12.05.2010

PRECISAMOS DO SEU APOIO



















SÍNTESESÍNTESES

UMA PROPOSTA INOVADORA - REGIONALIZAÇÃO

Um projecto de Regionalização deve pensar em primeiro lugar nas populações, depois nos equipamentos a pôr ao seu serviço - porque toda a medida de progresso deve ser o Homem e a sua relação com a Terra. Esta, enquanto território, deve ser a segunda grande realidade a ter em conta.
Há portanto factores culturais e físicos determinantes num projecto de regionalização e não só económicos, porque é sempre muito forte e afectiva a ligação dos homens ao passado e ao meio. O futuro depende da conjugada acção desses três elementos. As civilizações têm sido feitas com eles e, se olhamos para a história, vemos que os homens, desde os primórdios, têm procurado a sua proximidade da água como elemento à sua fixação, o princípio mais elementar de regionalizar.
Ao levar em conta este conjunto de factores - bacia hidrográfica e demográfica - na sua proposta de regionalização, o cidadão Gilberto Madaíl, que ocupou o cargo e desempenhou funções de governador Civil de Aveiro nos anos 90, não se limitou à pedrada do charco. A nosso ver, jogou com os factores certos para um processo cheio de interesse. Por isso, porventura polémico, até porque propositadamente se parece alhear da carga política que não pode deixar de envolver a sua iniciativa.
É uma proposta a merecer estudo ponderado e análise serena, sem dúvida, e naturalmente sujeita a correcções que o seu autor não enjeitará. Suponho que esteja mesmo interessado em participar no aprofundamento do estudo que apresentou à Comunicação Social e que agora vai seguir o seu caminho. Não haverá também dúvidas, até pelo efeito surpresa e sentido inovador, que a proposta irá sempre ser contestada por certos sectores ou interesses.
O certo é que a Regionalização ou se faz ou não se faz. Ou a Constituição se cumpre ou é revista. Se for cumprida, a proposta de Gilberto Madaíl não pode deixar de ser levada em consideração por que ela é um subsidio valioso e lúcido - além de actual - sobre a Regionalização.
Além do mais, a proposta do processo, ou o processo proposto deixará quase intocáveis os actuais distritos e o campo livre à voz das populações. O que não é de pouca relevância.

NB: Sobre este assunto, convém consultar o Jornal de Aveiro, edição nº. 642 de 20.12.90.

Empresas Amigas da ADASCA

A ADASCA mantém um Protocolo com Ergovisão desde o ano de 2007, que foi assinado no dia Mundial do Dador de Sangue, Comemorado no Hotel Milá.


Recentemente, também foi assinado um Protocolo com a RiaÓptica, localizada na Avenida principal da Costa Nova, sentido Vagueira.




















A ADASCA está aberta
a assinar mais Protocolos, desde que as condições sejam viáveis e vantajosas para os nossos associados e seus familiares mais directos.






12.02.2010

DOAR SANGUE FAZ BEM Á SAÚDE

DOAR SANGUE FAZ BEM À SAÚDE

Doar sangue é uma acção relativamente simples. Leva apenas alguns minutos e o desconforto, se há algum, é mínimo.

Existem, porém, outras formas de doação, de igual valor e importância. Na verdade, quer ocasionalmente doe ou não, um pouco do seu sangue, você está definitivamente classificado entre aqueles que são "nascidos para doar".

Lembramos que a necessidade de sangue faz-se mais sentir durante as Férias de Natal, Passagem do Ano, Carnaval e pela Páscoa, pelo que convidamo-lo a consultar neste Blog os dias e horários das Colheitas de Sangue que vão decorrer no Posto Fixo da ADASCA.
Se é saudável aceite o nosso Convite no sentido de aderir a esta elevada causa social e pública.

Dar sangue não engorda nem emagrece, não cria habituação, bem pelo contrário, transmite-nos uma agradável sensação pelo facto de estarmos a ser SOLIDÁRIOS para com o próximo que nem conhecemos, mas que poderia ser um de nós.

