11.14.2010

SOCIEDADE E DIREITOS HUMANOS


SOCIEDADE E DIREITOS HUMANOS


Num universo onde o ser humano representa o ápice de uma evolução multimilenar, num universo onde o animal racional anda de pé com o coração acima do estômago, mas com a cabeça cima do coração, os direitos humanos não deveriam ser uma meta a atingir, mas sim conquista já assegurada.

Não obstante, longa é a distância que nos separa desta grande utopia, deste grande ideal. Alguns exemplos nos relembram esta trágica realidade:

1 -) Respeita os direitos humanos uma sociedade, onde poucos comem em mesas fartas enquanto para milhares na mesa tudo falta? Penso claramente que não, a fome os diversos tipos de miséria no nosso País são prova evidente disso.

2 -) Respeita os direitos humanos uma sociedade onde alguns poucos ganham salários sem mínimos, enquanto a maioria recebe mínimos que na verdade, nem salários são? A realidade é mais que evidente, não adianta escamotear, recorrer-se à lei da sobrevivência.

3 -) Respeita os direitos humanos uma sociedade, onde os "latifundiários" acumulam terras deixando outros sem terra nem para se enterrar? A margem Sul do nosso País, é mais que evidente, embora pouco tenha mudado com o 25 de Abril.

4 -) Respeita os direitos humanos uma sociedade, onde muitos vivem na rua, sem tecto nem chão, e crianças inocentes cruzam esquinas morando sem ter onde morar, de acordo com o que lhes consagra a sua Declaração de Direitos da Criança? As reportagens vindas a público são mais que evidentes e falam por si, logo dispensam comentários.

5 -) Respeita os direitos humanos uma sociedade, onde os bancos cobram cada vez mais caro pelos seus serviços prestados, e os enriquecidos banqueiros só faltam cobrar imposto a quem lhes passa à porta? NÃO.

6 -) Respeita os direitos humanos uma sociedade, que desconhece as raízes profundas dos conflitos laborais, apostando na resignação? Evidentemente que não, a culpa é sempre dos outros e nunca nossa.

7 -) Respeita uma sociedade os direitos humanos, onde a violência cresce de maneira a vitimar especialmente as crianças, idosos, mulheres e outras minorias marginalizadas? As notícias vindas a lume, atestam que não, ouçamos esses seres humanos para percebermos melhor o seu drama.

8 -) Respeita uma sociedade os direitos humanos, que prende, tortura e mata os mais fracos, privando os familiares do sagrado direito de contemplar os rostos na hora de enterrar seus entes queridos? Disso temos o exemplo dos crimes que foram cometidos em alguns Postos da GNR e PSP, não muito recente. Nestes casos não há direito humanos a respeitar, lamentavelmente... parece que uns são mais humanos que outros.

9 -) Respeita os direitos humanos uma sociedade, onde se morre por incúria nos hospitais, enquanto se espera nos corredores, ou se procede a transferências sem as mínimas garantias de que os direitos dos doentes são respeitados/acautelados? Com certeza que não, o que vale é que os cidadãos que acabam por falecer nestas instituições não falam.

10 -) Respeita os direitos humanos uma sociedade, onde tudo está para ser construído, mas o trabalhador não encontra trabalho? As estatísticas do desemprego são disso uma flagrante.

11 -) Respeita os direitos humanos uma sociedade, onde os crimes de colarinho branco terminam com a impunidade de quem os pratica? Ainda há quem afirme que a lei é cega e igual para todos.
Que afirmação tão aberrante, façamos um exame de consciência, e uma visita à nossas cadeias para verificarmos que classe de pessoas lá estão presas.

12 -) Respeita os direitos humanos uma sociedade, onde uma injusta distribuição da riqueza é uma implacável miséria esmagando assim o País, nos seus mais nobres valores humanitários? Caso contrário, como se compreende que os ricos são cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres...
Estes exemplos dão que reflectir, quem tem a coragem de ficar indiferente a todos eles. Esta dramática realidade toca-nos indirectamente a todos nós.

