10.20.2010

PORQUE NOS LEMBRAMOS DE CERTAS COISAS E ESQUECEMOS OUTRAS


PORQUE NOS LEMBRAMOS DE CERTAS COISAS E ESQUECEMOS OUTRAS

O poder da memória depende largamente das influências exteriores, dizem os pesquisadores. Embora os peritos ponham em dúvida a perfeição da memória, continuam a estudar os factores que a afectam.
Durante anos soube-se que as emoções podem bloquear algumas recordações, em especial as que são preocupantes ou desagradáveis.
Mas às vezes uma emoção intensa pode tornar as recordações mais claras. Numa determinada altura, você está mais propenso a lembrar-se do tipo de experiências que se relacionam com a disposição em que está. Lembranças tristes ocorrem-lhe quando está melancólico, felizes quando se sente eufórico, etc. Da mesma forma o «stress» pode actuar sobre a sua memória.
Um «stress» moderado, do tipo que você experimenta quando está preocupado com um teste qualquer, é provável que o faça estudar mais e recordar melhor.
Mas o «stress» extremo que pode experimentar em situações que lhe ameaçam a vida é provável que bloqueie o seu processo de recordar.
Há também certos momentos do dia em que a memória funciona melhor. De manhã, à roda das 10 horas, é uma boa altura para estudar. E se forem coisas que tem que lembrar por longos períodos, o período das 6 às 8 da noite pode ser o mais adequado.
O poder da sugestão é também útil quando tentamos recordar algo. Os advogados nos tribunais usam muitas vezes perguntas-chave para extrair pormenores às testemunhas.
A idade também produz estranhos efeitos no processo da memória. Enquanto algumas pessoas têm dificuldade em lembrar-se de acontecimentos recentes, pouca dificuldade têm em recordar coisas dum passado distante.
E, excepto em casos de grave senilidade, lembranças mais recentes podem ocorrer simplesmente por causa duma pessoa que acode à memória.
O álcool prega estranhas partidas à memória. Quarenta por cento de informações novas podem perder-se na manhã seguinte a uma sessão de bebida moderada. Os pesquisadores também já estudaram compostos químicos encontrados no cérebro que parecem ter feito na capacidade de recordar.
Compostos de «choline» encontram-se nos feijões de soja e nos ovos.

Autor: Joaquim M. C. Carlos
Fonte: Jornal Incrível de 27-05-86

DIREITOS DA CRIANÇA - ANTES DE NASCER


Ao proceder a uma arrumação da minha biblioteca, encontrei um folheto que há muito procurava, e que passo a transcrever o seu conteúdo, atendo ao seu máximo interesse social, independemente da data em que foi editado.
1º. - A criança que vai nascer deve gozar, desde o momento da sua concepção, de todos os direitos enunciados na presente Declaração.
Todos estes direitos devem ser reconhecidos a toda a criança que vai nascer, sem qualquer excepção nem discriminação baseada na raça, na cor, no sexo, na língua, na religião, na origem nacional e social, no estado de desenvolvimento, no estado de saúde ou nas características mentais e físicas certas ou hipotéticas, ou em qualquer outra situação que a ela diga respeito, ou à sua mãe ou à sua família.
Os povos e os governos devem promover o progresso das investigações e a sua aplicação, a fim de assegurar uma maior protecção médica à mãe e à criança e de aumentar as suas possibilidades de viver nos casos em que esta estiver em perigo.
2º. - A lei deve assegurar à criança, antes de nascer, com a mesma força que depois, o direito à vida inerente a todo o ser humano.
Em razão da sua particular fraqueza, a criança que vai nascer deve beneficiar de uma protecção especial. Ela deve poder gozar, bem como a sua mãe e a sua família, de todas as possibilidades garantidas pela lei ou por outros meios, para chegar ao nascimento nas melhores condições possíveis. Na adopção das medidas legislativas para esse efeito, o interesse superior da criança que vai nascer deve constituir a consideração determinante.
3º. - A criança que vai nascer deve beneficiar da segurança social. Ela deve poder chegar ao nascimento nas condições mais sãs. Uma ajuda e uma protecção especial devem ser-lhe asseguradas, bem como à sua mãe, particularmente durante o período da gravidez e do nascimento, e durante o período puerperal.
A mãe e a criança têm conjuntamente o direito a uma alimentação, a uma habitação, a uma assistência, e a cuidados médicos especiais.
4º. - Para se poder desenvolver e nascer nas melhores condições, a criança necessita que a sua mãe viva numa atmosfera de afeição e de segurança moral e material.
A sociedade e os poderes públicos têm, portanto, o dever imperioso de tomar um cuidado especial com as mães que não dispõem de meios suficientes de subsistência, e particularmente das mães de famílias numerosas.
5º. - É proíbido submeter uma criança, tanto antes como depois de nascida, a experiências médicas ou científicas, excepto no seu próprio interesse.
Fonte: Texto da "Declaração dos Direitos da Criança antes de nascer", votada pelo Congresso Europeu dos Movimentos para a Vida, realizado em Lião, em 3 e 4 de Dezembro de 1977, e aprovada pelo Parlamento Europeu no Luxemburgo.
NB: Estes Direitos deviam incomodar a todos os níveis quem os aprovou, quiçá se evitasse a miséria que assistimos.

