10.24.2010

Dados por Tipo de Sangue na Região Centro

Dados por Tipo de Sangue na Região Centro

Procuramos saber junto do Centro Regional de Sangue do Centro de Coimbra (CRSC), quais os tipos de sangue mais existentes e requisitados, como ainda os que se encontram abaixo do desejável, tendo sido informado, que "neste preciso momento é o A Negativo e o 0 Negativo" de acordo com a Dra. Helena Gonçalves, Directora do CRSC.

"Repito, são sem dúvida os grupos que mais predominam na população Portuguesa, como sejam os Grupos A Positivo e 0 Positivo."

Mas, estas percentagens a qualquer momento, podem mudar. Assim, no sentido de melhor informar os nossos leitores os dados estatísticos são os seguintes:

- A Positivo - 38%
- A Negativo - 7,3%
- 0 Positivo - 35,8%
- 0 Negativo - 7,2%
- B Positivo - 6,5%
- B Negativo - 1,3%
- AB Positivo - 2,9%
- AB Negativo - 0,5%

Estes dados foram disponibilizados a 6 de Outubro de 2010, pelo que os leitores sendo confrontados com esta informação, podem aderir à dádiva de sangue, sempre que acharem oportuno.

Joaquim Carlos

10.20.2010

Loucura mora ao lado das pessoas criativas

As pessoas criativas, e especialmente os poetas, são presas fáceis da loucura, revela um estudo publicado pela revista norte-americana «Psychology Today».
O estudo, feito por um departamento da Universidade de lowa, ao longo de 15 anos, com base na obersvação de escritores de renome, conclui que 43 por cento destas pessoas apresentam, em maior ou menor grau, sintomas manía-depressivos.
Este problema psíquico, no grupo controlo (o grupo que serviu de base à estatística), não ultrapassa os 10 por cento, informa ainda a «Psychology Today», segundo a qual praticamente todos os observados demonstraram sofrer frequentes alterações de humor.

PROBLEMA DE COERÊNCIA versus COMPORTAMENTO


PROBLEMA DE COERÊNCIA  versus COMPORTAMENTO

A coerência resulta da inteligência e do carácter; na medida em que se compreende o valor duma ideia e se respeitam as suas exigências, é-se coerente.
Na vida humana, o dever é a maior força de obrigação. É meu dever? Cesse tudo o mais; e pode acontecer até que haja de se perder a vida no cumprimento do dever.
Mas há no nosso ser e nas nossas actividades hierarquia ou escala de valores. O corpo é inferior à alma; quando os interesses dos dois são contrários, a coerência manda que se salvem os da alma, se for necessário sacrificar aquela (a pouco e pouco, ou num acto heróico) e exige a coerência que não hesite.
A virtude enobrece, o vício e o pecado avilta; a coerência torna-se palavra vã, se praticamente a ordem for invertida, entronizando o vício e desdenhando da virtude.
O divertimento ou recreação também tem categoria na vida humana. Quando corresponde a uma legítima necessidade psicológica ou fisiológica, é dever. Não pode, porém, consistir em coisa que diminua alguém diante de si próprio, nem diante do próximo sério, nem diante de Deus.
O divertimento tem o aspecto de mais facultativo do que o dever, mais livre, mais directamente dependente da vossa vontade. Mas a liberdade de acção não deve resultar do capricho ou paixão desordenada; quem mais perfeitamente lhe marca os limites e regula o seu uso é a dignidade. Contra a dignidade da pessoa humana, a liberdade não existe, isto é, não é legitima.
É coerência conformar, também nisto, a vida com a doutrina. Este respeito pela escala dos valores deve estender-se a todos os aspectos da vida - individual, familiar, social. É coerência não separar uma da outra a "religião" (que defende a dignidade) e a vida: tal separação seria um desacordo funesto, semelhante ao de separar, no mesmo indivíduo, a alma e o corpo; disto resultaria a morte, ou melhor, nisto consiste a morte.
Assim se passam as coisas na ordem física, assim se na ordem moral. E as consequências da morte espiritual são piores, infinitamente, do do que as da morte corporal.
Afirma-se alguém católico. Acredite praticamente no que diz. É ainda uma questão de coerência. Como o filósofo, podemos observar que não são muitas as pessoas coerentes. Quando encontramos uma, parece-nos consoladora e reconfortante raridade: eu gosto de ouvir de vez em quando um homem que acredita no que diz (1); ouvir e ver, verificar que acredita, pelas suas obras, nas suas próprias palavras. Em Marrocos, um comandante europeu perguntou a um indígena quais os sinais do chefe inimigo; o interrogado respondeu: logo que o vir, sabe que é ele. Quem nos vê, não poderá duvidar de que somos nós? Falar verdade no coração, segundo o salmista, é conhecer-se; falar verdade na vida, é tornar-se conhecido sem disfarce, é ser coerente.
No dever, nos divertimentos, em tudo, importa que sejamos coerentes, iluminando e fortalecendo todas as nossas atitudes pelo mesmo nobilíssimo conceito da nossa dignidade natural e sobrenatural.