Não é de mais lembrar que a Assembleia da República, instituiu um Prémio alusivo à Declaração Universal dos Direitos Humanos, sendo atribuído no dia 10 de Dezembro, Dia Nacional dos Direitos Humanos no valor de 25 mil Euros ao melhor trabalho jornalístico apresentado.

Há tantas Declarações de Direitos elaboradas pelas mais prestigiadas instituições, como no caso da Organização da Nações Unidas (ONU), que até se confundem umas com as outras, na medida que nenhuma delas é respeitada na integra, tendo em conta às diversas convulsões em que o mundo está atravessando. Todas elas pelo que me foi dado ler, a que mais me surpreendeu, foi a Declaração Islâmica Universal dos Direitos Humanos, no capítulo 1, alínea a) onde declara que: "A vida humana é sagrada e inviolável e todo esforço deverá ser feito para protegê-la. Em especial, ninguém será exposto a danos ou à morte, a não ser sob a autoridade da Lei" assim como no capítulo XIII respeitante ao direito à liberdade de Religião que passo a citar: "Toda a pessoa tem direito à liberdade de consciência e de culto, de acordo com as suas crenças religiosas."

A Declaração a que faço referência, é composta por 23 Capítulos, mas, os textos que acima foram transcritos são os mais salientes. Tendo em consideração os acontecimentos registados nos países muçulmanos, a contradição na sua prática é clara e flagrante, pois o fundamentalismo religioso fala mais alto, revelando-se mesmo doentio, violando claramente o texto integral da sua Declaração, promovendo assim uma discriminação de raças e de religiões, fazendo disso uma prática corrente, eliminando fisicamente quem não concordar com os princípios do islamismo estabelecido, logo estamos perante uma Declaração de boas intenções.

Na Declaração Universal dos Direitos Humanos, conforme a versão popular de Frei Betto, ficamos a saber que:
- Todos nascemos livres e somos iguais em dignidade e direitos. Todos temos direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal e social. Todos temos direito de resguardar a casa, a família e a honra. Todos temos direito ao trabalho digno e bem remunerado. Todos temos direito ao descanso, ao lazer e às férias. Todos temos direito à saúde e assistência médica e hospitalar. Todos temos direito à instrução, à escola, à arte e à cultura. Todos temos direito ao amparo social na infância e na velhice. Todos temos direito à organização popular, sindical e política. Todos temos direito de eleger e ser eleito às funções de governo. Todos temos direito à informação verdadeira e correcta. Todos temos direito de ir e vir, mudar de cidade, de Estado ou país. Todos temos direito de não sofrer nenhum tipo de discriminação.

Mais: Ninguém pode ser torturado ou linchado. Todos somos iguais perante a lei. Ninguém pode ser arbitrariamente preso ou privado do direito de defesa. Toda a pessoa é inocente até que a justiça, baseada na lei, prove o contrário. Todos temos liberdade de pensar, de nos manifestar, de nos reunir e de crer. Todos temos direito ao amor e aos frutos do amor. Todos temos o dever de respeitar e proteger os direitos da comunidade. Todos temos o dever de lutar pela conquista e ampliação destes direitos.

Enfim, tantos direitos para tão pouco respeito pelos mesmos. Meus senhores que elaboram as leis, ministros e respectivos deputados criem os devidos mecanismos para os fazerem cumprir na prática estes direitos e não tanto na teoria, em beneficio de todos os não só de alguns como em regra geral vem acontecendo.

O que aqui fica escrito/reflectido são direitos e valores a defender por quem de direito, para que tenhamos uma sociedade mais saudável. Esta é a minha tese, é minha opinião e assiste-me o direito de a expressar e defender todos os dias, sob pena de sofrer as suas consequências.

Uma sociedade que não respeita integralmente os Direitos os Humanos, é uma sociedade condenada a prazo, uma sociedade desmembrada, decadente que se vai suicidando lentamente.