10.19.2010

LIBERDADE

Liberdade é a palavra mágica que nos faz vibrar de entusiasmo ao pronuncia-la; é grito de alma que faz querer à vida duplamente, quando possuímos raciocínio bastante para compreender a altura do seu real significado.
Liberdade é ter consciência de saber pensar, exprimir e operar sem ser coagido por influências internas ou externas; é procurar conhecer onde está a verdade sem ser escravo de preconceitos ou ideologias falsas.
Ser livre é não ter receio da opinião dos outros; é agir de cabeça erguida, quando a consciência nos diz que estamos trilhando o caminho do direito e da razão.
Liberdade não é anarquia nem desordem; liberdade é ordem condicionada à responsabilidade e aos direitos individuais e colectivos.
Julgam muitos, porém, que a liberdade consiste em efectuar qualquer acto apenas impulsionado por um desejo ou capricho, sem atender à razão e aos deveres cívicos e morais.
Quem assim pensa não é livre, mas, sim verdadeiro escravo dos instintos selváticos que herdou, por atavismo, dos seus antepassados pré-históricos.
Ser livre é ter consciência de querer ou não querer; é pesar os próprios actos com inteligência e não agir sem prévia reflexão sobre a responsabilidade que lhe cabe como ser pensante.
Aquele que não pensa, que não quer ou não sabe raciocinar, que não tem força suficiente para refrear os seus ímpetos, não pode merecer o título de homem livre e civilizado. É incapaz de compreender o verdadeiro sentido da palavra "Liberdade", pois se compreendesse sabia que ser livre é, antes de tudo, ser senhor de si mesmo, é vencer a tirania das paixões e dos maus instintos, é não ser escravo da preguiça, da cólera, da gula ou do álcool.Só tem direito a ser homem livre aquele que não pratica acções que prejudiquem o seu semelhante, aquele que possui formação interior que o torne responsável pelos actos.
Quem dera que todos pudessem ser livres, que todos sentissem a necessidade da verdadeira independência e compreendessem os direitos sagrados que cabem ao homem, quando verdadeiramente integrado na grandeza da sua personalidade intelectual e moral!
Quem dera que todos se libertassem da escravidão do vício, que possuíssem elevação de espírito capaz de quebrar as algemas que os prendem demasiadamente à matéria!
Quando assim acontecer, o homem será verdadeiramente livre e poderá erguer, bem alto, para iluminar o Mundo, o farol grandioso da "Liberdade".
O poeta alemão Peter Hille (falecido em 1904) considerava como limites únicos à liberdade as dependências do homem em relação "à fome, à doença e à polícia". A polícia significa, neste caso, as barreiras que a comunidade impõe ao indivíduo. Nascendo e crescendo no seio da família, o homem passa logo a ser um ente comunitário. Há-de sempre procurar a segurança de que beneficia ou que lhe faltou em criança. Para a conseguir limitará, muitas vezes voluntariamente a sua necessidade de liberdade.
Muito mais fortemente do que pelas coacções exteriores ou pelas considerações sociais, o homem é limitado pelas inibições que a educação lhe inculca. Já não as sente como originadas em antigas interdições do seu próprio supereu.
Conclusão: entre a liberdade pessoal e a obediência social, muitos indivíduos escolhem de modo unívoco a rebelião, e, na maioria dos casos, fracassam. Outros escolhem a segurança dos "carneiros" integrados no rebanho. Mas geralmente isso não deixa a impressão de que "não há influência exterior que obrigue o homem a converter-se em térmita", como dizia Freud, para quem a questão do conflito entre as pretensões individuais e as das massas depende essencialmente do destino.

