12.15.2010

CADA GOTA CONTA - SEJA SOLIDÁRIO(A)



No próximo Dia 29 de Dezembro, entre as 9 e as 13 horas, a Associação de Dadores de Sangue do Concelho de Aveiro - ADASCA, é assim pelas siglas mais conhecida, vai promover uma Colheita de Sangue na Escola Secundária Homem Cristo, comemorando assim a sua primeira Colheita realizada neste mesmo dia, mas, no ano de 2006 no Salão dos Bombeiros Velhos de Aveiro, onde ainda são realizadas às 3ªs sextas-feiras de cada mês.
Esta acção é feita em Parceria com a referida Escola e esperamos que não venha a ser a última.
Considerando que a necessidade de sangue se faz mais sentir nesta época do ano e por sua vez na altura do Ano Novo, esperamos registar uma boa adesão.
Todos devem saber que a dita Escola fica localizada junto do Teatro Aveirense e do antigo Paços de Concelho.
Quantos aos requisitos: idade entre 18 e os 60 anos na primeira vez, ser saudável, fazer-se acompanhar do B.I. para efectuar a inscrição junto do Instituto Português do Sangue (IPS), como tomar o pequeno-almoço.
O tempo de demorar de todo o processo não irá além da 1/2 hora, Se for necessário é emitida a declaração para apresentar á entidade empregadora.
Mais informações podem ser obtidos através do site: www.adasca.pt e do Blog:aveiro123-portaaberta.blogspot.com
Contamos consigo, seja solidário, pois existem milhares de doentes que precisam do nosso contributo sanguíneo.
Joaquim Carlos

12.12.2010

A NATUREZA É DE TODOS NÓS

«Na natureza nada se perde, tudo se transforma» Lavoisier.
Esta expressão de um conhecido físico francês do século XVII é possuidora de uma beleza sublime. No entanto, nos dias de hoje, a natureza está a transformar-se... para pior!
É natural que pensemos que a culpa é dos outros! Afinal, não ando a provocar «marés-negras, não sou dono de uma central nuclear ou de uma grande cadeia de fábricas... com este tipo de atitudes tentamos «sacudir a água do capote» e consideramo-nos como pessoas incapazes de maltratar a natureza.
Então se pensarmos, nós que habitamos no Meio Rural - felizmente ainda somos muitos - a situação ainda é menos preocupante, ou seja, no Meio Rural polui-se muito menos e respeita-se muito mais a natureza... Mas não chega! Se o campo ainda é um «paraíso escondido» é responsabilidade de todos nós preservá-lo o que, se pensarmos bem, não é assim tão complicado.
Podemos fazer coisas simples como não atirar lixo para o chão, não lançar embalagens de pesticidas no ribeiro que corre mansamente pelo vale, ter cuidado com um cigarro mal apagado no meio da floresta, «fazer barulho» junto das entidades competentes para que procedam à recolha geral e atempada do lixo, pensar «duas vezes» antes de retirar o «miolo» do escape à nossa motorizada o que evitará eventuais problemas mecânicos e, sobretudo, dores de cabeça à pessoas que ouvem esse ruído estridente...
É natural que se pense que estas simples acções não servem para nada, enganam-se!
Estes bons exemplos vão-se propagando, as pessoas começarão a sentir-se responsáveis e vão «despertando» do sono a que esta sociedade de consumo as levas a fazer: consumir sem ter que se preocuparem com o que não interessa, com o lixo e outros restos...
Talvez, um dia, venhamos a ter uma harmonia homem-natureza onde tenhamos uma vida mais saudável e harmoniosa...
É um grande desafio! Porém se começarmos já hoje e prosseguirmos, dando exemplo a todos os que nos rodeiam, podemos ter a certeza que a natureza continuar-se-á a transformar só que será para melhor!

Joaquim Carlos
(1) Imagem recolhida na zona da Forca/Aveiro


OPTIMISMO, FORÇA E CORAGEM

A Diferença entre a força e a coragem

É preciso ter força para ser firme,
mas é preciso coragem para ser gentil.

É preciso ter força para se defender,
mas é preciso coragem para baixar a guarda.

É preciso ter força para ganhar uma guerra,
mas é preciso coragem para se render.

É preciso ter força para estar certo,
mas é preciso coragem para ter dúvida.

É preciso ter força para manter-se em forma,
mas +é preciso coragem para ficar de pé.