Autor: Joaquim M. C. Carlos
Fonte: Jornal LOGOS, edição nº. 21 datada de 1 a 15 de Outubro de 2003, do qual fui seu propritário e Director.
(1) David Hume, filósofo inglês, cit. pelo P. Raoul Plus, em Face à la vie, volume citado, pág. 76.

PORQUE NOS LEMBRAMOS DE CERTAS COISAS E ESQUECEMOS OUTRAS


PORQUE NOS LEMBRAMOS DE CERTAS COISAS E ESQUECEMOS OUTRAS

O poder da memória depende largamente das influências exteriores, dizem os pesquisadores. Embora os peritos ponham em dúvida a perfeição da memória, continuam a estudar os factores que a afectam.
Durante anos soube-se que as emoções podem bloquear algumas recordações, em especial as que são preocupantes ou desagradáveis.
Mas às vezes uma emoção intensa pode tornar as recordações mais claras. Numa determinada altura, você está mais propenso a lembrar-se do tipo de experiências que se relacionam com a disposição em que está. Lembranças tristes ocorrem-lhe quando está melancólico, felizes quando se sente eufórico, etc. Da mesma forma o «stress» pode actuar sobre a sua memória.
Um «stress» moderado, do tipo que você experimenta quando está preocupado com um teste qualquer, é provável que o faça estudar mais e recordar melhor.
Mas o «stress» extremo que pode experimentar em situações que lhe ameaçam a vida é provável que bloqueie o seu processo de recordar.
Há também certos momentos do dia em que a memória funciona melhor. De manhã, à roda das 10 horas, é uma boa altura para estudar. E se forem coisas que tem que lembrar por longos períodos, o período das 6 às 8 da noite pode ser o mais adequado.
O poder da sugestão é também útil quando tentamos recordar algo. Os advogados nos tribunais usam muitas vezes perguntas-chave para extrair pormenores às testemunhas.
A idade também produz estranhos efeitos no processo da memória. Enquanto algumas pessoas têm dificuldade em lembrar-se de acontecimentos recentes, pouca dificuldade têm em recordar coisas dum passado distante.
E, excepto em casos de grave senilidade, lembranças mais recentes podem ocorrer simplesmente por causa duma pessoa que acode à memória.
O álcool prega estranhas partidas à memória. Quarenta por cento de informações novas podem perder-se na manhã seguinte a uma sessão de bebida moderada. Os pesquisadores também já estudaram compostos químicos encontrados no cérebro que parecem ter feito na capacidade de recordar.
Compostos de «choline» encontram-se nos feijões de soja e nos ovos.

