccionam-se essencialmente em prol dos doentes que necessitam da transfusão de sangue, e não tem qualquer outro fim comercial. Se alguém tem vindo a abusar mediante a afixação de diversas faixas naquele gradeamento, que sofra as consequências que lhe são
devidas, não penalizem é esta associação.
Face ao exposto, apelo à consideração e boa consciência que assiste a V. Exas. no sentido de ser permitido a continuação da supracitada faixa naquele mesmo local, até pelo facto de não incomodar quem quer que seja, bem pelo contrário, acaba por ser útil a quem nos procura.
Finalmente, convido a Dra. Maria da Luz Nolasco, na qualidade de Vereadora da Área da Saúde, visitar a Sede e o Posto Fixo, no sentido de se inteirar das nossas actividades, para evitar mal entendidos.
Conclusão: Sinto alguma dificuldade em aceitar que esta ordem tenha sido emitida do Senhor Vereador Dr. Miguel Fernandes e que tenha a ver com algumas medidas que tem vindo a ser implementadas naquele espaço comercial.
Sem mais sobre este assunto sou,
Joaquim Carlos
Presidente da Direcção da ADASCA
Telef: 234 338 018 (sede)
www.adasca.pt"

Nota: Este o conteúdo que foi enviado a 22/12/2010.



COMPREENSÃO MÚTUA


COMPREENSÃO MÚTUA

Na união de um homem e de uma mulher, felicidade tem bases profundas e seguras: nasce da compreensão e da confiança e realiza-se da compreensão e da confiança e realiza-se um pouco todos os dias com a estima e o respeito recíproco.
Muitas vezes o erro está no início. Começa-se por considerar essa união como uma meta, um ponto de chegada, em vez de nos apercebermos de que é uma conquista lenta e progressiva, um compromisso que exige tempo e paciência, muito boa vontade e uma enorme dose de compreensão.
O homem ou a mulher ideais são assuntos que merecem ser ponderados. Há sempre quem mantenha e nos queira dar a este respeito uma interpretação pessoal, que tem o mérito, pelo menos, de permanecer «ideal», precisamente porque não é realizável.
Uma perfeita união é feita de um homem e de uma mulher que resolveram viver em conjunto, justamente porque compreenderam que têm necessidade um do outro.
Nenhum dos dois é perfeito, porque a perfeição, em boa verdade, nem sequer existe. Os defeitos são muito importantes, mas não devem ser encarados exclusivamente como um facto negativo, absolutamente condenável, que inspire horror e desprezo. Os defeitos numa pessoa são o ponto mais fraco, e no homem constituem o aspecto que tem mais necessidade de auxilio e de protecção, e uma mulher de valor deve compreender esta circunstância, e compreendê-la-á se desejar estar próxima dele nos momentos difíceis, naquelas conjunturas em que ele não está em condições de reagir sozinho.
Esta missão n
ão é simples, certamente, mas compete à mulher a responsabilidade de a realizar não só através dos filhos, mas também contribuindo para a tranquilidade e a harmonia familiares. 

Tudo isto ela pode conseguir sozinha, se souber ser compreensiva. A sua espontaneidade, a sua intuição, que a orientarão nas situações mais delicadas e que lhe permitirão intervir com a discrição até onde lhe é dado ir, são as qualidades indispensáveis que nunca devem ser menosprezadas.
Os tempos mudaram e o modelo da dona de casa, cujo emblema era o avental a todas as horas do dia, já não conta entre as aspirações dos maridos da nossa época. O mito da mulher caseira, encerrada entre as paredes do lar, com a única alternativa de um trabalho que a revezava entre os filhos e a cozinha, está ultrapassado. Hoje, ela deve impor-se contra a perda das melhores tradições, e deve estar à altura de saber defender com inteligência a sua felicidade e saber perdoar-lhe, a ele, as pequenas fraquezas humana.