Autor: Joaquim M. C. Carlos
Fonte: Este artigo foi publicado no extinto "Jornal de Aveiro" no dia -3-10-91, no Espaço Reflexões, sendo na altura o seu Director o Jornalista Brissos da Fonseca.

INGRATIDÃO



INGRATIDÃO

É muito difícil compreender certas contradições e paradoxos da vida. O exame metódico e sereno das coisas, feito por processos rigorosamente científicos, baseados numa segura e firme argumentação, não se aplica quando se pretende explicar determinados mistérios da alma humana, que observação mais aguçada e minuciosa. Por isso, na necessidade de analisar esses sentimentos e de os explicar melhor ou pior, tem de se recorrer ao estudo de tantos outros factores que com eles estão relacionados, e depois, por deduções, bastantes ocasiões muitas vezes à "contrário sensu", concluir aquilo que parece estar mais conforme com as circunstâncias especiais no fenómeno.
Há sentimentos que desnorteiam e desorientam as mais sólidas teorias e entre eles figura, talvez, em lugar bem distinto, precisamente porque é dos mais vulgarizados, a ingratidão, nas suas múltiplas fórmulas e revelações externas. Não custa nada, por muito orgulhoso que seja, mostrar reconhecimento a quem nos fez um favor, e que, portanto, se soubermos ser delicados, nos pode vir a fazer muitos mais.
Agradecer é sinal de superioridade de carácter, um pretexto para merecermos a confiança de amigos bons e sinceros, dos quais, mais depressa do que se julga. E, apesar disto, os homens, ainda mal acabaram de receber um a gentileza, já estão esquecidos da mão que os amparou com o benefício, quando não pagam com qualquer grosseria a benevolência tida. Quando eu encontro alguém que sabe ser reconhecido, fico admirado, admirando a superioridade desse alguém o que é tão raro nos dias que correm.
Os homens obcecados na alucinada demência duma maldade feroz e egoísta, esquecem o que convém às suas conveniências, agradecer para receber, pois não é com "espinhos que se colhem rosas"...
Ocultos atrás dum sorriso alvar, escondidos na mesquinha insolência duma inteligência que a maldade desvaria à multidão é difícil sentir prazer espiritual da gratidão.
Reconhecer uma fineza, é admitir em alguém uma virtude, prestar-lhe homenagem, elevá-la, e essas criaturas não sabem mais do que rebaixar os outros, difamar todas as intenções honestas e todos os esforços generosos.
Ser reconhecido e agradecer, é prestar um alto acto de Justiça e, devemos confessá-lo, se o verdadeiro sentido de Justiça não existe na maioria dos homens, também não pode existir neles o sentido abençoado da gratidão.
Tenho sentido na pele a feroz ingratidão desde a fundação desta associação, que por sua vez se torna difícil explanar. Por vezes surge do lado que menos esperava, mas, o ser humano na sua maioria é assim, é ingrato, é mau e tem memória curta.
Apesar de tudo a obra está ai, os resultados alcançados falam por si deitando por terra a incredibilidade que muitos revelaram e profetizaram contra este projecto desde o seu início. São necessárias pessoas que estejam motivadas para elevar ainda mais a ADASCA, e não as motivadas pelo fingimento, inveja, intriga e ingratidão, com o intuito de a destruir, existe pois algumas dessas ervas daninhas no seu interior, que em muito me têm infernizado a vida.
Para poucos a ADASCA é filha, para alguns é sobrinha e para muitos é enteada. É nesta última condição que desde sempre tem sido tratada.
Haja respeito pelo trabalho que tem sido desenvolvido em prol da comunidade necessitada.
"Existem três classes de ingratos: os que silenciam diante do favor; os que o cobram e os que se vingam." (Romón y Cajal), e concluo com mais este pensamento: "Quem recebe o que não merece, poucas vezes o agradece." (Francisco Quevedo).
NB: Este artigo foi publicado no Diário de Aveiro no dia 22-10-10, págª. 6 e vai ser publicado na Revista Tribuna da ADASCA, edição nº. 1.
Faço votos para que nunca seja necessário tornar público neste espaço o que tenho sofrido desde que fundei esta associação, pois os amargos de boca são mais que muitos.