Autor: Joaquim M. C. Carlos
Fonte: Jornal Incrível de 27-05-86

DIREITOS DA CRIANÇA - ANTES DE NASCER


Ao proceder a uma arrumação da minha biblioteca, encontrei um folheto que há muito procurava, e que passo a transcrever o seu conteúdo, atendo ao seu máximo interesse social, independemente da data em que foi editado.
1º. - A criança que vai nascer deve gozar, desde o momento da sua concepção, de todos os direitos enunciados na presente Declaração.
Todos estes direitos devem ser reconhecidos a toda a criança que vai nascer, sem qualquer excepção nem discriminação baseada na raça, na cor, no sexo, na língua, na religião, na origem nacional e social, no estado de desenvolvimento, no estado de saúde ou nas características mentais e físicas certas ou hipotéticas, ou em qualquer outra situação que a ela diga respeito, ou à sua mãe ou à sua família.
Os povos e os governos devem promover o progresso das investigações e a sua aplicação, a fim de assegurar uma maior protecção médica à mãe e à criança e de aumentar as suas possibilidades de viver nos casos em que esta estiver em perigo.
2º. - A lei deve assegurar à criança, antes de nascer, com a mesma força que depois, o direito à vida inerente a todo o ser humano.
Em razão da sua particular fraqueza, a criança que vai nascer deve beneficiar de uma protecção especial. Ela deve poder gozar, bem como a sua mãe e a sua família, de todas as possibilidades garantidas pela lei ou por outros meios, para chegar ao nascimento nas melhores condições possíveis. Na adopção das medidas legislativas para esse efeito, o interesse superior da criança que vai nascer deve constituir a consideração determinante.
3º. - A criança que vai nascer deve beneficiar da segurança social. Ela deve poder chegar ao nascimento nas condições mais sãs. Uma ajuda e uma protecção especial devem ser-lhe asseguradas, bem como à sua mãe, particularmente durante o período da gravidez e do nascimento, e durante o período puerperal.
A mãe e a criança têm conjuntamente o direito a uma alimentação, a uma habitação, a uma assistência, e a cuidados médicos especiais.
4º. - Para se poder desenvolver e nascer nas melhores condições, a criança necessita que a sua mãe viva numa atmosfera de afeição e de segurança moral e material.
A sociedade e os poderes públicos têm, portanto, o dever imperioso de tomar um cuidado especial com as mães que não dispõem de meios suficientes de subsistência, e particularmente das mães de famílias numerosas.
5º. - É proíbido submeter uma criança, tanto antes como depois de nascida, a experiências médicas ou científicas, excepto no seu próprio interesse.
Fonte: Texto da "Declaração dos Direitos da Criança antes de nascer", votada pelo Congresso Europeu dos Movimentos para a Vida, realizado em Lião, em 3 e 4 de Dezembro de 1977, e aprovada pelo Parlamento Europeu no Luxemburgo.
NB: Estes Direitos deviam incomodar a todos os níveis quem os aprovou, quiçá se evitasse a miséria que assistimos.

10.19.2010

LIBERDADE

Liberdade é a palavra mágica que nos faz vibrar de entusiasmo ao pronuncia-la; é grito de alma que faz querer à vida duplamente, quando possuímos raciocínio bastante para compreender a altura do seu real significado.
Liberdade é ter consciência de saber pensar, exprimir e operar sem ser coagido por influências internas ou externas; é procurar conhecer onde está a verdade sem ser escravo de preconceitos ou ideologias falsas.
Ser livre é não ter receio da opinião dos outros; é agir de cabeça erguida, quando a consciência nos diz que estamos trilhando o caminho do direito e da razão.
Liberdade não é anarquia nem desordem; liberdade é ordem condicionada à responsabilidade e aos direitos individuais e colectivos.
Julgam muitos, porém, que a liberdade consiste em efectuar qualquer acto apenas impulsionado por um desejo ou capricho, sem atender à razão e aos deveres cívicos e morais.
Quem assim pensa não é livre, mas, sim verdadeiro escravo dos instintos selváticos que herdou, por atavismo, dos seus antepassados pré-históricos.
Ser livre é ter consciência de querer ou não querer; é pesar os próprios actos com inteligência e não agir sem prévia reflexão sobre a responsabilidade que lhe cabe como ser pensante.
Aquele que não pensa, que não quer ou não sabe raciocinar, que não tem força suficiente para refrear os seus ímpetos, não pode merecer o título de homem livre e civilizado. É incapaz de compreender o verdadeiro sentido da palavra "Liberdade", pois se compreendesse sabia que ser livre é, antes de tudo, ser senhor de si mesmo, é vencer a tirania das paixões e dos maus instintos, é não ser escravo da preguiça, da cólera, da gula ou do álcool.Só tem direito a ser homem livre aquele que não pratica acções que prejudiquem o seu semelhante, aquele que possui formação interior que o torne responsável pelos actos.
Quem dera que todos pudessem ser livres, que todos sentissem a necessidade da verdadeira independência e compreendessem os direitos sagrados que cabem ao homem, quando verdadeiramente integrado na grandeza da sua personalidade intelectual e moral!
Quem dera que todos se libertassem da escravidão do vício, que possuíssem elevação de espírito capaz de quebrar as algemas que os prendem demasiadamente à matéria!
Quando assim acontecer, o homem será verdadeiramente livre e poderá erguer, bem alto, para iluminar o Mundo, o farol grandioso da "Liberdade".
O poeta alemão Peter Hille (falecido em 1904) considerava como limites únicos à liberdade as dependências do homem em relação "à fome, à doença e à polícia". A polícia significa, neste caso, as barreiras que a comunidade impõe ao indivíduo. Nascendo e crescendo no seio da família, o homem passa logo a ser um ente comunitário. Há-de sempre procurar a segurança de que beneficia ou que lhe faltou em criança. Para a conseguir limitará, muitas vezes voluntariamente a sua necessidade de liberdade.
Muito mais fortemente do que pelas coacções exteriores ou pelas considerações sociais, o homem é limitado pelas inibições que a educação lhe inculca. Já não as sente como originadas em antigas interdições do seu próprio supereu.
Conclusão: entre a liberdade pessoal e a obediência social, muitos indivíduos escolhem de modo unívoco a rebelião, e, na maioria dos casos, fracassam. Outros escolhem a segurança dos "carneiros" integrados no rebanho. Mas geralmente isso não deixa a impressão de que "não há influência exterior que obrigue o homem a converter-se em térmita", como dizia Freud, para quem a questão do conflito entre as pretensões individuais e as das massas depende essencialmente do destino.