Por Joaquim M. C. Carlos
Trabalho apresentado à Assembleia da República em Agosto de 2006, tendo sido conferido um Certificado de Participação, então com Carteira de Jornalista TE nº. 338.



11.13.2010

És Um HOMEM, Se...

És Um HOMEM, Se...

Se és capaz de conservar o teu bom senso e a calma,
Quando os outros os perdem, e te acusam disso,

Se és capaz de confiar em ti, quando de ti duvidam
E, no entanto, perdoares que duvidem,

Se és capaz de esperar, sem perderes a esperança
E não caluniares os que te caluniam,

Se és capaz de sonhar, sem que o sonho de domine,
E pensar, sem reduzir o pensamento a vício,

Se és capaz de enfrentar o Triunfo e o Desastre,
Sem fazer distinção entre estes dois impostores,

Se és capaz de ouvir a verdade que disseste,
Transformada por canalhas em armadilhas aos tolos,

Se és capaz de ver destruído o ideal da vida inteira
E construí-lo outra vez com ferramentas gastas,

Se és capaz de arriscar todos os teus haveres
Num lance corajoso, alheio ao resultado,
E perder e começar de novo o teu caminho,
Sem que ouça um suspiro quem seguir ao teu lado,

Se és capaz de forçar os teus músculos e nervos
E fazê-los servir se já quase não servem,
Sustentando-te a ti, quando nada em ti resta,
A não ser a vontade que diz: Enfrenta!

Se és capaz de falar ao povo e ficar digno
Ou de passear com reis conservando-te o mesmo,

Se não pode abalar-te amigo ou inimigo
E não sofrem decepção os que contam contigo,

Se podes preencher todo minuto que passa
Com sessenta segundos de tarefa acertada,

Se assim fores, meu filho, a Terra será tua,
Será teu tudo que nela existe

E não receies que te o tomem,

Mas (ainda melhor que tudo isto)
Se assim fores, serás um HOMEM.

Rudyard Kipling

NATAL DESFIGURADO PELO CONSUMISMO

NATAL DESFIGURADO PELO CONSUMISMO

Estamos a preparar a Festa do Natal que a partir da sua origem espiritual, assumiu uma dimensão acentuadamente social. Nada teria de negativo esta transposição para o campo social, se não tivesse caído nalguns erros próprios das sociedades modernas.
Um desses erros é o aparato consumista das compras e vendas, dos presentes dados e recebidos, da publicidade e dos gastos excessivos, do esbanjamento de alguns em contraste com a fome de outros.
É certo que nalgumas cidades, vilas e aldeias se organizam campanhas de apoio às famílias mais pobres, cabazes de Natal para os mais carenciados, festas de empresas com comes e bebes e com brinquedos para os mais pequenos. E também existe maior relação entre parentes e conhecidos com visitas e encontros que representam e originam maior fraternidade. Tudo o que conduza a uma vida comum mais fraterna é caminho para uma melhor vivência do Natal, e concretiza em cada pessoa, nas famílias e nas comunidades o espírito e a verdade do nascimento do Salvador.
Com esta mensagem que naturalmente não passará despercebida aos leitores deste Blog, em plena preparação da Festa de Natal, como ainda em plena realização de algumas expressões sociais humanistas, desejamos contribuir, ainda que modestamente, para uma melhor vivência do Natal e para prolongar o que ele tem de bom e todos os dias que se lhe seguem.
A titulo pessoal, quero agradecer a todos a atenção dispensada, o bom acolhimento que este Blog tem tido, ainda que os comentários não surjam, mas, temos a certeza de que é consultado por largas centenas de leiotres.
A todos os leitores desejo um Santo Natal e um Ano Novo de 2011 cheio de felicidade e das melhores bêncãos do céu.
Concerteza que entraremos no próximo ano animados de esperança e vontade de bem servir os leitores deste Blog.
Lembro que está em marcha uma Campanha para angariação de géneros alimentares e donativos em dinheiro, a favor de famílias dadoras de sangue, numa parceria com a MOTRINDE, aliás como pode ser lido neste Blog.
Por favor colaborem e façam alguém que nem mesmo conhecem um pouco mais feliz nesta quadra natalícia. Nós sabemos onde existem essas pessoas...
Sobre esta iniciativa podem ser recolhidas mais informações através dos telefones: 234 914 411, Senhora Vera Paiva da MOTRINDE ou 234 338 018, sede da ADASCA, tal como através do e-mail: geral@adasca.pt
Joaquim Carlos
Presidente da Direcção da ADASCA