Um Mundo Baseado na Injustiça

Um Mundo Baseado na Injustiça

Introdução: Este é um tema que até os políticos mais bem intencionados evitam a todo o custo abordar porque não lhes dá votos, mesmo que prometam este mundo e mais alguma coisa do outro que não conhecemos.
No dia 25 de Novembro, as Florinhas do Vouga, prestigiada IPSS de Aveiro achou pertinente promover um encontro subordinado ao tema "Sem Abrigo Opção ou imposição" âmbito do seu 70º. Aniversário. Parabéns Padre João Gonçalves pela inciativa.
Não é minha pretensão "atacar" as razões que motivaram este encontro, bem pelo contrário, entendo até que deviam ser promovidas mais vezes, convidando para o efeito oradores mais conceituados do que as senhoras que apareceram na foto que o Diário de Aveiro revelou na edição de 26/11/2010, página 7.


Com um painel de oradoras desta natureza, independemente do padrão universitário de cada uma, de certeza que nada vai ser feito de concreto no terreno a favor dos sem abrigo, que cada vez mais vão deambulando pelas ruas desta linda cidade, tudo vai ficar pelas boas intenções, a não ser que o Padre João Gonçalves arregace as mangas e meta mãos à obra, para que a obra apareça feita em nome de mais estes deserdados da sorte.
Não acredito que a Segurança Social de Aveiro se decida investir nesta área, porque na visão da sua representante máxima, trata-se de duma causa socialmente perdida. Porém esquece-se que os agora classificados sem abrigo, contribuem para manter muitos posto de trabalho de assistentes sociais que nem á rua vão estabelecer contacto com esta infeliz realidade.
Sacam-se por ai umas fotos meias escondidas na rua, ou pesquisa-se qualquer arquivo já bafiento nas prateleiras do esquecimento, e já está o relatório psicossocial elaborado, com as alegações finais das Técnicas Superiores, de que as situações identificadas até não são assim tão preocupantes quanto a imprensa faz crer, ou outros intervenientes preocupados com as questões humanas e sociais, surgidas pelo crescimento galopante do desemprego arrastando famílias inteiras...
O tema do encontro não podia ter sido melhor: "Sem Abrigo, Opção ou imposição". Será que algum dos indivíduos abordados declarou que: "sim, sou um sem abrigo por vontade própria, adoro este estilo de vida, porque está a ficar na moda. A senhora Dra. deve vir experimentar este novo estilo de vida social. Dormir onde dormimos, beber o que bebemos, fumar o que fumamos, vestir-se como nos vestimos, ir comer onde vamos comer, tomar banho quando se é possível tomar, enfim, um sem número de opções pessoas. Venha?"Duvido que algum sem abrigo tenha a ousadia de formular um convite desta natureza, pois a sua humildade social fala mais alto. Dentro de dias vou ao encontro dos sem abrigo para recolher as suas opiniões pessoais, divulgando-as posteriormente neste espaço.
Tocamos um tema altamente perigoso. Quem será capaz de erguer a voz para defender a justiça sem ser acoimado de demagogo ou comunista? Se até os próprios Papas têm sofrido esta calúnia.
Actualmente a justiça a nível mundial está de rastos. O mundo inteiro está baseado na injustiça. E é preciso socorremo-nos das palavras do Concílio:
- "Jamais o género humano teve à sua disposição tantas riquezas, tantas possibilidades, tanto poder económico. E, todavia, uma grande parte da humanidade sofre de fome e miséria extrema sendo até incontável o número de analfabetos."
Assim dito, numa frase, parece que este espinho infernal não se crava na alma. E seria preciso trazer aqui um documento tráfico do nosso tempo, com as suas feridas sociais que estão clamando justiça ao céu.
Dou a última estatística da informação da Organização para a Agricultura e alimentação das Nações Unidas.