Autor: Joaquim M. C. Carlos
Fonte: Este artigo foi publicado no extinto "Jornal de Aveiro" no dia -3-10-91, no Espaço Reflexões, sendo na altura o seu Director o Jornalista Brissos da Fonseca.

INGRATIDÃO



INGRATIDÃO

É muito difícil compreender certas contradições e paradoxos da vida. O exame metódico e sereno das coisas, feito por processos rigorosamente científicos, baseados numa segura e firme argumentação, não se aplica quando se pretende explicar determinados mistérios da alma humana, que observação mais aguçada e minuciosa. Por isso, na necessidade de analisar esses sentimentos e de os explicar melhor ou pior, tem de se recorrer ao estudo de tantos outros factores que com eles estão relacionados, e depois, por deduções, bastantes ocasiões muitas vezes à "contrário sensu", concluir aquilo que parece estar mais conforme com as circunstâncias especiais no fenómeno.
Há sentimentos que desnorteiam e desorientam as mais sólidas teorias e entre eles figura, talvez, em lugar bem distinto, precisamente porque é dos mais vulgarizados, a ingratidão, nas suas múltiplas fórmulas e revelações externas. Não custa nada, por muito orgulhoso que seja, mostrar reconhecimento a quem nos fez um favor, e que, portanto, se soubermos ser delicados, nos pode vir a fazer muitos mais.
Agradecer é sinal de superioridade de carácter, um pretexto para merecermos a confiança de amigos bons e sinceros, dos quais, mais depressa do que se julga. E, apesar disto, os homens, ainda mal acabaram de receber um a gentileza, já estão esquecidos da mão que os amparou com o benefício, quando não pagam com qualquer grosseria a benevolência tida. Quando eu encontro alguém que sabe ser reconhecido, fico admirado, admirando a superioridade desse alguém o que é tão raro nos dias que correm.
Os homens obcecados na alucinada demência duma maldade feroz e egoísta, esquecem o que convém às suas conveniências, agradecer para receber, pois não é com "espinhos que se colhem rosas"...
Ocultos atrás dum sorriso alvar, escondidos na mesquinha insolência duma inteligência que a maldade desvaria à multidão é difícil sentir prazer espiritual da gratidão.
Reconhecer uma fineza, é admitir em alguém uma virtude, prestar-lhe homenagem, elevá-la, e essas criaturas não sabem mais do que rebaixar os outros, difamar todas as intenções honestas e todos os esforços generosos.
Ser reconhecido e agradecer, é prestar um alto acto de Justiça e, devemos confessá-lo, se o verdadeiro sentido de Justiça não existe na maioria dos homens, também não pode existir neles o sentido abençoado da gratidão.
Tenho sentido na pele a feroz ingratidão desde a fundação desta associação, que por sua vez se torna difícil explanar. Por vezes surge do lado que menos esperava, mas, o ser humano na sua maioria é assim, é ingrato, é mau e tem memória curta.
Apesar de tudo a obra está ai, os resultados alcançados falam por si deitando por terra a incredibilidade que muitos revelaram e profetizaram contra este projecto desde o seu início. São necessárias pessoas que estejam motivadas para elevar ainda mais a ADASCA, e não as motivadas pelo fingimento, inveja, intriga e ingratidão, com o intuito de a destruir, existe pois algumas dessas ervas daninhas no seu interior, que em muito me têm infernizado a vida.
Para poucos a ADASCA é filha, para alguns é sobrinha e para muitos é enteada. É nesta última condição que desde sempre tem sido tratada.
Haja respeito pelo trabalho que tem sido desenvolvido em prol da comunidade necessitada.
"Existem três classes de ingratos: os que silenciam diante do favor; os que o cobram e os que se vingam." (Romón y Cajal), e concluo com mais este pensamento: "Quem recebe o que não merece, poucas vezes o agradece." (Francisco Quevedo).
NB: Este artigo foi publicado no Diário de Aveiro no dia 22-10-10, págª. 6 e vai ser publicado na Revista Tribuna da ADASCA, edição nº. 1.
Faço votos para que nunca seja necessário tornar público neste espaço o que tenho sofrido desde que fundei esta associação, pois os amargos de boca são mais que muitos.