Não deixe de tomar o pequeno-almoço e faça-se acompanhar do B.I. para facilitar a inscrição junto do Administrativo do IPST.

Compareça, seja SOLIDÁRIO(A). Pode ainda consultar o site da associação site:www.adasca.pt

Joaquim Carlos

12.01.2010

TODOS SOMOS IGUAIS MAS...

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA
Decreto de Aprovação da Constituição de 10 de Abril de 1976
PREÂMBULO
A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista.
Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.
A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No exercício destes direitos e liberdades, os legítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do país.
A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.
A Assembleia Constituinte, reunida na sessão plenária de 2 de Abril de 1976, aprova e decreta a seguinte Constituição da República Portuguesa - que se não é devia ser conhecida de todos como a Tabuada na 1ª. Classe ou como o Código da Estrada, e isso não acontece.

"1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a Lei.
2 . Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de acedência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica ou condição social."
Estas frases, belas, dignas de serem lidas mais do que uma vez, nobres, etc., etc. (acrescentem todos os adjectivos que quiserem), são nada mais nada menos que o artigo 13º. da Constituição da República.
"- Afinal, nós portugueses também defendemos o valor igualdade! Até temos na nossa Constituição um espaço para ele!", poderá estar a pensar o caro leitor, ao ler tão valiosas linhas. Porém... pense por uns minutos.
Contemple bem o Mundo à sua volta. De certeza que encontrará inúmeros exemplos que demonstram que o que está escrito no papel é bem diferente da realidade que conhecemos.
Vai ver que, muitas vezes, não aceita a opinião do seu vizinho pelo facto de ele ser de raça negra, ou, ainda, que a maior parte das vezes não dá razão à sua esposa (quando ela a tem) pelo facto de ela ser do sexo oposto; ou, então, "foge" de um colega ao vê-lo na rua pelo facto de ele ser de outra religião ou de ter outras convicções políticas. Nunca passou por nenhuma destas situações?
Bom, vejamos então por aquelas que já passou com certeza.
Quantas vezes foi a um Hospital, esperou cerca de meia hora (quando não é mais) para ser atendido e viu outro indivíduo que chega nesse mesmo instante, tem maiores posses monetárias, não espera nem cinco minutos e é logo chamado para ser atendido?
Quantas vezes foi a um restaurante e viu o empregado dirigir-se à mesa do lado com todo o requinte e honras da casa e a si trata-o "abaixo de cão"?
Quantas vezes foi a um tribunal acusar homens de grande prestigio comercial, por fraudes absurdas que cometeram, e no fim são absolvidos? - ficando você em apuros?...
Muitas sem dúvida!!!
Pois é caro(a) amigo(a), quando somos nós a rejeitar os outros, está tudo bem. Mas, e quando são os outros a rejeitarem-nos? Estará tudo bem? Já Henrry Becque: "O mal da igualdade é que nós só a queremos ter em relação aos nossos superiores."
Todos somos diferentes no aspecto físico, no aspecto psicológico, ideológico, enfim, em todos os aspectos que nos compõem. No entanto... deveríamos (note-se bem, DEVERÍAMOS e não SOMOS) ser todos iguais iguais perante a Lei, deveríamos ser tratados de forma igual pela sociedade, deveríamos todos ter iguais direitos.
Uma coisa é certa. a sociedade continua a dizer: TODOS SOMOS IGUAIS... mas nada de ilusões: UNS MAIS IGUAIS QUE OUTROS!!!
Ou estarei equivocado? Compartilhe connosco a sua opinião.