Uma imagem que devia envergonhar a todos
Dez milhões de pessoas alimentam-se insuficientemente e passam verdadeiramente fome... Este número de esfomeados cresce diariamente em 190.000.
Mas os números são frios, não deixam vislumbrar o clamor agonizante desses milhões de irmãos nossos. Impressiona mais ver morrer de fome uma criança do que ler e conhecer o número anual dos que morrem de fome: 38 milhões morrem de fome por ano.
Nós os que comemos, que jamais passámos fome... teremos direito de gritar a favor da justiça?
Pedir perdão é OBRIGATÓRIO. Todos trazemos em nossas mãos sangue de inocentes. Nós, os que nunca sentimos claramente fome, somos responsáveis, de alguma maneira, pelos que morrem de fome todos os dias, a todo o momento.
Se tomamos a sério a nossa fraternidade universal, eu creio que é incompatível tanta injustiça com os nossos estômagos saciados.
E a injustiça não se reduz à fome, é mais ampla, é total desprezo pela pessoa humana, que afinal somos todos nós...
Não conheces o mundo? Não? Abre bem os olhos e respira esta exalação de injustiça.
Há muitos séculos disse Platão: " Eu declaro que a Justiça não é outra coisa que a convivência do mais forte".
Que sarcasmo! Isto continua a ser verdade e é terrível. Quando um homem é clarividente e o compreende, começa a viver uma nova existência. Eu penso que há duas classes de pessoas: as que se apercebem da injustiça imperante no mundo e lutam a favor da Justiça; e os inconscientes, desfrutadores da honra, arrivistas que não sentem qualquer outra aspiração além da de continuar flutuando.
Duas classes de homens que Cristo classificou nas Suas Bem-aventuranças:
-"Felizes os que têm fome e sede de Justiça. Desgraçados os que não têm fome e sede de Justiça."
Escuta o ranger da engrenagem do mundo que continua a dar voltas e em cada volta vão morrendo milhões de homens esmagados pela injustiça.
O mais terrível da injustiça não é a fome, nem a incultura, nem os bairros da lata, nem a emigração... é o esmagar-se a pessoa, é roubarem-lhe os seus direitos mais elementares e escravizarem-se com novas formas de escravidão social e psíquica.
E isto é ainda alarmante, pois, no nosso tempo, e cada vez mais, já penetrou a impor-se a persuasão de que todos os homens, em razão da dignidade da sua natureza, são iguais entre si.
Cresce a consciência da excelsa dignidade própria da pessoa humana, que está acima de todas as coisas e os seus direitos e deveres são universais e invioláveis.
Este é o ponto mais importante sempre que se fala da justiça. Em toda a injustiça há um esmagar da personalidade e é o que mais nos deve fazer vibrar.
Alguns hipócritas chamam docilidade ao servilismo. E é rebelde todo aquele que exige os seus direitos inalienáveis tanto de homem como de cristão.
Humildade! Humildade! Quantas escravidões se têm cometido em teu nome! Jamais um "escravo" foi humilde!
Em toda a injustiça há sempre mais gravidade pelo que se rouba à personalidade do que pelo que falta de bens materiais.
No tanque da injustiça há sempre mais gravidade pelo que se rouba à personalidade do que pelo que falta de bens materiais.
O tanque da injustiça começou a rodar por ai, junto do Paraíso, quando um homem matou por inveja o seu irmão. E continuam a morrer...
Egoísmo cego e também idiotice. Há muitos que não vêem para além do círculo estreito do seu ambiente, que desgraçadamente foi burguês. Necessitamos de abrir os olhos e ver essa imensa procissão de homens alienados a quem estamos roubando o tesouro mais sublime que possuem: a dignidade de pessoa.
É da mais elementar justiça recordar aqui um pensamento do reverendo Dr. Luther King: "Dizei que eu era o tambor da justiça. Eu era tambor da rectidão."