É preciso ter força para sentir a dor de um amigo,
mas é preciso coragem para sentir as próprias dores.

É preciso ter força para esconder os próprios males,
mas é preciso coragem para demonstrá-los.

É preciso ter força para suportar o abuso,
mas é preciso coragem para fazê-lo parar.

É preciso ter força para ficar sozinho,
mas é preciso coragem para pedir apoio.

É preciso ter força para amar,
mas é preciso coragem para ser amado.

É preciso ter força para sobreviver,
mas é preciso coragem para viver.

Se você sente que lhe faltam a força e a coragem,
queira Deus que o mundo possa abraça-la(o) hoje
com Calor e Amor Fraternal!

E que o vento possa levar-lhe uma voz que lhe diz
que há um Amigo, vivendo num outro lado do Mundo,
desejando que você esteja bem.

Finalmente: "É possível gritar bem alto em voz bem baixa".

Joaquim Carlos

12.08.2010

AVEIRENSES ADEREM À DÁDIVA DE SANGUE

A Associação de Dadores de Sangue do Concelho de Aveiro - ADASCA, desde sempre se preocupou em criar as melhores condições possíveis não só para prestar um bom acolhimento aos dadores, como ainda trabalhar as Brigadas de Colheitas no terreno, isto é, divulga-las ao máximo possível por todos os meios ao seu alcance, para que consegui-se a adesão de pelo menos 50 dadores por cada Colheita, pois no princípio chegamos a reunir mais de 100 dadores por cada Colheita de Sangue promovida nos Bombeiros de Aveiro, isso acabou.
Inicialmente isso foi sendo possível, mas perante à incapacidade de resposta no atendimento do Centro Regional de Sangue de Coimbra, os seus resultados começaram a diminuir. Quais as causas que são apontadas para esta redução? Muitos dadores nunca mais aderiram á dádiva de sangue, outros foram convidados a dirigirem-se a outros locais de Colheitas, onde estamos impedidos de nos deslocar. Desde sempre começamos a ser impedidos de promover Brigadas aos Domingos, mas uma associação do Concelho limítrofe pode promover aos domingos, chegando mesmo a promover duas Brigadas no mesmo dia, dentro mesmo horário, as escassos três quilómetros.
A seguir, existe em Aveiro uma outra organização que de protecção aos dadores de sangue nada faz, apenas se preocupa no "venham a nós, porque se tiverem problemas para resolver podem dirigir-se à ADASCA". Este grupo apenas promove uma Colheita de Sangue à primeira sexta-feira de cada mês, sem desenvolver qualquer trabalho no terreno para a sensibilização da dádiva, por estranho que possa parecer, consegue registar uma adesão nas Colheitas superior à ADASCA.
Este jet set conta com o proteccionismo do CRSC, quando reencaminha dadores dos nossos códigos de brigada para ali se dirigirem. Chegou-se ao cumulo da pouca vergonha ou onde não há nenhuma, quando se prejudica quem tanto trabalhou e trabalha para que as dádivas aumentem no Concelho de Aveiro, a favor de quem nada fez e nada continua a fazer. Para os Dadores de Sangue é tudo igual, ou seja, ir ali ou aqui é tudo igual, claro que os funcionários do CRSC ajudam á festa quando acrescentam: sim é tudo para o mesmo, é tudo igual, é tudo farinha do mesmo saco. É terrível ligar com estes procedimentos.
Há manifesto interesse em manter os dadores enganados, como fomentar esta rivalidade entre associações de dadores. Há mais, que de momento não é oportuno divulgar.
Em alguns lugares - fábricas - onde não se promovia Colheitas de Sangue, começaram a fazer-se depois de eu lá ir bater á porta. Porque a nós nos disseram não, e seguidamente foi aberta a porta para o CRSC entrara?

Joaquim Carlos
(1) Reportagem do Diário de Aveiro a 12/06/2010
(2) Jovem Tânia Melo, Enfª. Voluntária da ADASCA
numa a doar Sangue no Colheita.