Por Joaquim Carlos


A PUREZA MORAL

TRÊS ARGUMENTOS MORAIS

As provas morais são assim chamadas, não por se contentarem com uma certeza aproximada, mas porque se deduzem da natureza moral do homem.
Reduzem-se a três: a prova social e histórica, que se funda na universalidade da crença em Deus; a prova psicológica, que se baseia nas aspirações da razão humana; e a prova propriamente moral deduzira da existência do dever.
I - Prova do consenso universal
É um facto: a humanidade no seu conjunto admite unanimemente a existência da divindade ; ora esta unanimidade supõe a verdade supõe a verdade do seu objecto: logo Deus existe.
1 - A primeira prova-se pela História das religiões. Com efeito, esta ciência tem feito tantos progressos que pode assentar com a verdade estas conclusões: em toda a parte encontramos a ideia de Deus sem podermos verificar como ela se formou; esta fé num Ser Supremo é o fundamento da religião dos povos primitivos.
A Escola evolucionista inglesa com Andrew Lary, a Escola etnológica católica com o P. Schmidt afirmam esta verdade. Todas as civilizações, todos os «ciclos culturais» dão testemunho deste facto. Mais recentemente, os habitantes da Terra do Fogo descobriram o seu segredo e confirmavam o que se conhecia de todos os povos africanos: Bantos, Hotentotes, Pigmeus e Australianos. Este mesmo deísmo se encontra em todas as civilizações históricas. China antiga, Assíria e Babilónia, raças Smíticas, Fenícias, Egipcíacas e Indo-Europeias. Os congressos de Etnologia e de História das religiões recolhem cada ano factos novos e comprovativos. Se das massas passarmos ao escol intelectual, veremos, como afirma Elias de Cyon que todos os inventores das ciências positivistas adoravam Deus. Um estudo feito sobre o século XIX época em que mais dominou a incredulidade entre as pessoas ilustradas, conclui: «para nos referirmos só aos grandes iniciadores da ciência, 4% eram ateus e 96% crentes (A. Eymieu, La part des croyants dans les progrès de la science).
2 - Quanto à menor do argumento, devemos confessar que a constância e a perpetuidade de um testemunho de si não provam directamente a verdade da coisa atestada, mas somente a permanência na natureza humana de uma razão de crer nessa coisa. Procuremos, pois, essa razão a fim de lhe conhecermos o valor. Ora nós sustentamos que nenhuma das teorias modernas dá razão cabal do facto. Passemos em silêncio, por serem pouco científicas, as que recorrem ao engano e ao equívoco. As teorias evolucionistas julgam ver no facto religioso uma actividade ascensional e progressiva, que procede de formas vagas e primitivas. Mas as hipóteses que se fazem opõem-se às próprias teorias. Supõem que o culto religioso é evolução da magia: ora, a magia supõe já um culto religioso; - o totemismo, o respeito dos tabos, supondo que eram primitivos e universais, exigem previamente o sentimento de dependência essencial, que serve de ponto de partida a todas as provas morais; finalmente, o animismo e o pré-animismo só fazem sentido enquanto revelam o sentimento profundo que o homem sempre teve da sua impotência, e o seu instinto de procurar a razão última das coisas.
Este é o verdadeiro valor do argumento tirado do consentimento universal; mostra-nos a alma humana eternamente e braços com os mesmos enigmas, o coração humano que procura compreender este dever que lhe é imposto e ao qual se não pode subtrair, o espírito humano que deseja apreender o que se encobre com as aparências, isto é, a última razão das coisas; deste modo chegamos às provas baseadas na contingência, na finalidade e na moralidade.
II - Argumento das aspirações da alma humana
Como já observamos ao demonstrar a imortalidade da alma, é facto constante a tendência do homem para o infinito com todas as forças da sua alma.
Ora, esta aspiração irresistível para um bem sem limites, exige uma razão suficiente que explique a sua existência. Este desejo profundo da nossa natureza, este amor de si, que é amor do Ser, e que nos é tão íntimo como nós mesmos, não é coisa vã. Como todos os outros dados reais, está submetido aos princípios de razão suficiente e de finalidade e por eles deve ser explicado.
A presença destas aspirações infinitas em nós, unida aos princípios de razão suficiente e de finalidade, vem reduzir-se, como a prova precedente, nos argumentos fundados na contingência e na finalidade. Notemos além disso, que esta é a raiz pela qual se fixam mais facilmente na alma humana os argumentos tradicionais; é o que dá a esta prova o cunho de originalidade e o valor que possui.
III - Prova tirada da lei moral
1 - A obrigação moral é um facto. Resume-se em que eu não sou moralmente livre para cumprir ou não certo acto; e que, cumprindo-o, vou contra a minha natureza de ser racional, à qual não posso renunciar sem ao mesmo tempo renegar aquilo a que a minha natureza tende necessariamente como a seu fim. Assim o bem moral, a ordem moral impõe-se-nos primeiramente dum modo necessário; só depois se apresenta a razão a comprovar o facto e a sancioná-lo.
2 - Com efeito, no acto fundamental pelo qual o «eu» toma consciência de si próprio, apreende-se a si mesmo como orientado, necessariamente e por sua natureza, para o seu aperfeiçoamento moral.
3 - Apreendemo-nos, pois, a nós mesmos como submetidos a uma lei moral, que nos é imposta pela nossa vontade profunda e que nós não podemos abolir ou mudar. É um novo aspecto da nossa contingência; mas como se vê facilmente, esta contingência é de ordem moral; é dependência, heteronomia radical que não se pode explicar senão pela existência e influência duma vontade pessoal absoluta, legisladora moral, e simultâneamente causa primeira. O princípio de razão suficiente, que na ordem ontológica nos permite ascender do ser contingente ao ser necessário, obriga-nos aqui a remontar-nos da vontade essencialmente dependente à vontade absolutamente autónoma.
4 - Este argumento, fundado no dever, é, com o argumento das causas finais, o que mais vivamente impressionou Kant, como ele mesmo declarou, apesar de não lhe ter dado o seu verdadeiro valor.
O céu estrelado por cima de nossas cabeças, alei moral centro de nós, mesmos são dois objectivos que enchem a alma de admiração e respeito sempre renascentes.