11.10.2010

MEDITANDO... QUEM SOU EU?


MEDITANDO... QUEM SOU EU?

Eu sou quem cogita todos os enredos, fabrica e exporta as maiores mentiras e germina as calúnias; passo dia após dia a especular a vida alheia, levando e trazendo de um para o outro lado tudo quanto é intriga e mexerico, pelos quais dou todos os minutos que são necessários e não perco uma oportunidade.
Eu sou quem semeia a discórdia entre irmãos, parentes, amigos, famílias e não perco um só instante para alimentar ódios, vinganças, rancores e desgraças, quando não sou a causadora directa dos mesmos.
Eu tal com o um grande incêndio tudo liquido, nada respeito, minha fome é infinita, tenho uma sede inextinguível.
Sirvo fielmente à inveja e à soberba; uso todos os meios de comunicação tais como: telefone, rádio, televisão, jornais, Internet, etc., para entre as nações fomentar guerras, germinando desentendimento entre aqueles que as dirigem, provocando ódio, rancor entre os povos. Vejam o que está acontecendo por este mundo fora... eu estou lá presente.
Não tenho estacionamento, de casa em casa ando denegrindo a reputação de todos.. "Nem os mortos eu deixo em paz, pois desenterro-os para saciar-me de carne corrompida, isto é, trago à luz seus vícios e pecados mesmo que já estejam julgados e perdoados."
Marco presença em todas as repartições públicas, tribunais, gabinetes, consultórios, hospitais, hotéis, partidos políticos, clubes de todo o tipo, praias, residências humildes e luxuosas, cumprindo minha tarefa diária, trazendo entre duas ou mais pessoas a discórdia, a desarmonia, espreitando até o que se passa no interior das igrejas...
Vejam só como funciono na Assembleia da República, sou como a espada de dois gumes, mas, poucos a sabem utilizar.
"Sou mais vingativa que a morte, pois esta detém-se ante o pó do sepulcro e nele descansa, mas eu continuo desempenhando a minha missão.
Sou de facto um mundo de iniquidades de mal e malícias."
Agora, depois de todo este paleio, sabe em quem sou EU?
Eu sou a MÁ LÍNGUA.

Joaquim Carlos

NB: Este livro pode ser requisitado ao Núcleo - Centro de Publicações Cristãs, Lda. Apartado 1, 2746 QUELUZ