A POBREZA DO MUNDO = A MAIOR VERGONHA VERGONHA DOS DIRIGIENTES POLÍTICOS

Esta fraqueza torna-se mais evidente quando se estuda a horrível pobreza que existe no mundo oriental. Quem nunca saiu deste pais para fora, ou seja, quem nunca foi imigrante, como eu existem milhões que optaram por essa opção, sentem-se profundamente envergonhados com a situação a que o nosso País chegou. As reportagens na imprensa escrita e televisiva são disso um exemplo flagrante. Deixam-nos envergonhados.
Os governantes conduziram o meu País para uma situação vergonhosa, mas, tendo conhecimento de que nem tudo era assim como anunciavam, continuaram a mentir, a prometer ao povo o que era de todo impossível concretizar, e como se tudo isso não fosse o suficiente continuam delapidando as finanças do País. Deixam-nos envergonhados.
A corrupção minou
as mais altas figuras do Estado/Governo há muitos anos a esta parte. Todos até hoje se encobriram uns aos outros. Ninguém é penalizado judicialmente pela forma como conduziram os destinos deste mísero País. Impingem telenovelas e futebol aos portugueses como se esse veneno em que se transformou enche-se barrigas, ou eleva-se a moral de quem sofre directamente na pele. Deixam-nos envergonhados.
A fome alastra cada dia que passa, arrastando famílias inteiras, incluindo crianças quando lhes assiste o direito universal de serem felizes. Existe milhares de pessoas como eu que trabalharam uma vida inteira, fazendo descontos a pensar no futuro, agora vêem-se a um passo de mergulhar na miséria. De quem é a culpa? Não existe culpados? Sim existem. Mas, o País sempre teve governantes e apresentaram-se ao povo como cidadãos de bem. Em que é que se traduziu os
seus mandatos? O que foi feito em beneficio do País? Onde está os milhões de Euros que vieram da União Europeia?
A Senhora Ministra do Trabalho e Solidariedade Social, sendo uma senhora experiente no mundo do sindicalismo, surge agora com um discurso que não convence, que não agrada a ninguém. Afinal, porque aceitou o cargo que está a desempenhar sabendo que não iria sair bem sucedida? Para garantir uma reforma choruda, pomposa e o pobre que se lixe, foi para isso que aproveitou esta oportunidade, para constar no curriculum? Fica com um curriculum pobre, incómodo, que na minha opinião não deve ser exposto em gabinete algum.
Aconselho-a a ser prudente com as palavras, com a promessas, porque já ninguém acredita no que nos diz.
Por que razão aparece sempre na imprensa? O que ganha com isso? Fortalece a sua imagem pública. O Governo no seu conjunto está desacreditado pelo Povo, porque a confiança que os eleitores depositaram através do seu voto nas anteriores eleições saiu defraudada. Já ninguém confia em ninguém, não há confiança na palavra, o Povo/eleitor caiu no descrédito total.
Com escândalos de todo o género no seio governamental a seguir a uns aos outros, consideram-se que ainda reúnem condições legitimas para representar os portugueses lá fora e cá dentro. NÃO reúnem, o que está a ser feito por cada dia
que passa é igual a saquear a
s finanças que restam.

PORTUGAL TEM 300 MIL CRIANÇAS NA POBREZA - QUE VERGONHA!!!
Esta notícia veio divulgada no Correio da Manhã no dia 11/12/2010 e baseia-se num estudo apresentado pelo OCDE que passamos a transcrever.
- Relatório coloca jovens como os mais pobres da OCDE. Nos lugares mais baixos do ranking estão
ainda os vizinhos espanhóis e os italianos, países onde os apoios sociais têm menos impacto na redução da pobreza. Nórdicos estão no topo.
Portugal tem a ma
ior percentagem de crianças na pobreza entre os 21 países europeus da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), indica um relatório da UNICEF divulgado no dia 10 de Dezembro de 2010. A taxa de pobreza infantil no nosso País é de 18,7 por cento já depois das ajudas do Estado, subindo para 21,2 por cento sem esses apoios. De resto, em Portugal, os apoios do Estado têm muito pouco impacto na redução da pobreza, comparando com os restantes países analisados.
O relatório "Children Left Behind" (Crianças que ficam para trás), elaborado pelo Innocenti, um Centro de Pesquisas da UNICEF, considerou
crianças até aos 17 anos, que em Portugal são cerca de 1,8 milhões. Assim, os dados revelados pela UNICEF apontam para que cerca de 300 mil crianças portuguesas vivam na pobreza. Este estudo considera que vivem na pobreza crianças cujos agregados familiares metade ou menos do rendimento médio, sabendo-se que o salário médio em Portugal é de 840 Euros.
Depois de Portugal, Espanha é o país com maior taxa de pobreza infantil (18,5% antes dos apoios sociais e 12,2% se contabilizarmos as ajudas do Estado), seguindo-se a Itália (16,6%; 15,5%) e o Reino Unido (26,4%; 14,6%).
A liderar o ranking está a Finlândia, muito graças aos apoios estatais, que reduzem a percentagem de pobres de 15,2 por cento.
Os dados do relatório da UNICEF, agência das Nações Unidas que promove os direitos das crianças, indicam ainda que os três na cauda do ranking, Portugal, Espanha e Itália, são também aqueles em que o impacto dos apoios do Estado na redução da pobreza é menor.
No plano oposto, a Irlanda é o país onde as transferências para as famílias mais importância tem, permitindo que a taxa de pobreza infantil baixe de 34 para apenas 11 por cento.
O relatório analisou também o grau de desigualdades na Educação, Saúde e bem-estar material em 24 países da OCDE.
Agregando os três itens, Portugal fica a meio da tabela, juntamente com a Áustria, o Canadá, a França, a Alemanha e a Polónia. Oito países ficam mais bem posicionados do que Portugal e dez obtêm uma classificação inferior.