SABER CALAR-SE
As funções da dona de casa não se modificaram por estes motivos, mas tornaram-se mais difíceis porque são mais complexas. A vigilante do fogão doméstico de outros tempos, transformou-se na orientadora de uma casa moderna, onde os aparelhos caseiros, a televisão e o automóvel anularam aquele aspecto sediço e típico da boa dona de casa de há cinquenta anos. A sua casa está aberta, penetra nela a vida exterior, juntamente com os companheiros dos filhos e os amigos do casal.
Manifesta-se em cada um dos membros da família um maior espírito de independência, de uma vontade que anima a proceder segundo as próprias intenções ou os próprios desejos, e os familiares pretendem que a mulher tenha consciência de tudo isto, do mesmo modo que fez quanto ao frigorífico e à máquina de lavar roupa que representam as exigências do seu tempo.
Hoje, a felicidade do homem e da mulher deixou de ser um problema que só encontra o seu ambiente dentro de casa. A intimidade doméstica alargou os seus limites até horizontes talvez menos válidos. A mulher não pode recusar-se a ficar alheia ou a evitar esta evidência dos factos. Deve procurar adaptar-se com sistemas que excluam as oposições decididas ou as atitudes violentas. O seu silêncio é muitas vezes o melhor meio de fazer face a uma situação desagradável, ou de terminar uma discussão que poderia ter consequências difíceis.
A mulher tem de saber calar-se no momento oportuno, mas fazê-lo sem ostentação, sem assumir um tom de superioridade perante as evidências dos factos mesquinhos.
Para que serve reclamar o amor pela justiça ou fazer valer a própria causa pelo triunfo da verdade, quando isto deve ser resolvido em questões muito mais graves do que o motivo que as suscitou? A união dos dois é muito diferente de um tribunal de acusação são a culpa ou a razão. Os contratempos de pouca importância têm um valor muito relativo, no entanto, originam a discussão, e por isso é que devem ser receados.
A felicidade é, portanto, uma conquista feminina, e é absolutamente falso e descabido atribui-la ao acaso ou à inteligência. É obra da mulher que conhece o seu marido e tem confiança na vida que escolheu. Vêm depois os obstáculos, que são muitos e insidiosos, e a mulher tem de combater contra as próprias ambições e o seu egoísmo.
É uma luta contínua em que o bom senso, a paciência e o equilíbrio são os únicos meios de que dispõe para defender o seu lar.
Pensamento: «Quem se irrita com as suas faltas não as corrigirá; toda a correcção perfeita deriva de um espírito calmo e pacifico.» (S. Francisco de Assis).
Joaquim Carlos


12.29.2010

PRONTIDÃO PARA OUVIR

PRONTIDÃO PARA OUVIR

"A natureza deu-nos dois ouvidos, dois olhos e uma língua, observa Zenão, velho filósofo grego, para que pudéssemos ouvir e ver mais do que falar". Até há bem pouco tempo dava-se pouca atenção à capacidade de ouvir. A ênfase exagerada dirigida à habilidade de expressão levou a maioria das pessoas a subestimar a importância da capacidade de ouvir, em suas capacidades diárias de comunicação.
Deveríamos olhar para cada pessoa como se a mesma tivesse um cartaz pendurado em redor do pescoço, onde se pudesse ler: "QUERO SENTIR-ME IMPORTANTE". Sim todos querem sentir-se importantes. Ninguém gosta de ser tratado como menos importante. E todos querem ainda que esta importância seja reconhecida em qualquer parte do mundo. A própria experiência nos ensina que as pessoas, ao serem tratadas como tais, sentem-se felizes e procuram realizar e produzir mais. E quem se observa escutado, sente-se gratificado.
Um levantamento recente indica que, em média, a pessoa emprega 9% do tempo a escrever, 16% do tempo a ler, 30% do tempo a falar e 45% do tempo a escutar.
Ouve-se 4 ou 5 vezes mais depressa do que se fala. As pessoas falam provavelmente à razão de 90 a 120 palavras por minuto e ouvem à razão de 400 a 600 palavras por segundo. Quer dizer, há um tempo diferencial entre a velocidade do pensamento para poder pensar, reflectir sobre o conteúdo e buscar o seu significado.
Autores há que oferecem diversos princípios para aprimorar as habilidades essenciais para saber ouvir.:
1- Procura ter um objectivo ao ouvir;
2- Suspende qualquer julgamento inicial;
3- Procura focalizar o interlocutor, resistindo a toda a espécie de distracções;
4- Espera antes de responder;
6- Procura recolocar com palavras próprias o conteúdo e o sentimento do interlocutor;
7- Procura atingir os pontos centrais do que ouve através das palavras;
8- Usa o tempo diferencial para pensar e responder.
Agora, ouve... Um ano 2011 violentamente sereno para ti.
Termino esta reflexão com o seguinte pensamento: "Quando não vivemos como PENSAMOS, acabamos por pensar como VIVEMOS; assim, um ladrão procura desculpas para os seus roubos".