11.09.2010

SOLIDARIEDADE ACTIVA NESTE NATAL

A ADASCA - Associação de Dadores de Sangue do Concelho de Aveiro, pede ao leitor deste Blog um pouco da sua atenção para as observações que adiante vai formular e às quais no seu íntimo responderá:
Que prefere o leitor neste Natal?
Dar/Colaborar/contribuir com o seu donativo ao acaso, sem nenhuma garantia de que será realmente profícua, ou doá-lo a uma associação que pela pelos seus objectivos na área da saúde, vem despertando a opinião pública para a máxima importância da dádiva de sangue, apesar da evolução tão avançada da ciência médica, mas que até ao presente ainda não conseguiu uma alternativa à transfusão sanguínea, como forma de superar as despesas que inevitavelmente são sempre certas?
O que prefere o leitor?
Ser constantemente assediado com pedidos de toda a ordem, uns mais sérios que outros, ou praticar uma SOLIDARIEDADE dispersa, quando na verdade pode ajudar directamente a solidificar uma associação como a ADASCA, com objectivos estatutários claros nas áreas da Assistência Médica e Social a Dadores e Ex-dadores de Sangue, Promoção de Campanhas de Sensibilização para Novos Dadores e Promover Campanhas de Colheitas de Sangue, como ainda a manter a continuidade do Núcleo de Voluntários da ADASCA, os tais que levam a efeito os diversos Rastreios diversas vezes ao ano?
Se o leitor meditou nas observações acima explanadas e se na verdade quer prestar a sua valiosíssima colaboração para a concretização dos objectivos que norteiam esta associação, porque não nos dá o prazer da sua colaboração solidária ou visita à nossa sede?
Amigos, então o que fazer?
Se todas as pessoas que lerem este Blog, quiserem contribuir com o seu donativo, teríamos um bom início de Ano de 2011. Naturalmente que nem todos podem colaborar, mas, acreditamos na generosidade dos nossos leitores.
Os impossíveis não têm espaço na nossa área de acção, pois somos solidários a toda a hora, todos os dias, todos os meses, durante todo o ano, a solidariedade dos dadores de sangue "fervilha" nas suas veias, em prol do próximo que nem conhecemos.
Na verdade acreditamos que cada leitor irá fazer o seu melhor e de acordo com as suas possibilidades. Seguidamente damos a conhecer como é possível colaborar.
O nosso mais sincero OBRIGADO antecipado pela atenção dispensada, com votos de FELIZ NATAL e PRÓSPERO ANO NOVO.
______________________________
SIM, ESTOU INTERESSADO EM COLABORAR COM O MEU DONATIVO
Desejando colaborar a favor de uma causa tão humana como a que a ADASCA está a desenvolver em prol da comunidade doente, o meu donativo será de:
€______ ____
Nome/Empresa:____________________________________________
Morada:__________________________________________________
Código Postal:__________________ Telefone:_____________________
NIF:_____________________ E-mail:__________________________
Por favor recorte e envie para a ADASCA, Rua de Ovar, Mercado Municipal de Santiago, Loja G, 3810-208 Aveiro, ou por transferência Bancária, cheque nominativo ou débito directo: * NIB da ADASCA: 0056 0189 99100051821.35, Montepio Geral, Balcão: Aveiro-Eucalipto, Rua de Anadia, nº. 10, Empreendimento Vila Jovem, 3810-208 Aveiro.
* Emitimos recibo sobre qualquer valor.
Informações adicionais: http://www.adasca.pt/, E-mail: geral@adasca.pt ou Telef: 234 338 018
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RECOLHA DE NATAL
Aceitam-se os seguintes bens:
- Roupas de adulto e criança,
- Calçado de adulto e criança,
- Livros de todos os tipos e para crianças,
- Envelopes,
- Tinteiros para as impressoras,
- Resmas de papel A4,
- Canetas,
- Azeite,
- Vinagre,
- Enlatados,
- Arroz,
- Massas,
- Sal,
- Frutos secos,
- Farinha,
- Bolachas/Biscoitos,
- Leite,
- Chocolate em pó,
- Bolo Rei,
- Café,
- Chá,
- Copos de plástico,
- Colheres de plástico-
- E claro, donativos em dinheiro que convém ser depositado na conta acima referida, apresentando posteriormente o comprovativo para emissão do respectivo recibo.
Local de entrega: sede da ADASCA ou na Empresa MOTRINDE-Montagens Técnicas e Reparações Industriais. S.A.
Rua da Paz - Quinta do Loureiro -3801-601 CACIA - Telef: 234 914 411.
Parceria Solidária com a Empresa MOTRINDE