ESTUDO AINDA NÃO MEDE EFEITO DA CRISE
Os dados divulgados da UNICEF são anteriores à grave crise financeira de 2008, que afectou milhões de pessoas em todo o Mundo. Segundo os próprios autores do estudo, os dados apresentados sobre a desigualdade são "uma fotografia dos bons velhos tempos". Apesar de ainda não existirem dados que permitam perceber os impactos da crise nos crianças e nos jovens, sabe-se já que a taxa de desemprego entre os jovens da União Europeia passou de 15% para 20%.

NB: Perante estes dados surge uma questão que deve ser colocada: o que já fez o Governo Português para dar a volta a este drama infantil e juvenil? As crianças também contribuíram para a crise? Onde está o cheque da esperança, que serviu de bandeira nas anteriores eleições?
Já pensou o Governo se a fome em Portugal se transforma-se em música, quantas bandas de norte a sul teríamos? Em tempos atribuíram-se avultados subsídios aos agricultores para não cultivar determinadas culturas e até criação de gado, agora e perante este cenário em que é que ficamos? Somos obrigados a passar fome, a entrar pela porta da mendicidade, ser caloteiros de uns para com os outros? Há mais, muito mais miséria do que aquela que os nossos contemplam.
Se lermos de novo a Reportagem que o jornal Correio da Manhã publicou, constatamos que a situação a que se chegou é nem mais delicada do que se possa pensar. Casais desempregados vivem da ajuda dos pais e das organizações sem fins lucrativos. A classe média cai na pobreza. Até o distinto autarca Moita Flores dá comida aos mais desfavorecidos, Instituições prevêem o pior e claro, o fornecimento de refeições aos fins-de-semana nas escolas.
O futuro que nos espera é bem mais complicado, pois ninguém encontra uma boia para se salvar deste inferno. A fome é negra = à morte lenta.

Joaquim Carlos, uma vítima do sistema social/político.


O QUE LÊEM OS NOSSOS JOVENS


O QUE LÊEM OS NOSSOS JOVENS

Por o adolescente já não ser criança e ainda não ser adulto, acha-se incompreendido.
A criança encanta-se com o maravilhoso. Coloca-se a si própria no centro do mundo que constrói, ampliando-o, pouco a pouco, com descobertas que faz, de olhos espantados.
O adolescente debruça-se sobre si próprio. O estado intermédio entre estas duas fases da vida - a infância e da idade adulta - a ideia de não ser compreendido, leva-o à contemplação do seu íntimo. Despediu-se de um mundo encantador e simples para tomar contacto com outro cheio de complicações.