(artigo em construção)


11.30.2010

SEPARADOS PELA MORTE



SEPARADOS PELA MORTE

Em muitos corações, quebrantados pela morte dum ente querido, têm ecoado as palavras de Jacob:«Se perder os filhos, sem filhos ficarei» (Gn 43:14). Desespero e pessimismo afligiam a alma de Jacob, mas a verdade é que José não tinha morrido, como ele imaginava, nem Benjamim ficaria desterrado para sempre, como ele receava.

Para nós, contudo, a separação pela morte não é uma ilusória imaginação. Pelo contrário, é muitíssimo real; jamais veremos aqui na Terra a pessoa amada que a Morte arrebatou, seja filho, marido ou esposa. Partiram, deixando-nos um sentimento de abandono e de perda irremediável. A vida nunca mais volta a ser a mesma, ainda que defrontemos a nova situação com coragem.
Algumas separações, resultantes da morte dos entes queridos, são particularmente difíceis de suportar, tais como a morte dum filho único ou do
marido, na flor da vida, deixando a viúva com a responsabilidade de prover às necessidades das crianças, sobretudo quando uma delas é inválida ou sofre de doença crónica que requer cuidados especiais.
Não pode deixar de haver um sentimento de abandono e solidão. No nosso isolamento e desespero, podemos sentir-nos incapazes de enfrentar o futuro incerto. Algumas vezes a Morte surge em condições dramáticas e imprevistas.