Síntese: ORA TOCA A PARTILHAR - A actriz Catherine Keener, disse em entrevista à revista NS edição de 4/12/10 o seguinte: "(...) debate-se com a necessidade de ser solidária. Praticar a beneficência. Dar, conforme o título original sugere. Mas o que é isso da partilha com os mais desfavorecidos? São apenas actos isolados de dar esmola? Passa pela cultura da caridade? Num mundo cínico e com uma filha adolescente que quer sempre consumir mais, essas questões não lhe dão paz. A consciência dos americanos precisa do escape da solidariedade social, mas hesita quando lhe perguntamos se é cada vez mais difícil ser-se boa pessoa nestes dias. «O que é difícil não é ser-se boa pessoa, é sentirmo-nos bem connosco próprios num mundo cruel como este. As questões mais comuns é como somos capazes de viver com a nossa consciência, como é que dormimos tranquilos ao lado de tanto sofrimento» discorre. Esses são os típicos dilemas morais de uma comédia de Woody Allen.
Isso das obrigações morais é uma carga de trabalhos. Aqui temos a lição de uma prestigiada actriz. E, nós por cá como comportamos? Que acção solidária vimos praticando?

QUE NATAL PARA OS NOSSOS POBRES?


O meu coração, embora cansado de bater, transborda de ternura e de amor para com o seres e as coisas, nesta quadra festiva e evocativa. No entanto, nunca como nesta data, me sinto mais triste e angustioso. Lembro-me dos que nada têm, nem família ou parentes chegados, e que nesta altura se sentem como se nada fossem nesta vida e neste mundo onde se instalou a confusão.
A esses eu abro os braços, e todos os que sofrem, por várias razões, são a grande família que neles aperto de encontro ao meu coração. Mas sofro ainda mais porque não tenho possibilidade, de levar um pedaço de pão a todos os que têm fome, um agasalho aos que têm frio, uma palavra de conforto aos desesperados.
Eu sozinho, pouco posso fazer em favor dos famintos e dos desgraçados a quem a vida jamais sorriu. Mas tu, amigo, e tu aqueloutro e outro mais, todos nós em conjunto, se quisermos, somos capazes de realizar alguma coisa de belo e humano e erguer uma voz cujo eco repetirá pelas artérias congestionadas dessas grandes cidades.
As riquezas do mundo estão mal distribuídas, e em cada homem existe uma dose de egoísmo (excepção feita aos espíritos raros) que empalidece o brilho dos seus sentimentos.
Não é preciso ter a piedade de Jesus, a filosofia de Job ou a ternura de S. Francisco para dar a quem sofre. Para isso basta dedicar um único dos mil quatrocentos e quarenta minutos que o dia tem, analisar as nossas acções. Quantas iniquidades cometemos com o sorriso nos lábios, e valha a verdade, sem mesmo as avaliar. Perdulários, vaidosos e sôfregos de prazer, há homens e mulheres que consomem fortunas nas suas futilidades, quase sem discutir preço, mas pensam três vezes na modestíssima quantia com que hão-de subscrever um peditório.
É verdade que os bens terrenos não têm uma divisão equitativa, mas eu não censuro os ricos... Nada disso. Que Deus lhes aumente ainda mais a riqueza! O que eu lhes peço é que se lembrem dos que nada têm e por eles distribuam um pouquinho da sua fartura.
É isso o que eu te quero dizer, amigo. Que o teu monte cresça; gasta ou amealha, conforme queiras, mas não te esqueças de que há tanta gente necessitada a quem as migalhas da tua mesa e as roupas quase esquecidas nas tuas gavetas, poderiam alimentar e agasalhar.
Na maioria das casas ainda não existe o chamado "quarto de arrumos" que melhor se chamaria o "cemitério das coisas". Durante anos, objectos e roupas ali envelhecem, se deterioram e quando o bolor e a traça completam a sua nefasta acção, vai tudo para o lixo. Isto só tem uma qualificação: procedimento criminoso. Nalguns casos raros, dá-se a um pobre um casaco já bafiento ou um par de sapatos com as solas esburacadas. No entanto, esse casaco, há anos, quando foi "arrumado" no tal quarto, era de aspecto decente e não tinha bafio; porque não se deu nessa altura a quem dele precisasse? Para que se deixou estragar? Os sapatos que se puseram de parte, ainda em estado de conservação aceitável, por que não se deram também nessa ocasião? Porque o egoístico sentimento de posse não o permitiu. Há quem estupidamente delire em dizer para si mesmo: "está ali, é meu"! "E o está ali" apodrece, não lhe serve para nada nem aproveita a ninguém!
Não se suponha que faço aqui a apologia de se exercer a caridade apenas na quadra do Natal. Os pobres precisam durante todo o ano, mas eu, amigo, é que aproveito esta oportunidade da Festa Familiar para falar ao teu coração, para lembrar aquilo que deves fazer sempre: DAR!
Há uns anos, numa digressão que efectuei ao Algarve, li um reclame que dizia assim: "Comer chocolates da marca tal é sempre Domingo". Porquê? Porque o domingo é o dia que nos agrada, é o dia que nos dá maior prazer. Ora, para termos o prazer de dar, é sempre domingo!