Experimenta modificações físicas que o perturbam, que o tornam acautelado, desconfiado do seu próprio eu. É na adolescência que se registam suicídios, crimes e deformações morais em grande número.
Certamente, o adolescente que traz da sua infância uma boa formação, encontra muito menos dificuldade de adaptação nesta nova fase da sua vida. Por isso, nunca é de mais lembrar que a infância pode ser decisiva no desenvolvimento dum indivíduo. Impressões desagradáveis e fortes, gravadas na memória da criança, complicam as dúvidas do adolescente. A literatura infantil, como temos naturalmente verificado, tem um grande papel na orientação da criança, que se projecta para além da infância.
Uma das características mais pronunciadas do adolescente é o "andar à procura". Procurar coisas novas, revoltando-se contra as que existem. Procurar um ideal e um ídolo. O conhecimento destas características foi largamente aproveitado pelo regime nazista na Alemanha que introduziu nos espíritos dos jovens ideias falsas e místicas sobre o mundo e os ídolos.
O adolescente não se engana quando se considera um incompreendido. São raros os pais e os professores que se preocupam com o seu estado de espírito extremamente delicado. Quase sempre se arreliam com estes revoltados e insatisfeitos. Procuram dominá-los e castigá-los recalcando, deste modo, o que é natural. Assim, poucos ajudam o adolescente que nem na literatura encontra o que procura.
Qual a literatura de que necessitamos para os nossos adolescentes?
Evidentemente, aquela que vai ao encontro de todas as suas dúvidas e dos seus desejos. O facto de ele procurar um ideal e um ídolo não deve levar-nos à criação de mundos falsos e à mistificação de personagens. A consequência deste erro é a desilusão completa sobre os ídolos completa sobre os ídolos impostos que, mais cedo ou mais tarde, tem de surgir.
Para satisfazer o seu desejo de admirar temos muitos exemplos na história da Humanidade. Biografias de cientistas, artistas, técnicos, etc... que falam da suas lutas, da sua fé e persistência; descrição da vida dos anónimos que, silenciosamente, ajudam no progresso do mundo, sem que, por isso, o seu auxilio seja menos valioso, como enfermeiros, operários e tantos mais.
É necessário que, desde cedo, se saiba o que se passa em casa, fora de casa e longe de casa. As nossas crianças e os nossos adolescentes, ao erguerem o olhar, vêem o avião a passar e sabem que ele os pode levar em duas horas a Paris e em sete à América. Seria absurdo não fazermos tudo para que se abram as janelas que dão para o exterior.
As crianças, os adolescentes precisam não só de todo o nosso carinho e simpatia, mas também de toda a nossa inteligência e do nosso esforço paciente e sério para uma compreensão dos graus da sua evolução e dos seus problemas.
Se destruirmos o mundo infantil, a criança substituirá, sem o saber, o seu mundo por um outro, precoce, perigoso e torcido. Poderíamos chamar a este processo de substituição dos mundos íntimos da criança "o atrofiar da alma infantil".