Joaquim Carlos
(Jornalista)

12.22.2010

LAMENTAÇÃO POR UMA CRIANÇA

SENTIR COMO SUA A FOME DOS OUTROS

Dizia João Paulo II: «Sim, amados irmãos e irmãs, peco-vos que volvais a atenção para este escândalo da mortalidade infantil, cujas vítimas diariamente se contam às dezenas de milhares.
Há crianças que morrem antes de terem visto a luz do dia, outras não têm senão uma breve e dolorosa existência encurtada por enfermidades que, no entanto, hoje, seria fácil evitar.
«Inquéritos sérios mostra que nos países mais cruelmente provados pela pobreza é na população infantil que se que se regista o maior número de mortes por desidratação aguda, parasitas, água contaminada, fome, falta de vacinação contra as epidemias e até mesmo por
falta de carinho. Em tais condições de miséria, grande número de crianças morre prematuramente; outras ficam de tal maneira afectadas que o seu desenvolvimento físico e psíquico resta comprometido, a sua própria sobrevivência se torna precária e encontra-se numa situação de desvantagem, para terem um lugar na sociedade.
«As vítimas desta tragédia são as crianças que nascem em situações de pobreza, que com muita frequência resultam de injustiças sociais; e são as famílias que carecem dos meios necessários e que ficam feridas para sempre pela morte precoce dos seus filhos».
A estas dolorosas palavras do Papa, que têm a sublinhá-las a indiscutível autoridade de quem as subscreve, que comentário se poderá acrescentar que traga algo de novo?
As estatísticas falam por si. O mal da desnutrição é tal que «nos últimos doze meses morreu, no mundo em vias de desenvolvimento, um número de crianças equivalente a toda a população com menos de 5 anos dos Estados Unidos».
Visto este quadro à escala europeia, é como se tivesse desaparecido a população conjunta menos de 5 anos da Grã-Bretanha, França, Itália, Espanha e República Federal da Alemanha. Esta a conclusão estatisticamente fundamentada pela UNICEF sobre o «Estado Mundial da Infância» em 1984.
Todavia, continua por responder, por parte das grandes potências às quais foi dirigida, uma carta de Raul Follereau, apelando à razão dos grandes responsáveis pelo governo e equilíbrio mundial, lembrando-lhes a urgência de se fazer incidir sobre acções de resgate e de promoção humana o dinheiro que diariamente se consome em gastos de natureza militar e bélica.
E lembrava-lhes algumas cifras mais contundentes:
- O preço de um avião equivalente aos gastos de 2 anos e meio da Caritas em leite, assistindo 395.300 crianças e 73 mil adultos, só em Portugal e Regiões Autónomas;
- O dinheiro de um submarino atómico daria para construir 30 mil casas de renda económica;
- Um porta-aviões alimentaria com o seu custo 400 mil homens durante um ano.
E assim por adiante.
Também o Papa falou recentemente do mesmo problema, apelando aos «grandes» do Mundo para que façam reverter em favor dos desprotegidos os orçamentos destinados a armas sofisticadas, dizendo que não basta fazerem-se acordos para a diminuição dessas armas, mas é urgente que os orçamentos contemplem mais a situação social dos povos do que as estratégias de guerra.
A esse apelo, juntou João Paulo II a sua Mensagem Quaresmal para o ano de 1988, chamando mais destrinçadamente a atenção para o drama das crianças, às quais, seja qual for a sua etnia, situação humana ou problemática existencial, elas são todas um pouco filhas de todos nós.
Há que sentir como nosso o drama de todas elas.
E não resistimos à tentação de reproduzir para os nossos leitores o recorte que com a devida vénia fizemos da revista «Além Mar», uma publicação que merece bem figurar no quadro de honra da nossa Comunicação Social, não só pelo realismo dos seus temas como pela elevação estatística do seu tratamento.

Joaquim Carlos
(Jornalista)

NB: Este conteúdo foi transcrito do jornal "Correio da Manhã" datado do dia 13-02-1988, que não me passou despercebido quando procurava localizar alguns documentos na minha Biblioteca.
A imagem que documenta esta reflexão é na verdade incomodativa,  chocante, devia envergonhar-nos a todos, funcionar como um alfinete espicaçando as consciências mais bem formadas, se é que ainda existem onde a indiferença  neste mundo reina cada vez ... continua a ser actual porque pouco ou nada mudou ou vai para melhor.