O prazer de dar suplanta todos os outros. Experimenta, amigo, e verás com que alegria dás aos necessitados o que a ti não faz falta! Contudo, dá o que pode ser imediatamente aproveitado e não, por exemplo, o par de sapatos esburacados; quem os recebe não tem dinheiro para a meias solas e, por isso, continua a andar com os dedos de fora; assim dá-lhe ao menos, o necessário para o sapateiro; isso será duplamente agradecido. Não basta dar; é preciso dar o que é útil.

Dá com o coração e com a cabeça e lembra-te sempre que "dar aos pobres é emprestar a Deus". Não te sentirás ufano em ser credor da Omnipotência? Pois olha que isso é fácil. Dá tudo o que não precisares, e dá também, se assim o entenderes, alguma coisa do que necessitas. Vê bem que os pobres, como tu, possuem um estômago e, como tu também, um corpo que precisa de ser vestido. Não alimentes nem estimules com o teu óbulo (donativo) a mendicidade industriosa, mas socorre a verdadeira miséria, e principalmente a miséria envergonhada, aquela que raras vezes estende a mão à caridade pública. Eleva um pensamento a tua mãe quando encontrares aquela velhinha trôpega, recorda-te dos teus filhos quando vires dois garotinhos andrajosos, de facezitas esquáticas, e lembra-te de i próprio se eles te pedirem esmola para o pai doente.
Ah! Tu já tens lágrimas nos olhos! Bom sinal! Eu bem sabia que tinhas coração, amigo. Aproveita então esta oportunidade do Natal e faz uma revista ao "quarto de arrumos", compartimento, aliás, que agora penso que já existe nas novas casas, visto que os técnicos negaram em tempos e com razão, a sua "utilidade". Quer tenhas quer não, abre os armários, as gavetas e as malas. O que ai há de roupa que não usas! Vestido de tua mulher, fatos teus, calçado, um mundo de coisas entregues à volúpia da traça, por mais naftalina que lhe ponhas.
Não haverá ao pé da tua porta pessoas a quem sejam altamente úteis essas tuas inutilidades? Não tens a quem dar? Então despacha isso para nós, melhor entregue tudo isso na nossa associação. A ADASCA sabe onde a miséria vive; nós conhecemos pobres que necessitam do teu auxílio, aqueles a quem as coisas velhas, sem préstimo para ti, vão servir de coisas novas, cheinhas de utilidade.
Procede como te digo e, aliás como o teu coração manda. Quando vires pela porta fora os velhos trastes e roupas do teu "cemitério das coisas", sentirás um imenso alívio na consciência e um aleluia bem fundo no coração. O teu fato com que embirravas, e por isso não vestias, em vez de jazer no túmulo duma mala, vai de novo servir para cobrir um ser igualzinho a ti, mas a quem a fortuna não bafejou. Isto não te alegra? Certamente que sim. Verás como este Natal terá um novo encanto!
Sentado à mesa farta, no aconchego da tua casa e rodeado pela tua família, pousarás os olhos no Menino rosado do presépio, que, desde as palhinhas do seu berço, te sorri com elevo.
O olhar de Jesus Cristo cai sobre ti, e o seu coração, como o meu e o teu, transborda de ternura e alegria, ao ver que os homens não esqueceram de todo a verdade do Seu Verbo, nem em vão Ele viveu uma existência terrena de martírio, a pedir para os que têm fome e têm frio.
Boas Festas, amigo, e em nome dos deserdados que, nesta quadra, devem a ti um pouco de conforto, a eterna gratidão do amigo de sempre.