Joaquim Carlos

O MÊDO DA OPINIÃO PÚBLICA

O MEDO DA OPINIÃO PÚBLICA

Poucas pessoas podem ser felizes se a sua existência e a sua concepção do mundo não forem aprovadas, no conjunto, por aqueles com quem têm relações sociais e mais especialmente por aqueles com quem vivem. É uma particularidade das sociedades modernas o facto de estarem divididas em grupos que diferem profundamente entre si, tanto nos seus princípios morais como nas suas crenças religiosas.
Devido às diferenças de opinião, uma pessoa inclinada a ter gostos e convicções pode sentir-se praticamente exilada se viver no seio de um grupo determinado, ao passo que noutro será recebida como um ser humano perfeitamente normal. Muitos sofrimentos, especialmente entre os jovens, nascem assim. Com dificuldade imaginam que noutro lugar ou noutro grupo as opiniões que não ousam confessar, com medo de serem considerados inteiramente perversos, seriam tomadas como vulgares lugares-comuns da época. Devido à ignorância do mundo, suportam-se muitos tormentos desnecessários, às vezes só na juventude, mas frequentemente também durante toda a vida. O isolamento a que se é condenado em tais circunstâncias, não somente é origem de sofrimentos, mas ainda de grandes desperdícios de energia para manter a independência mental contra o ambiente hostil e em noventa e nove por cento dos casos produz certa timidez em acompanhar as ideias, até as suas lógicas conclusões.
A opinião pública é sempre mais tirânica para aqueles que a temem verdadeiramente do que para os que se lhe mostram indiferentes. Um cão ladra com mais força e morde mais facilmente quando as pessoas se assustam do que quando manifestam indiferença, e a sociedade humana tem qualquer coisa que se lhe assemelha. Se vos mostrais assustados, dais-lhes a esperança de uma boa caçada, ao passo que se vos mostrais indiferentes eles principiam a duvidar do seu próprio poder e deixar-vos-ão tranquilo.
As pessoas convencionais ficam furiosas com o desprezo pelas convenções, principalmente porque o olham como uma crítica à sua própria conduta. Perdoarão muitas negligências, mas apenas a alguém que seja bastante jovial e simpático para tornar evidente que não tem nenhuma intenção de as criticar.
As pessoas que não vivem em harmonia com as convenções do seu próprio grupo tendem a tornar-se desagradáveis e de difícil tratamento e carecem de bom-humor expansivo. Essas mesmas pessoas, transportadas para outro grupo onde as suas opiniões não sejam consideradas estranhas, parecem mudar inteiramente de carácter. Os sérios, tímidos e reservados tornam-se alegres e seguros de si próprios; os ríspidos tornam-se através e simples; os egocêntricos tornam-se sociáveis.
Uma vez que um homem esteja lançado na carreira da sua escolha e viva num ambiente conforme os seus gostos pode, na maior parte dos casos, evitar a perseguição social, mas, enquanto for jovem e os seus méritos não tiverem sido experimentados, arrisca-se a estar à mercê de indivíduos ignorantes que se consideram capazes de ser juízes em assuntos que não conhecem e que se sentem ultrajados se lhes disserem que um jovem pode conhecê-los melhor do que eles com toda a sua experiência do mundo.
Muitas pessoas consideram que a perseguição feita aos jovens talentos não pode causar muitos prejuízos, mas não há qualquer fundamento para aceitar essa doutrina. É como a teoria que diz que se descobre sempre um assassínio. Evidentemente, todos os assassínios que conhecemos foram descobertos, mas quem pode saber quantos houve de que nunca se ouviu falar? Da mesma forma, todos os homens de génio de que ouvimos falar triunfaram das circunstâncias adversas, mas isso não é razão para supor que não tenha havido muitos outros que sucumbissem na juventude. Além disso, não se trata apenas do génio, mas também do talento, que é igualmente necessário à comunidade. E não se trata somente de emergir seja como for, mas sim de emergir sem rancor e com a energia intacta. Por todas estas coisas não se deveria tornar o caminho da juventude demasiado árduo.
Deve-se em regra respeitar a opinião pública, mas tudo o que ultrapasse certos limites é uma submissão voluntária a uma tirania inútil, susceptível de embaraçar a felicidade, de muitas formas.
Não há nenhum proveito em escarnecer deliberadamente da opinião pública; é ainda estar sob o seu domínio, embora num sentido inverso. Mas ser-lhe francamente indiferente é, não só uma força, mas uma causa de felicidade. E uma sociedade que não se vergue demasiado às convenções é muito mais interessante do que uma sociedade em que toda a gente proceda da mesma maneira. Não quero dizer com isto que as pessoas devem ser intencionalmente excêntricas, o que é tão pouco interessante como ser convencional. Quero dizer, sim, que as pessoas devem ser naturais e devem seguir os seus gostos espontâneos na medida em que não sejam francamente anti-sociais.
O medo da opinião pública é opressivo e impede o progresso. Enquanto um medo desta espécie se manifestar é impossível adquirir essa liberdade de espírito em que consiste a verdadeira felicidade, pois é essencial à felicidade que a nossa vida nasça dos nossos próprios impulsos e não dos gostos e desejos acidentais daquele que por acaso são nossos vizinhos ou mesmo nossos amigos.
É certo que o medo da opinião dos vizinhos é agora menor do que era antigamente, mas apareceu uma nova espécie de medo: o medo do que podem dizer os jornais. Este medo é tão terrificante como na Idade Média o era o da caça às bruxas. Quando os jornais decidem tomar uma pessoa inofensiva como bode expiatório, os resultados podem ser terríveis. Felizmente a maior parte das pessoas escapa ainda a esse perigo devido à sua vida obscura, mas à medida que a publicidade aperfeiçoa os seus métodos, aumenta o perigo dessa nova forma de perseguição social.
Este é um assunto demasiado grave para ser tratado com desdém pelo individuo que dele é vitima, e seja o que for que se possa pensar do grande princípio da liberdade da imprensa, suponho que a questão tem de ser encarada com maior rigor do que na actual lei contra a difamação. Tudo o que torne a vida intolerável às pessoas inocentes terá de ser proibido, mesmo que por acaso elas tenham feito ou dito qualquer coisa que, publicada com malévola intenção, as torne impopulares. O único e último remédio para este mal, é, no entanto, o aumento da tolerância é multiplicar o número de indivíduos que gozem de verdadeira felicidade e cujo principal prazer não seja causar sofrimentos aos outros homens seus irmãos.

Autor: Bertrand Russell
Transcrito do Livro: «A Conquista da Felicidade»
«Guimarães Editores» -Lisboa