Procuro assim escrever num espírito de compreensão, como quem já passou por experiência semelhante e hoje não tem qualquer parente próximo. O crente pode defrontar esta situação, uma das piores que se conhecem, de maneira diferente por que é encarada pelas pessoas do mundo. Procedendo como verdadeiros cristãos, dando testemunho vivo da nossa firme crença e da confiança que temos no que as Escrituras Sagradas ensinam sobre o problema da morte.
Temos de nos sentir tristes, inevitavelmente, quando um ente querido parte para não mais voltar ao lar, onde juntos partilhámos a vida em mútua harmonia. Há uma grande diferença entre a situação da pessoa que sobrevive e a da que partiu, após a descida do véu que as separou, pois o que partiu já não sente as tristezas deste mundo. O sentimento de separação, ainda que desolador, é mitigado, quando meditamos sobre determinadas passagens da Sagrada Escritura.
O apóstolo Paulo diz que não nos devemos entristecer como os demais, que não têm a esperança que nós temos (I Ts 4:13). Ele refere-se aos que morreram na fé, como os que «dormem em Jesus», e afirma categoricamente que Deus os tornará a trazer com Ele, isto e, não se separaram de nós para sempre; haverá uma abençoada reunião, porque seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares.
Será que tudo termina aqui neste lugar? Estamos neste mundo por engano?
A seguir, Paulo declara que os que morreram não só dormiram em Jesus, mas estão «com Cristo», o que é «muito melhor», portanto, «o morrer é ganho» (Fp 1:21,23). Falarmos da Morte como essa coisa desejável só é possível quando a consideramos como o meio de entrarmos no usufruto da bem-aventurança e da glória, das quais, presentemente, não temos uma verdadeira concepção.
Naquela passagem, Paulo salienta principalmente o ganho e a alegria duma vida vivida com Cristo, supremo objectivo do crente. Para ele, «o viver é Cristo» (Fp 1.21). Por isso ele dizia que estava em aperto, hesitante entre os dois caminhos. Preferia partir para estar com Cristo mas, por outro lado, ele reconhecia que, permanecer na carne seria necessário, por amor dos Filipenses. Muito bem disse o Bispo Moule: «Em qualquer dos lados do véu, Jesus Cristo era tudo para ele. Assim, ambos os lados do véu são bons, divinamente falando; só há uma diferença: as condições do outro lado do véu são tais que a tão ansiosamente esperada comunhão com o Mestre será muito mais perfeita e real no além.
(Porque toda a carne é como a erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor, I S. Pedro 1:24).
Ansioso espero entrar/ Na terra além do véu;/ Dos santos o feliz lugar,/ Jerusalém do Céu. No corpo preso vou;/ As glórias longe estão;/ Mas cada vez mais perto estou/ Da pátria do cristão.
A morte é descrita como a dissolução deste tabernáculo (o corpo). O dia virá quando o que é corruptível se revestirá da incorruptibilidade, e o que é mortal se revestirá da imortalidade. Quando este tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna nos céus (2ª. Co. 5:1,2). O corpo é comparado a uma barraca de campanha, abrigo ligeiro, para uso temporário, semelhante às tendas dos beduínos, que podem ser levantadas a toda a hora. Feliz o homem que, espiritualmente, está pronto para se encontrar com o seu Criador.
Não esqueçamos que este tabernáculo, em que vivemos temporariamente, pode ser desfeito (v. 1), pois é bem frágil e dificilmente suporta os conflitos e tempestades da vida. Este tabernáculo terrestre (nosso corpo), em que gememos e de que ansiamos libertar-nos, vai dar lugar à nossa à nossa habitação celestial. Em contraste com a tenda de campanha, será uma sólida construção, um edifício que permanecerá para sempre. A mesma palavra é usada para descrever o Templo de Herodes (Mc 13:1). Será uma habitação perfeitamente adequada e adaptada à nossa vida na Glória. Presentemente, enquanto no corpo, estamos ausentes do Senhor, mas quando se der a dissolução, então estaremos ausentes do corpo e presentes com o Senhor no Lar celestial (2 Co 5:8).
A morte também é descrita como uma saída - literalmente êxodo (2 Pe 1:15), isto é, saída para fora do corpo. Mas, se é uma partida, também é uma entrada, pois no mesmo contexto Pedro diz que nos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
A morte, vista deste lado, é uma saída, mas observada do outro lado é uma entrada. É como se
fôssemos transplantados dum vaso quebrado, para desabrocharmos mais perfeitamente no jardim celestial; é como a passagem por um pequeno túnel, curto e escuro, para emergirmos imediatamente naquela nova terra, onde o Dia nunca acaba. Portanto, a Morte é:
1 - Adormecer em Jesus;
2 - Estar em Cristo, o que é muito melhor;
3 - Ser recebido no Lar Celestial;
4 - Habitar com o Senhor na morada que foi preparar para nós, os salvos por Ele (Jo 14:1-3).
Como tudo é diferente deste frágil tabernáculo terrestre. Na ressurreição, também, receberemos as coisas feitas no corpo (2 Co 5:10). Neste mundo, não temos visto o resultado ou a recompensa final de tudo quanto temos feito. As coisas que fizemos serão julgadas e então receberemos o merecido galardão.