Por Joaquim Carlos.

11.04.2010

OS OUTROS ESTÃO A COMER AS NOSSAS BOLACHAS OU NÓS AS DELES?

OS OUTROS ESTÃO A COMER AS NOSSAS BOLACHAS OU NÓS AS DELES?

Um dia destes, chegou às minhas mãos um artigo que julguei ser bastante oportuno. É meu desejo compartilha-lo com os leitores deste Blog pois espero que crie impacto em vós, a fim de reflectirmos e ponderarmos nas acções e palavras que constantemente expressamos.
Sabendo que somos (refiro-me à ADASCA) referência e influência para tantas pessoas à nossa volta, talvez, depois de ler este artigo, possamos tomar a decisão de estar mais atentos à maneira como reagimos, para que sejamos mais justos e sensatos, sem que nos tenhamos que arrepender de actos e palavras irreflectidas.
«Era uma vez uma jovem que estava à espera do seu comboio na sala de embarque de uma grande estação ferroviária. Como ainda tinha de esperar algumas horas, resolveu comprar um livro para ajudar a passar o tempo. Comprou também um pacote de bolachas. Sentou-se numa cadeira, na sala de espera da dita Estação, para que pudesse descansar e ler sossegada.
Ao seu lado sentou-se um homem. Quando ela pegou na primeira bolacha, o homem também pegou numa. Ela sentiu-se indignada, mas não disse nada. Apenas pensou: "Mas que grande lata! Se eu tivesse com outra disposição, dava-lhe um soco num olho para que ele nunca mais se esquecesse!!!"
A cada bolacha que ela pegava, o homem também pegava numa. Aquilo deixava-a tão indignada que não conseguia reagir. Quando restava apenas uma bolacha, ela pensou: "O que será que este abusador vai fazer agora?"
Então, o homem dividiu a bolacha ao meio e deixou a outra metade para ela. - "Ah! Isto era demais!" - Ela soprava de raiva! Pegou no seu livro e nas suas coisas e dirigiu-se ao local de embarque. Quando se sentou, confortavelmente, no seu lugar, já interior do comboio, olhou para dentro da mala para ir buscar um rebuçado, e, para sua surpresa, o pacote de bolachas estava lá... ainda intacto, fechadinho!!! Sentiu tanta vergonha!
Só então percebeu que a errada era ela, sempre tão distraída! Ela tinha-se esquecido que as bolachas estavam guardadas dentro da mala...
O homem tinha dividido as bolachas dele sem se sentir indignado, nervoso ou revoltado, enquanto ela tinha ficado muito transtornada, pensando estar a dividir as dela com ele. E já não havia mais tempo para se explicar... nem para pedir desculpas!
Quantas vezes, na nossa vida, estamos a comer as bolachas dos outros e não temos a consciência disto e vice-versa?
Antes de concluir, observe melhor! Talvez as coisas não sejam exactamente como pensa! Não pense aquilo que não sabe sobre a pessoa.
Existem quatro coisas que não se recuperam:
1 - A pedra, depois de lançada;
2 - A palavra, depois de proferida;
3 - A ocasião, depois de perdida
4 - E o tempo, depois de passado.»

Joaquim Carlos
(Adaptado)