* Joaquim M. C. Carlos
NB: este artigo foi publicado no "O Comércio do Porto" e no Jornal "Notícias de Vagos" do qual fui seu propriatário e Director, datado de 15 a 31 de Dezembro de 1994.

Apesar das vicissitudes da vida, ainda vale a pena apreciar a beleza de cidade de Aveiro

10.16.2010

As Harmonias do Bem

As Harmonias do Bem

De vez enquanto sou surpreendido com a recepção de alguns livros antigos, que pela natureza dos temas/assuntos que neles são abordados/tratados, devo confessar que tenho alguma dificuldade em não lhes dar a atenção devida.
Alguém teve a amabilidade de me enviar um livro que para além de já não ter a capa e contra-capa, considero-o de extrema importância tanto do ponto de vista educativo como edificador, cujo título suponho ser o supracitado. Tomo assim a liberdade de transcrever na íntegra o Prefácio do Autor que se assina O.S.Marden.
- "Nunca na história da humanidade, houve tão justa compreensão do poder do pensamento justo como esta que estamos notando nos povos cultos.
Apoderam-se dos restos duma grande verdade divina (1), dum novo evangelho de optimismo e de amor, duma filosofia mais clara e confortadora, parecendo que assim vão estabelecer um principio universal que permita aos povos de todas as raças e de todas as crenças unirem-se num trabalho que melhor a humanidade.
O princípio fundamental deste grande movimento metafisico revela-nos que somos capazes de formar a nossa inteligência, o nosso carácter e o nosso corpo e de conquistarmos o êxito. Ora esta revelação está destinada a dar ao mundo bençãos imemoráveis. Temos todos a consciência de que há em nós alguma coisa que nunca adoece, que não morre nunca, um poder que habita na carne, mas que dela não faz parte e que nos une à divindade e por assim dizer, unificando-nos com a Vida infinita (2).
Começamos a descobrir a natureza dessa poderosa força que reside na carne, desse poder curativo, regenerador, rejuvenescedor, harmonizador e construtor que, por fim, nos levará ao estado de felicidade que instintivamente sentimos dever ser o patrimómio de todos os seres humanos.
Apresentar em linguagem clara, simples, despejada de termos técnicos, os princípios da nova filosofia que promete elevar a vida acima da vulgaridade e da discordia, tornando-a digna de ser vivida; demonstrar como é que podem ser colhidos os seus principios e como praticamente podem ser aplicados na vida quotidiana, e em vários casos particulartes - eis o fim deste volume.
Cada vez se vai compreendendo melhor que a obra de Deus não pode ser corrigida pelos homens. Começamos a conhecer que o Princípio que nos criou, repara-nos, restaura-nos, renova-nos, cura-nos; que o remédio de todos os nossos males está dentro de nós, no Princípio Divino que é a nossa vida.
Reconhecemos que há dentro de cada individuo um imortal princípio de saúde que, bem utilizado por nós, curará todos os nossos males, ministrando bálsamos a todas as chagas da humanidade. Esforça-se o autor por motrar que o corpo è apenas o espírito exteriorizado; que a saúde do corpo depende do pensamento, e que temos ou não saúde, felicidade ou miséria, juventude ou velhice, encantos ou horrores, conforme o poder com que disciplinamos os nossos pensamentos (3).
Ensina ela como é que o homem pode mudar o seu corpo e o seu carácter, só mudando de pensamento (4).
Diz-nos este liovro que o homem não deve ser a vitima do seu meio, do qual se pode tornar senhor; que nenhuma fatalidade externa pode tolher-lhe a vida e os seus projectos; que todos podem criar o seu ambiente e as suas condições de vida, que o remédio para a pobreza, para a doença e para o infortúnio consiste em estabelecer, por meio do pensamento cientifíco, uma união consciente entre si e a grande Fonte da Vida infinita, e Fonte da opulência, da saúde e da harmonia (5).
Esta consciente união com o Criador, esta concordância com o Infinito, é o segredo de toda a paz, de todo o poder e de toda a propseridade (6).
Mostra este volume como é que o homem pode defender os áditos da sua inteligência de todos os pensamentos que não sejam amigos, que não deem sugestões de alegria e felicidade, e como é possível excluir os pensamentos inimigos que tragam a discórdia, o sofrimento e o inexito(7)
Ensina este livro que o vosso ideal é uma profecia do que mais tarde sereis; que a palavra pensamento deve substituir a de destino; que, pelo pensamento, nos devemos elevar da discordia à harmonia, da doença á saúde, das trevas á luz, do ódio ao amor, da pobreza e do inexito á prosperidade e ao êxito.
para um homem se poder elevar, tem de elevar primeiro os seus pensamentos.
Quando soubermos dominar os nossos pensamentos, conservando o espírito aberto ao grande influxo da Vida divina, terem os aorendido o segredo da felicidade humana. E então surgirá uma nova era para a human idade" (7).