Devemos, confiadamente, aceitar tal verdade, mas nos dias que se seguem ao da morte do ente querido, a dor parece difícil de suportar. Para vos dar um exemplo que possa ajudar-vos, prefiro citar as palavras dum outro escritor, em vez de vos narra a minha própria experiência.
Pouco depois do falecimento da esposa e da perda do único filho, o Bispo Moule diz: «Eu desejaria não ser fraco nem egoísta na minha dor, mas sou ambas as coisas, fraco e egoísta, contudo o meu Senhor pode e quer levantar-se, para pensar menos em mim e mais n'Ele e ajudar-me a cuidar mais dos que também lamentam a perda dos seus queridos. Devo tratar da minha saúde e, depois dum descanso de cinco ou seis semanas, prosseguir no meu
trabalho.» Noutra carta, passado pouco tempo, ele escreveu: «O Senhor Jesus guarda-me tranquilo e em paz: é agradável saber que a Sua mão está comigo. Assim, afasta Ele o negrume da solidão. A minha natural tendência é recordar e reviver o passado sem cessar, saudoso e lamentando-me mas, gradualmente, a nota predominante dá lugar à acção de graças por tudo quanto se passou. Eu descobri que a acção de graças, espontânea e diligente, é um valioso calmante.»
Há pessoas que passam horas sem conseguir dormir e que, ao recordarem certas datas, sentem uma estranha solidão e assim o seu espírito se perturba, invadido pela tristeza. Que remédio haverá para isto? Aprender e dar graças ao Nosso Senhor Jesus pelos admiráveis bens que uma recordação do passado pode trazer à memória; assim pode dissipar-se a sensação triste da solidão. Há coisas que perduram e não cessam de produzir fruto: elas continuarão a enriquecer-nos, tornando-nos ainda mais intimamente e duma forma geral ao provir de felicidade e santidade, de que participaremos quando deixarmos a Escola de Deus e o Seu ensino aqui em baixo, para passarmos à presença de Deus e lá nos encontramos com os ente queridos, cuja memória tão preciosa nos é.
Não devíamos viver só das gratas recordações do passado, mas devíamos disciplinarmo-nos, a fim de prosseguir com zelo sempre crescente nos deveres normais desta vida, pois a dedicada perseverança no Serviço do Senhor tem provado ser um admirável bálsamo para o espírito atribulado. Alguém, que tinha perdido a esposa e cinco filhos, disse: «Procurai força e graça para isto, e ser-vos-ão dadas.
Apesar de tudo, a sensação de tristeza pode perdurar até passarmos para além do véu, a despeito de todas as actividades da vida e agradáveis recordações. O Bispo Moule diz que, durante alguns dias, os seus pensamentos e os anseios da sua alma tinham por fulcro a sua saudosa esposa e filha.
Se não fosse por amor a Cristo, a sua vida teria sido inútil e infrutífera, mas Cristo tem o poder de tudo modificar! Ele dá-me capacidade, em certa medida, para compreender que é possível aceitar a perda dos entes queridos com tal resignação que nos conformamos com a situação, sobretudo se descobrimos que a nova situação nos permite prestar maior ajuda espiritual aos que sofrem.


NB: Este artigo foi publicado na Revista Evangélica "NOVAS DE ALEGRIA", edição de Fevereiro de 1990, págs.32, 33 acompanhado de foto minha.