Referências:
(1) - O leitor integralmente católico com facilidade restringe o que nestas palavras há de excessivo - Nota do tradutor.
(2) - O autor tem a precoupação de que o céu existe só na terra e por isso insinua na terra uma felicidade perfeitamente utópica.
Superfluo é, lembrar como, dentro do justo meio-termo, poderemos aceitar o que há de prático em afirmações tão exageradas. - Nota do Tradutor.
(3) - Quase superfluo é notar o tom excessivo destas afirmações. O corpo depende fundamentalmente do espírito, mas não é apenas a exteriorização do nosso espírito.
A boa disciplina dos nossos pensamentos auxilia sem duvida a nossa saúde, felicidade e atractivos pessoais, mas não basta dum modo absoluto. Doenças , desventuras, humilhantes defeitos físicos, são, na maior parte dos casos, m ales invencíveis, deparações que Deus nos impõe. Pretender exterminá-los é utopia e rebeldiua: valorizá-los na resignação cristã, quando iniludivelmente invencíveis, é o dever de todos os verdadeiros cerntes. - Nota do tradutor.
(4) - A mudança de pensamentos nada produzirá sem o ferveroso apelo à graça divina. O autor nunca o contesta, mas deixa demais de o lembrar em várias passagens.
(5) - Até certo ponto assim é, porque, com o verdadeiro espírito cristão, a deonça realmente pode ser saúde e a pobreza pode ser riqueza.

Somos Todos Corruptíveis

Nunca se falou tanto em corrupção como nos tempos que correm, mas, convém apreciar o que Arthur Scnitzler, in 'Relações e Solidão? escreveu, vale apenas reflectir um pouco sobre o que o seu pensamento:
- "A faculdade de se deixar corromper no sentido mais amplo do termo é uma particularidade da espécie humana; mais ainda, as relações entre os homens só são possíveis porque somos todos corruptíveis em maior ou menor grau. Cada vez que dependemos do amor, da benevolência, da simpatia ou simplesmente da delicadeza, estamos no fundo corrompidos, e o nosso juízo nunca é, por isso, verdadeiramente objectivo; e ele é-o tanto menos quanto nos esforçamos por permanecer incorruptíveis.
A corruptibilidade está longe de se limitar à estrita relação de pessoa a pessoa; uma obra, uma acção, um gesto pode lisonjear-nos confirmando o nosso amor próprio, as nossas opiniões ou a nossa impressão sobre o mundo.
È apenas quando utilizamos conscientemente a corruptibilidade dos outros para a nossa vantagem pessoal ou em detrimento de um terceiro, que ela é um mal, mas a falta é então mais nossa do que daquele cuja corruptibilidade nos beneficia" citação.
A corrupção tem minado de tal forma as relações humanas, que as coisas só funcionam à base de cunhas, compadrios, etc. etc.
Joaquim Carlos